terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Crianças do mundo - exercitando o olhar em um mundo de cores




Relutei como é do meu feitio a criar uma conta no pinterest, mas a ideia de colecionar imagens, selecionar ideias agrupando-as conforme o meu interesse e principalmente, a desobrigação de interagir, acabou me seduzindo.





Criei boards e fui selecionando os meus pins como uma alucinada, até descobrir que poderia ir além dos tutoriais de make, das ideias de festas, organização do lar e decoração. Descobri imagens sobre outros povos, outras histórias.





Foi quando criei o board Mundo de Cores e pude exercitar o amplo olhar sobre as coisas da vida.





Diante de tanto colorido, de tanta gente diferente, é interessante perceber as semelhanças. Criança é criança em qualquer lugar e sabe manter seu encantamento diante da vida.


 


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Enquanto as nossas crianças se enfeitam com maquiagens, esmaltes e roupas caras que rendem até editorial de luxo, as crianças do mundo são coloridas por força de uma cultura.







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Pelo mundo também tentam roubar-lhes a infância. Guerra, fome, trabalho pesado socialmente imposto...



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Tentam lhes roubar a vivacidade, a ingenuidade, a pureza, mas elas tem a incrível capacidade de sorrir - independente de qualquer coisa. 



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Gostam mesmo é de colo, de estar aconchegadas, de estar conectadas...porque já nascem predispostos à felicidade. 





Em que momento isso se perde pelo caminho? 


Aí já é outra história...





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segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Felicidade, substantivo concreto




Domingo não havia acabado, todos dormiam, menos eu que estava anestesiada com a quantidade de bons momentos que vivi em dois dias. Material para ser arquivado em pastas de computador e no coração.





O final de semana começou de forma bem despretensiosa. Não tinha nenhum plano senão estudar e estudar. Mas num olhar atento, percebi como os filhos estavam com o olhar embaçado. Era tédio. Escolhi não estar de férias, mas eles não. Então, anunciei: vamos passear agora. Rostos iluminaram-se.





No sábado começamos com Sambaqui e terminamos o dia em Santo Antonio de Lisboa, com direito a apresentação folclórica e um por do sol divino. Risadas, pé na areia, conchas ao mar. Voltamos pra casa revigorados!







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Nada porém, se comparou ao ver o Otto vestido com a blusa que fora da irmã, no lugar onde nasceu, onde fomos tão felizes! A blusa que alguns poderiam até chamar de fuleira, foi comprada em lojinha de artesanato para turistas, no dia em que chegamos a ilha. Bia amava essa blusa e ela tinha seis meses a mais do que o Otto tem hoje.






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Quantas memórias em só lugar! Foi lá onde cheguei carregando um bebê na barriga e uma menininha pela mão; lá começou o meu deslumbre com essa cidade que tanto amo; lá senti que a minha vida estava finalmente começando. 





Olhando para aquelas ruas, voltei ao tempo e num átimo de segundo - como se o passado se materializasse na minha frente - me vi de barriguinha proeminente segurando a mão de uma menininha que andava dando pulinhos. Voltei a casa onde meu filho nasceu e pude me ver ali, no pátio, andando em círculos durante o trabalho de parto do Otto. 






Armação do Pântano do Sul - meu lugar no mundo

                             


Dando continuidade ao passeio, percorremos o mesmo caminho que levava à praia. Otto vestido como a Bia, brincando como ela costumava brincar. A mesma praia onde o  Otto tomou seu primeiro banho de mar, lugar que pôde explorar com todos os seus sentidos. Ali era meu quintal, o playground dos filhos.






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Com direito a arco-íris. Fico devendo os unicórnios

                                    

Felicidade - substantivo concreto.




segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Os monólogos da menstruação



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Houve um momento na minha meninice em que esperava ansiosamente pela menarca. Das amigas da escola, fui retardatária. Aconteceu aos 11 anos, no dia 11 de novembro. Lembro como se fosse hoje. Julgava que estava preparada para ocasião.



