segunda-feira, 30 de julho de 2012

Via de mão dupla





Sempre achei curioso quem tem o costume de guardar objetos por toda uma vida. O primeiro vestidinho, a roupa do batizado, as roupas das apresentações da escola, do ballet, enfim...nunca tive apego por objetos. A importância dessas pequenas coisas, eu guardava aqui dentro e não no fundo de um armário. Assim evitava que amarelassem.





Pra não dizer que nunca guardei nada, tinha o costume de guardar dentro de uma caixa todos os cartões, todas as cartinhas que ganhava das amigas e dos familiares. Era minha caixinha de tesouros. Tenho tudo guardado até hoje e sempre que bate a saudade, eu revivo um tempo que foi muito especial pra mim.





Quando a Bia aprendeu a escrever, pensei em montar uma caixinha pra nós duas. Pra que ali guardássemos todos os nossos pequenos segredos, todos os pequenos problemas e todas as declarações de amor que pudéssemos fazer uma para outra. Usando dos mesmos artifícios da época de escola: letras de música e poesias pra documentar esse amor, essa relação.










vínculo mãe e filha, caixinha de lembranças, cartas, maternidade real, puberdade, criação com afeto, projeto
via








O tempo passou e nunca concretizei esse projeto. Nem lembro se externei pra alguém minha pretensão. (faço muito isso, pra evitar cobranças) A parte boa é que essa troca já está acontecendo e por iniciativa dela. 





Era uma satisfação para a recém-alfabetizada espalhar recadinhos pra nós, por todos os lugares. Os mais inusitados, inclusive. Certa vez, havia um recadinho surpresa, no rolo de papel higiênico!!! Nós os recebíamos e só. Não havia resposta escrita. Por que não, oras...?



Tudo mudou quando a pedido, lhe criei uma conta de e-mail. Desde então, estamos constantemente nos correspondendo. Mesmo que eu esteja numa ponta do sofá e ela na outra. 





Hoje recebi um e-mail triste, por conta de uma pequena discussão que tivemos na hora do almoço. Nele, exercitando sua assertividade, me mostrou o seu ponto de vista de que não estava sendo justa, apenas exercendo a minha autoridade de mãe, sem contemplar o seu lado na história.



Engraçado...pois só percebi o erro horas depois, justamente ao ler suas palavras tão cheias de maturidade pra pouca idade. Fiquei envergonhada! - confesso.





A abracei num pedido sincero de desculpas e, mesmo assim, escrevi outra cartinha. Essa troca nos permite falar sobre tudo, sem incorrermos no erro do deixa-pra-lá, de deixar coisas subentendidas. Falamos melhor dos nossos sentimentos escrevendo, é ou não é? A palavra falada ou escrita ainda é a melhor solução para os conflitos. É o poder do diálogo.




Era esse o objetivo da caixinha-não-concretizada: estreitar nosso vínculo, fortalecendo-o - estabelecer uma comunicação que deve permanecer por toda a nossa vida.



Porque a maternidade, é via de mão dupla.





Fiquei me perguntando se não seria melhor ter as cartas guardadas numa caixa...



Pensando  bem, melhor do que guardar papel, é guardar aqui dentro, onde tudo se mantém vivo, sem amarelar.







sexta-feira, 27 de julho de 2012

Valente - vale a pena!




educação feminista, contos de fada, sexismo, Valente, indicação de filme, gênero, príncipe fajuto, coragem, relação conflituosa mãe e filha






A expectativa para esse filme aqui em casa estava beirando à histeria desde que assistimos o trailer no cinema. Otto era um dos mais entusiasmados, talvez por causa do arco e flecha. Já o que aguçou a minha curiosidade foi justamente não ter visto nenhum príncipe dando sopa.





{sinopse aqui}





Sempre adorei os filmes da Disney, mas nunca vi com bons olhos as histórias sobre princesas e seus amores que tinham por fim o óbvio viveram felizes para sempre. Sempre acompanhadas para serem felizes. Sempre tão machistas. Elas não me representavam, não representavam as mulheres da minha geração que corriam todas para serem donas de seus narizes.





"Meus irmãos podem tudo enquanto eu, não posso nada." - assim tem início a história de Merida, uma menina {linda} de cabelos tão rebeldes quanto ela mesma, de cor intensa, tal como ela quer viver sua vida. Não se veste como princesa, não come como uma princesa, não se porta com a delicadeza exigida por seu título de nobreza. Seu único anseio é pela liberdade de ser quem é e de decidir por si.





