terça-feira, 26 de novembro de 2013

Não, eu não amo meus filhos da mesma maneira








dilema materno, mãe de dois, amor de mãe







Quando temos um filho somos apresentadas a um amor tão grande, somos expostas a sentimentos tão intensos que nos permitem descobrir tanto a nosso respeito...é tudo tão grandioso, tão superlativo que somos levadas a crer que não seremos capazes de amar outro alguém com a mesma intensidade.



É um medo muito comum entre nós, até surgir um segundo filho e mudar todas as nossas certezas. 





Somos novamente içados à grandiosidade daquele sentimento tão forte e tão primal. A segunda gestação é sempre tão diferente da primeira e nos brinda com novas possibilidades de aprendizado. Os filhos não poderiam ser iguais e amá-los já não constitui um desafio, pois descobrimos que a capacidade de amar é bem maior do que supomos.



A dúvida inicial é transferida como que por mágica para a sociedade que, por sua vez, a devolvem para nós: de qual filho gostam mais? A pergunta não tem outro propósito senão a de ser cruel. Querem exercer sobre nós uma espécie de vigilância, de controle através da culpa sobre nossa maternagem. Como se existisse uma escala para o amor.





Vou contextualiza-los à minha realidade: tenho uma filha de dez e um filho de cinco anos. Esse lapso temporal que os separa me deixou segura para fazer uma confissão: a de que não os amo da mesma maneira. 



Reza a lenda que para sermos bons pais devemos amar todos os filhos de maneira igual, mas penso ser esta uma ideia equivocada de equidade.



Ora, se eu dissesse que os amo do mesmo jeito, os estaria nivelando, portanto, não estaria reconhecendo as diferenças entre eles, estaria negando suas singularidades, suas particularidades. Seguindo a lógica, se tenho filhos diferentes, sou uma mãe diferente para cada um deles.



A mais velha sempre foi muito suave. Chegou serena para apontar  a mim, uma iniciante, todos os caminhos a que levam a maternidade. É daquelas meninas encantadoramente questionadora. Tem a mente aberta e sonha com as artes plásticas. Com ela aprendi a me despir de todas as expectativas e de que não devo usar minha condição de mãe para exercer uma relação de poder. O mais novo chegou e mudou toda a dinâmica da casa. É daqueles meninos de pé no chão e coração aberto, é a oportunidade que a vida deu de não levarmos a vida tão a sério.





Eles ensinaram que para amar é preciso liberdade para sentir, para deixar ser. Que este é um sentimento em constante construção e requer de nós empatia. Amar exige intimidade e atenção às necessidades específicas de cada um dos filhos. Não há como amar de forma padronizada. Amar significa acolher o outro na sua essência, considerando as qualidades e abraçando os defeitos; é orientar, dar suporte.



Este definitivamente, não é um sentimento mensurável.






Por isso, quando os vejo, eu os enxergo. E os amo muito.

Não da mesma maneira.







*** texto originalmente publicado no Confessionário.