Afinal, já sabia para que servia um absorvente, como e onde (importante isso) usá-lo. Sabia também que a cada mês sangraria por uns cinco dias e não morreria. Sabia ainda, que nunca deveria alardear quando estivesse "naqueles dias", que esse assunto deveria ser tratado entre sussurros. Para isso colecionam-se vários eufemismos. Ah! também aprendi que nunca, em hipótese alguma, deveríamos tratar disso com nenhum homem. Não pegava bem - diziam.



Estava pronta. Sabia o que fazer no momento em que fosse surpreendida pelo sangue mensal: deveria fingir incômodo social, nunca encarar esse assunto com naturalidade, como um evento fisiológico e ter sempre um sobressalente na mochila, em caso de vazamentos.



Quando menstruei a minha mãe não estava em casa. Fui até o armário, peguei a embalagem de absorvente e  apesar de me julgar preparada, o posicionei de forma errada na calcinha. Gritei o nome da empregada, contei o que havia acontecido. Pacientemente ela me ensinou a cuidar da higiene, ensinou como eu deveria descartar aquele absorvente de modo a manter total discrição sobre o Chico. (péssimo, eu sei. Mas estamos em 1991.)



Surgiram outras dúvidas: gostaria de saber qual o impacto que este incômodo teria sobre a minha vida. Antes de sair do banheiro, ela me disse em tom profético: "pronto, minha filha. Agora você vai começar a sentir o peso do mundo." Sentindo que cumprira sua missão, me deixou sozinha.



Neste natal, tivemos um amigo secreto bacanudo aqui em casa e ganhei de presente um livrinho que desejava há tempos, mas que acabou perdido na lista gigante de interesses. Chama Meu livrinho vermelho que compila histórias sobre a primeira menstruação e reflexões pessoais de mulheres ao redor do mundo e através dos tempos.



A autora pergunta ainda no prefácio: " por que tão pouca comemoração do acontecimento? O que a experiência da primeira menstruação de uma mulher revela a respeito de seu caráter?



E segue com boas informações (grifo meu):





Com muita frequência a menarca identifica uma ocasião sombria. Em sua história "Perda e Ganho de responsabilidade", Zannete Lewis escreve que a menarca historicamente assinalava a idade em que uma escrava podia ser vendida como mulher. Em " Os arreios", Deo Robbins descreve como se sentiu humilhada quando usou pela primeira vez a toalhinha higiênica de sua mãe. Várias histórias recontam a dor de ser esbofeteada no momento de dar a notícia.





Infelizmente o tabu da menstruação está embutido em nossas religiões, nossas culturas e nossa história. O Alcorão (2:222) declara que mulheres menstruadas "são impuras" e ordena que os homens "fiquem longe das mulheres durante a menstruação e não se aproximem delas até que estejam limpas." As mulheres judias são proibidas de fazer sexo. As donas de casa francesas não podem fazer maionese e, como Shobha Sharma descreve em sua história "Trancada em um quarto com dosai", as mulheres indianas são exiladas de suas próprias casas. (...)





Os problemas vão muito além de receber ordem para ficar de fora da aula de ginástica. No Paquistão, 87% das meninas não ouviram falar de menstruação antes de seu primeiro ciclo. Na África, a falta de suprimentos de higiene costuma forçar as meninas a ficar em casa e não ir à escola durante seus períodos menstruais, privando-as assim de quase um quarto de sua educação legítima. E então existem as várias tribos africanas que marcam a primeira menstruação de uma menina como a data para a mutilação genital.





Há uma cultura que comemora a ocasião: os Navajo. Kinaalda, a comemoração da primeira menstruação de uma mulher, é uma das cerimônias mais importantes. O ritual de quatro dias de duração é cheio de cantos e danças alegres.





Se os homens ficassem menstruados, podem apostar que iriam comemorar. Esse é o foco do ensaio clássico de Gloria Steinem " Se os homens menstruassem", no qual ela imagina como os homens iriam glorificar seus ciclos menstruais.





Menstruação é mesmo uma coisa poderosa! E como diz a Erica Jong "a fonte da minha inspiração se encontra no fato de eu nunca esquecer o quanto tenho em comum com outras mulheres, de quantas maneiras estamos similarmente ligadas."



Qual a lembrança que vc carrega da sua primeira menstruação? Foi comemorada de alguma maneira? Ou foi educada a sentir-se inadequada?