Sim, chamou a minha atenção a exuberância da personagem, embora em nenhum momento suas características físicas sejam ressaltadas. Tenho certeza de que meninas de cabelos crespos se sentirão representadas e espero, não tentem mais se amoldar a conceitos homogêneos de beleza.





Talvez esse seja o primeiro filme sobre princesas da Disney-Pixar que não tenha uma subtrama romântica. O enredo gira em torno dos conflitos entre Merida e sua mãe, que reprime, que controla - mesmo sem ter a real consciência da forma como faz, que tenta lhe impor os costumes, as tradições de seu povo e que a educa para ser uma boa esposa, uma rainha à altura de seu reino. O curioso é que ela não encontra resistência no pai, uma figura bastante afetuosa.








educação feminista, personagem disney, princesa valente








No torneio proposto por sua mãe, para que os candidatos disputem a sua mão, Merida usa de coragem para voltar-se contra ela se lançando como candidata a sua própria mão. Como atos corajosos requerem ímpeto, Merida terá que arcar com seus rompantes.





Uns dizem que esse é um personagem feminista. Outros discordam. Talvez estes estejam esperando uma feminista estereotipada, mas ao meu ver, ela é sim feminista porque se insurge contra a ordem, porque questiona posições, porque requer o controle sobre sua própria vida, enfim porque se rebela contra qualquer tipo de tutela. 





Merida e sua mãe, Ellinor rompem. Se buscam. Lutam uma pela outra. Se conhecem. Se perdoam. E percebem que o diálogo as aproxima. Esse é o cerne do filme.





A natureza beligerante da princesa encontra o equilíbrio no diálogo, no afeto e no respeito, que tanto busca para si.





Valente é aquela que tem coragem de mudar, que luta por seus ideais e por seu destino, que descobre que não precisa romper para ser livre e que o afeto tem papel preponderante em nossas vidas. 





Reconheço que esse é um referencial mais saudável para nossas meninas. Que possam se inspirar nela.










valente, merida, princesa guerreira, sexismo, gênero, personagem feminista, indicação de filme
Se vc pudesse mudar seu destino, vc mudaria?








É um filme lindo, envolvente. Otto não desgrudou da cadeira um minuto, não conversou, mal comeu tamanha sua atenção. Não queria perder um detalhe. Bia, por sua vez, ficou feliz por perceber, pela primeira vez que nem sempre um final feliz precisa de um par.





Valeu a pena.










quarta-feira, 18 de julho de 2012

Os sem-noção e a quase-solução





Ele tá fofo. Cada dia mais meigo, mais comportado, mais obediente. Chegamos numa fase que jurava que não chegaria nunca, de compreensão, de aprendizado e afeto. Dorme tranquilamente a noite inteira, já não dá mais trabalho na hora do banho, guarda sempre todos os brinquedos depois que acaba a brincadeira. Podemos sair tranquilamente, sem medo ou reservas, já que as birras fazem parte de um passado distante. Nunca esteve tão bem, afinal, agora é menino de 4 anos!





Mentira.





A verdade é que (pelo amor de Deus- minha Nossa-Senhora-do-Perpétuo-Socorro) essa criança nunca esteve tão birrenta, tão mau-humorada e tão insone em toda a sua vidinha. Sinceramente? Achei que isso não fosse mais possível, afinal, ele está crescendo, e o avançar da idade deveria corresponder proporcional mente ao desenvolvimento emocional.



Recebi inclusive, um desses informativos sobre desenvolvimento infantil - nem lembrava que ainda estava cadastrada nessas coisas - dizendo o seguinte: "Ao ouvir um simples ´não´ da mãe (que para eles não é tão simples assim), começa a choradeira, seguida de gritos, esperneadas e muitas lágrimas. Trata-se de um comportamento comum e, ao mesmo tempo, normal entre crianças para conquistar seus objetivos. Nessa fase as crianças querem muitas coisas, inclusive se auto-afirmarem para se diferenciarem dos pais..."




 Só tenho uma pergunta depois dessa: ATÉ QUANDO, meldels?






A fase dos pesadelos parece não ter fim, apesar de todos nossos esforços. Há alguns meses, levantamos a cada três ou a cada duas horas durante a noite inteira, sendo que pela primeira vez na vida, passou a acordar cedo, muito cedo. Acreditamos que a retirada da fralda noturna tenha relação com tudo isso.



