terça-feira, 21 de maio de 2013

Faces da Maternidade - Mães que seguem sozinhas


Todo mundo em algum momento idealizou como seria sua vida. Acontece que ela não comporta roteiros predeterminados e quando menos esperamos, somos surpreendidas. 





Ainda hoje, há quem defenda o modelo tradicional de família, aquele composto de papai-mamãe-filhinha(o) que um dia já foi consagrado em lei, mesmo que essa instituição, com todas as mudanças sociais, admita novos contornos. Existem muitas pessoas que vivem um relacionamento falido por medo de tomar uma decisão. Pensam em se preservar, usando o casamento como um escudo. Isso é mesmo necessário atualmente?





Há quem defenda a família acima de tudo. Mas de que família estamos falando?





Para existir família, deve existir amor, confiança, amizade e, sobretudo respeito. Hoje, o que a configura não é mais o casamento, é a afetividade.








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"Sou Isabela Kanupp, tenho quase 23 anos, sou aspirante a
escritora e mãe da Beatriz de 3 anos.





Quando eu tinha 15 anos falei pro meu pai que, se nada desse certo até meus 25
anos – emprego bacana, faculdade federal, etc – eu teria um filho e não somente
isso, seria produção independente.
  





Claro que meu pai me chamou de louca.


E chamou de louca novamente  aos 18 anos,
quando contei para ele que estava grávida do meu namorado, que na época já
morava na mesma casa que eu.   







Com esse cara, pai da minha filha, vivi por quase 5 anos, dividimos o mesmo
teto, dividimos contas, dividimos problemas, dividimos cervejas, dividimos
muitos cigarros na madrugada. Tivemos nossos momentos bons, mas para mim –
talvez para ele também, não sei – o último ano foi um inferno. 




Entendi porque dizem que quando acaba o respeito acaba tudo, acaba mesmo, acaba
o amor, acaba o “auto” respeito também. Porém, é muito diferente entender isso
e conseguir tomar uma atitude.



Eu demorei um ano para terminar um casamento que já estava acabado fazia tempo.


O medo faz com que não tomemos certas atitudes, o que falam de como é ser mãe
solteira, a insegurança, o medo de não dar conta de colocar comida em casa e
ser mãe. Tudo. Dá um desespero, mas chegou ao ponto de, ou eu enfrentava o medo
ou eu ficaria parada E com medo.






Enfim, passou. E eu me vi solteira com uma filha de 3 anos
me enchendo de pergunta. E não somente isso, me vi solteira, com uma filha de 3
anos me enchendo de perguntas e muitas pessoas querendo responder por mim. 





Na minha ingenuidade, jamais imaginei que ainda existisse tamanho preconceito
com mães solteiras, claro que sabia da existência, mas não em meio a pessoas
jovens, esclarecidas, informadas, ditas tão... modernas. 


E não é que tem gente?


Tem e é tão feio.







Primeiramente o que aconteceu foi que alguns amigos, mesmo sabendo de todos os porquês do término, questionaram se eu tinha certeza, se não era melhor
permanecer casada e “ aguentar”, porque né... tinha de pensar na Beatriz. Mas
eu estava pensando na Beatriz, justamente na Beatriz que pensei em todos os
momentos.




Algumas pessoas em momento de dificuldade – precisar deixar a Beatriz com
alguém para resolver algo, precisar de 5 reais emprestado no auge do desespero,
e por aí vai – se recusaram a ajudar com o argumento de: separou agora aguenta.





Ouvi de pessoas jovens que se eu arrumei filho eu DEVERIA
continuar casada, porque criança precisa de família, e se eu escolhi não
permanecer, que aguentasse. 




Também chegou ao ponto absurdo dessas mesmas pessoas dizerem que sou folgada,
porque pasmem, eu achava muito justo a Beatriz passar os fins de semana com o
pai. Dois dias. Eu era folgada, porque onde já se viu né? 






Outras pessoas já estão tentando arranjar casamento para mim, com  maravilhosos argumentos como: sua filha
precisa de um pai, coitadinha de você precisa de alguém que cuide de você, mas
mulher não se vira sem homem.








Em poucos meses aprendi a ignorar. Porque não compensa,
sabe? A vida já é difícil demais gente, difícil demais para perdermos tempo
batendo boca com pessoas assim. Descobri que o melhor para pessoas que não
acham que somos capaz é mostrar que somos.
  







A separação fez com que houvesse uma seleção natural de pessoas na minha vida,
ver quem vale a pena para estar ao meu lado, quem me apoia, quem me da força e
até mesmo bronca. Vi que tenho alguns amigos maravilhosos, que desde o primeiro
dia que me separei estiveram comigo e hoje, meses depois, estamos ai, juntos,
todos os dias cuidando um dos outros. 






Vi que minha filha tem pai sim. Que eu sei me cuidar sozinha apesar de tudo. E
que não, definitivamente não preciso de um homem. E quando precisar, eu to
super de boa de pedir ajuda para terceiros.




E desde que me separei levo como mantra o que uma pessoa falou quando ficou
sabendo: ser mãe solteira não é tudo o que falam.



Realmente não é, não é tão glamouroso, mas também não é tão triste e solitário.
Talvez seja uma eterna busca do equilíbrio."






*** Isabela Kanupp, já plantou uma árvore, já teve uma filha e agora está escrevendo um livro. No blog Para Beatriz, além de deixar seu legado materno, debate temas para qual, muitas mães torcem o nariz.









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