Não é perigoso fazê-las acreditar desde cedo nessa imagem negativa a respeito de seus corpos, por puro reflexo da cultura em que vivemos?



Tem filha? Como lidou ou como pretende lidar com esse evento tão importante na vida de uma mulher?



Seria tão bom se passássemos a educar uma nova geração de meninas-mulheres! Acreditando e aceitando seu corpo por inteiro, que pode amamentar, fazer amor, dançar, dar à luz e sangrar sem morrer.








domingo, 6 de janeiro de 2013

Blog Retrô - revendo posts de 2012


A convite de Fernanda Reali, participo da blogagem coletiva Blog Retrô proposto inicialmente por Elaine Gasparetto. Tem por objetivo passearmos por todas as nossas postagens do ano que passou e escolher: a postagem mais querida, a mais popular, a menos popular e a postagem mais pessoal.





Apesar de ter feito uma retrospectiva, não tinha ido a fundo, pesquisar mês a mês tudo o que havia produzido durante o ano, inclusive, com checagem de estatísticas. Foi muito gostoso relembrar tudo, mesmo não sendo um ano produtivo bloguisticamente falando. Então vamos lá.








Postagem mais querida - Qual filho você ama mais?





Foi lindo reviver a passagem de tempo na família. A preparação, a chegada do segundo filho e a ressignificação do amor - agora, plural.





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"Essas observações vinham sendo feitas até a chegada de um serzinho muito menor. Ainda tímido nos seus gestos e no seu choro. De repente, aquela mãozinha fofa se pareceu gigantesca. Assim como todo o seu corpinho. Mudou-se a perspectiva. Tudo parecia grande demais, ameaçador demais. Era preciso cuidado. O bebê era muito mais frágil - eu falava."














Adoro falar de temas que são considerados controversos. Até mesmo proibidos. Ainda mais quando é comum a todos. Essa é a postagem mais popular do blog. Por que será?





sexo numa relação com filhos, crise conjugal, casamento, sexo, cobrança, fidelidade, compromisso, cumplicidade





"Não acredito na racionalização do sexo. Pra mim tem que ser puro instinto.


Esse espanto dos amigos me assusta: "Então, como vcs fazem?" - é a pergunta que ouço e devolvo, porque me causa também uma enorme curiosidade. O que está por trás dessas peguntas de alcova, para minha surpresa, é uma cobrança nada velada de que nós mulheres temos que nos mexer (e até rebolar) para segurar o casamento, para não deixar o tesão morrer, para que - vamos falar a verdade - não ganhemos um par de chifres.


(...)


Um fator que também deve ser considerado é o respeito. Respeito pelo outro, pela nova condição, pela passagem do tempo. Sei que ao me deitar (ou não), ele me olha e consegue me enxergar como uma mulher. Olhos de homem e não de censor, pra mensurar a rigidez do meu corpo. O único que precisa ter coisa rígida é ele, oras."









Nem é que tenha sido a menos popular, mas considerando o meu nicho (nem gosto do termo, mas...) julguei que esse texto alcançaria mais pessoas pelo bom conteúdo que ele tem. Quis compartilhá-lo justamente por achar que seria de utilidade pública. Acredito que não foi tão compartilhado justamente porque os leitores estão cansados de regras.





"Assuma o papel de pai/mãe. Tenha plena consciência de que você é que está no comando. Interprete as atitudes de criança como atitudes de criança. Se colocando dessa forma, a criança se sente segura, não precisará testar nada e vai aprender o que interessa: ter autocontrole. Deste modo, não é a criança que te desafia, são os pais que se colocam na posição de testados."








Postagem mais pessoal - Uma História de Agressão





O meu blog é autoral, portanto tudo que escrevo nele é tem muito de mim, da minha rotina e dos meus filhos. Mas esse post tem algo mais, traz uma história do passado que passei anos lutando para esquecer, até perceber que estava fazendo errado. É preciso aceitar a nossa história, para que nos aceitemos por completo.





"A ação violenta trata o ser dominado como objeto. Como sujeito, é silenciado e torna-se dependente e passivo. Perde sua autonomia, sua liberdade e sua capacidade de autodeterminação para pensar, querer, sentir e agir.



Quão fundo é o poço?"