Porque veja bem, esfriou pra caramba e a vontade de fazer xixi durante a noite idem. Ele acorda quase sempre pra fazer, mas algumas vezes, acorda por estar ensopado. E lá vamos nós, trocar toda a roupa de cama e dele na gélida madrugada.





Há dois dias fui surpreendida. Marido chegou cheio de atitude e me jogou um pacote de fraldas no meio dos peito. PÁ! Perguntei se o frio o estava perturbando tanto a ponto de fazê-lo usar uma...








desfralde, desenvolvimento infantil, fase dos pesadelos, fralda noturna







É para o Otto - disse.

Chega! - continuou dizendo.

Não aguento mais acordar 282653453 vezes durante a noite - é que, amiguinhas, o Otto é garoto esperto e agora só quer o pai. Preces atendidas, amém.



A solução do gênio é fazer o menino voltar a usar fraldas.





Olha, sinceramente, achei um absurdo, tentei argumentar, mas fiquei tão sem reação diante do inesperado que vou confessar: fiquei muito mais tentada a voltar a dormir e guardei as teorias absolutistas revolucionárias no bolso. Só deixei por conta dele esse retrocesso, se desse errado, ele assumiria a culpa sozinho e iria me aguentar falando e falando por toda a eternidade. Trato aceito.





JEMT! Vcs tem noção do resultado disso?





Otto só está acordando uma única vez à noite (em meses!!!!) pra fazer xixi e voltou a acordar às 9 da matina. Com fralda e cama secas. Será que é a danada que dá segurança a ele e o faz dormir relaxado? Sim, porque sem ela, o pequeno parecia estar em constante estado de atenção.



Daí marido me olha desafiador e cheio de razão e diz: num disse?





Minha cara foi na chón, mas....sem olheiras, é pertinente dizer.



Quem ousa explicar esse fenômeno?








quarta-feira, 11 de julho de 2012

Uma prática antiga com ares de novidade




Lembro da primeira vez que usei o meu em público.





Estava radiante e o filhote acomodado sorria sem parar movendo suas mãozinhas inquietas. O trajeto nem era tão curto, nem tão longo. Atraímos olhares. Continuei com a segurança inabalável. Até que chegamos ao nosso destino: o mercadinho do bairro. Escolhendo umas frutas, havia ali uma senhorinha que me lançou um olhar amargo, seco. Nem liguei. Até que ela chega perto e cutuca as perninhas do meu filho, com seu dedo enrugado dizendo que eu era louca por carregar meu fiho naquela posição, todo dobradinho dentro de um saco.





Fiquei completamente sem reação e Otto parecia não se importar. Continuava feliz e babando o saco que o envolvia.





Fomos ao caixa e enquanto usava minhas mãos pra pegar o dinheiro, uma outra pessoa levou as mãos à cabeça, como se o bebê, o meu bebê estivesse num risco de queda iminente. A tranquilizei e disse que era seguro, só pra ouvir um sorriso sarcástico seguido de uma piadinha: ah, essas meninas cheias de moda são tão irresponsáveis.





Gostaria muito de ter voltado pra casa com a mesma confiança com a qual saí. Mas não. Voltei segurando o choro, sentindo a boca entortando ligeiramente pra baixo. Já o bebê, bem....continuava alheio imerso na sua felicidade ou seja, sua própria baba, como é da natureza de todos os bebês.



Um acessório: sling.

Um verbo: slingar.





Qual a causa de tanto estranhamento? - me pergunto.





Sim, porque tudo causa um certo espanto, um desconforto. Falemos de parto, amamentação ou criação com apego. Se olharmos um pouco para o nosso passado histórico recente, podemos imaginar a origem dessa repulsa, dessa rejeição. Não dá pra exigir muito de uma sociedade que foi acostumada a delegar a criação dos filhos, a mucamas negras. As sinhazinhas nem mesmo amamentavam seus filhos, pois pra isso, existiam as amas de leite, que desempenhavam a função de mãe substituta, para que elas pudessem usar seu tempo livre para vivenciar o cotidiano na corte.



