Um dia vc vai achar que sabe tudo sobre a vida e sobre vc mesma. Até que vem a maternidade e muda tudo completamente. Aguça a intuição, te apresenta novos desafios, novos limites e uma infinidade de possibilidades.
"As mulheres desenharão portas onde não houver nenhuma. E elas as abrirão e passarão por essas portas para novos caminhos e novas vidas. Como a natureza selvagem persiste e triunfa, as mulheres persistem e triunfam. Aguarde. Confie. Faça sua parte. Você descobrirá seu próprio caminho." Clarissa Pinkola Estés.
Não há como negar: a maternidade é o melhor e mais eficiente convite à transformação.
Não sei como as outras pessoas costumam fazer suas escolhas para uma vida, mas posso garantir que as coisas que mais amo me escolheram. Foi assim com a minha cara metade, com meus filhos e com a costura! Estava à toa na vida e...fui arrebatada.
Sou jornalista, trabalhava com isto havia uns sete anos. Trabalhei em redação de jornal, assessoria de imprensa. Pensava que, depois da chegada do segundo filho, iria trabalhar como freelancer e terminaria meus estudos na área para definir melhor o campo de atuação.
Eu gostava do trabalho: admiro quem faz jornalismo com ética e seriedade. Acho interessante aquela rotina maluca de não saber o que vem pela frente. Aquele sonho de entrevistar pessoas admiráveis, contar histórias marcantes, com um bloquinho na mão e mil sonhos de grandes coberturas na cabeça.
Mas o mercado de trabalho tem outra realidade, principalmente em Santa Catarina. Logo de cara, sofri certa desilusão amorosa com a profissão. Precisava amá-la mais do que amava e, grávida do segundo filho, comecei a desistir.
A jornalista resolve dar um tempo, e entra em cena a mãe, aquela que resolveu fazer o caminho inverso das amigas: não saía mais para o trabalho, mas ficava em casa, cuidando do ninho e das crias. Seria temporário até o desmame do bebê - dois anos, mais ou menos. A filha mais velha aprendendo a ler, descobrindo um mundo novo; o bebê ainda precisando muito de mim.
Assim, à toa na vida, uma amiga me chamou pra fazer aulas de costura. Achei graça: logo eu, uma desajeitada - não ia dar muito certo. Resolvi testar e, na primeira peça costurada, toda torta ainda, meu coração bateu forte. Estava apaixonada. Outra vez.
O possível hobby tem sido meu trabalho atualmente. E nele exercito a liberdade. Trabalho nos horários em que meu marido fica com as crianças, ou depois que elas dormem. Escolho com quem quero trabalhar, o que quero fazer (isso é bom demais da conta). Não sei até quando, não sei qual será o retorno financeiro da empreitada. Estamos encaminhando o caçula para a escola e, em breve, poderei me dedicar mais à minha nova profissão: costureira! Ela tem me ensinado a criar, colorir o mundo do meu jeito. Nela exercito a paciência, persevero e vou atrás.
O velho bloquinho de jornalista continua ali, cheio de ideias, desenhos, cores e páginas a preencher."
*** Cibele Garrido Godoy, ex-jornalista que é tão crafter que produziu as duas coisas mais fofinhas hand made do mundo: Bruna e Lucas.

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