Já dizia D. Canô: Ser feliz é para quem tem coragem.







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Escrever é eternizar momentos, sentimentos e sensações. Se não escrevermos o que nos marcou, a impressão que tivemos acerca daquilo que nos foi tão importante,  os acontecimentos tornam-se menores, envolto numa sépia que suaviza as memórias por pouco perdidas.





E relembrar foi tão bom quanto.








quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Elogiar é perceber o outro


Deixar algo de bom para trás, imprimir algo de bom em alguém a ponto de modificá-la é uma das nossas missões - assim, acredito.





Tive uma amiga nos tempos de colégio que era uma graça. Ela era praticamente uma Pollyana. Se dava bem com todo mundo, apesar de não ser a garota mais popular da escola. Estava sempre sorrindo e sempre tinha algo de bom e sensato para dizer a quem quer que fosse. Com ela dividi a responsabilidade de comandar o departamento jornalístico do Grêmio estudantil.





Nessa época eu tinha uma mania feia, muito feia. Ao contrário dela, só conseguia enxergar defeitos em quer que fosse. Sabe quando vc olha ao redor e só abre a boca para externar o desagrado? Era assim: "aff! tá vendo o jeito que aquela menina se comporta?" "não sei como fulana, conseguiu sair de casa com esse cabelo!" "como toca música ruim nesse recreio? alguém já foi reclamar com o pessoal do grêmio?"  "que criatura magra!" "que criatura gorda" ad infinitum.





Percebendo isso, sentou-se distraidamente ao meu lado na hora do recreio. Olhando nos meus olhos, com toda a sinceridade que possuía, disse que aquilo - a longo prazo - não me faria bem. Sugeriu então, que ao invés de reparar nos defeitos das pessoas, eu reparasse nas qualidades que elas tinham. Falou do poder positivo de um elogio sincero e de como aquilo fazia bem, também a quem o dizia. Experimenta - ela disse. Nesse momento, ela cumpriu sua missão.





Confesso que fiquei com uma vergonha absurda pelo meu comportamento. Tive o feedback de como estava  me tornando uma pessoa desagradável, mas ela disse tudo com tanta propriedade, que essa verdade não doeu. Apesar da vergonha, agradeci e terminamos essa conversa com um forte abraço. Tínhamos 16 anos.





Fiz a tarefa de casa e fui mudando lentamente, tentando perceber o outro e extrair de tudo o lado bom. E quando não via nada de bom, calava.





Antepenúltimo dia do ano, foi ao ar no Fantástico uma matéria que perguntava Há quanto tempo vc não faz um elogio? e convidava pessoas a elogiar outras do seu convívio e receber destas um elogio de volta. Parei de fazer o que estava fazendo e fiquei intrigada ao assistir a reportagem.





Todas as pessoas alegaram a correria do dia a dia como desculpa para não externar o que sentem. Credito isso também a educação que recebíamos, que fazia crer que expressar sentimentos nos enfraqueceria, nos tornaria menor aos olhos do outro. 





Imagina o desgaste numa relação onde não se recebe um elogio sincero, onde não se escuta o quão importante somos. Mãe e filha estavam entre as pessoas convidadas a participar dessa brincadeira. Na sua vez de falar, a filha a olhava com um olhar curioso. O que ouviria dela que afirmou só dar broncas? 





A mãe disse que no fundo no fundo, sentia orgulho pela filha ter passado de ano com boas notas, mas não externava, não a congratulou a tempo, simplesmente por achar que aquela seria uma obrigação a ser cumprida. Será que ela sentiria sua autoridade de mãe diminuída se reconhecesse o esforço da filha? Lembrei das vezes em que chegava em casa com uma prova na mão, ostentando uma nota máxima e ouvia dos pais um seco: "não fez mais do que sua obrigação." Poxa! :(





Dar um elogio sincero faz uma enorme diferença em quem o recebe. Elogiar é, além de perceber o outro, valorizá-lo. Nenhum resultado positivo é isento de esforço. Quantas vezes deixamos de investir em habilidades por pura falta de crédito, por pura falta de incentivo? Elogie. Incentive.





Obrigada Halana, por ter-me ensinado isso há quase 17 anos!





E então, há quanto tempo não faz um elogio?