Será que essas práticas também não eram rechaçadas de forma inconsciente justamente por ser um hábito reconhecido como de negros/índios?







sling, mulheres pelo mundo, criação com apego, prática antiga, dr. sears








Só algum tempo depois que as mulheres foram incentivadas a abandonar esses hábitos e encorajadas por médicos higienistas a amamentar os próprios filhos. O estímulo era feito à custa de medo e culpa.  Isso ainda nos parece tão atual!














"A prática de carregar o bebê junto ao corpo tem raízes bem antigas. Em diversas culturas da África, da Ásia e da América, é comum transportar os bebês junto ao corpo, usando para isso vários tipos de "faixas." Instintivamente, essas mães procuram fortalecer a conexão com seus bebês, criando uma espécie de "barriga de transição", exatamente como a que os cangurus e outros marsupiais possuem." (via)














O sling tal como conhecemos hoje, foi criado por um pai (!) no Havaí, em 1981.



Pra vc continua sendo moda ou apenas um resgate de uma antiga prática?





{imagens: pinterest}










terça-feira, 10 de julho de 2012

Laura Gutman no Brasil - Eu vou!




Pela primeira vez no Brasil, Laura Gutman estará em Florianópolis dia 01/09 e em São Paulo dia 02/09 para o seminário "O poder do discurso materno".





É autora de livros como "A Maternidade e o Encontro com a Própria Sombra", "Crianza, violencias invisibles y adicciones" e "La revolución de las madres", que exploram o universo da maternidade, os vínculos familiares e as dinâmicas violentas aos quais os seres humanos estão submetidos.





Desde 1996, formou mais de 300 educadores, médicos e profissionais em geral, objetivando construir uma nova visão acerca do problema da violência social e oferecer ferramentas concretas para assumir, com maior consciência, o trabalho que compete a cada um de nós na criação de um mundo menos violento e mais humano.





O seminário terá duração de 4 horas e é dirigido a mães, pais, professores, educadores, psicólogos, psicopedagogos, assistentes sociais, profissionais da saúde, profissionais das ciências humanas e todos aqueles que desejam contribuir para um mundo mais amável.




Mais informações: www.lauragutmannobrasil.blogspot.com








encontro, laura gutman no brasil, empoderamento, maternidade






domingo, 8 de julho de 2012

O dia mais feliz - o dia em que ele completa 4 anos




Hoje é o dia mais feliz de todos.


Calma, dizer isso não seria injustiça com todos os outros dias mais felizes de todos?


Não estaria eu traindo todos aqueles que amo mais que tudo na vida?





É difícil definir os extremos indicados pelo superlativo.





Sim, é hoje que celebro a espera que desembocou num nascimento lindo, de uma criatura linda que deixou a vida da gente mais alegre, mais colorida. Hoje celebro aquelas noites agitadas de amor e cansaço, que celebro aqueles momentos de chamego na minha cama logo cedo. Que celebro as minhocas e os rabanetes que ganho frequentemente e lembro das flores que deixei de ganhar, justamente por serem muito óbvias. 





Que celebro a perda do meu medo em lidar com pequenos insetos fujões que teimam em fugir de suas cerquinhas....dia de celebrar sorrisos diários, sua espontaneidade, todos os desafios e de agradecer por sua saúde - sim, aqui num sentido mais amplo e genérico, pois tá ali dormindo, caidinho com uma crise de asma...coisa que a gente vai celebrar mais tarde, quando essa danada enfim, desaparecer.





Hoje já não mais seguro a sua mãozinha conduzindo passinhos incertos, já não tenho mais que me jogar ao chão, pra amparar a sua cabeça frágil numa queda. Ele cresceu. De bebê a menino, num piscar de olhos.





Hoje, exercito e sou confrontada com a minha compreensão acerca das coisas, das abstrações, a cada vez que me é perguntado o significado de algo, onde me deparo constantemente com minha limitação e é quando vou me desamarrando e me deixando levar por sua desenvoltura.





Ele tem se mostrado diferente, tem pisado firme e tem sido o protagonista em cenas de birras diárias. Isso prova que ele não é perfeito, está apenas se achando no mundo - enquanto eu, continuo me perguntando quantas fases iguais a essa ainda estão por vir...





Sei, isso é repetitivo.


Afinal, são quatro - 4 - qua-tro anos dizendo a mesma coisa. Celebrando essa chegada, esse amor. Não sei vcs, mas espero nunca cansar de comemorar esse dia.





Estou consumida pelos sentimentos superlativos, relevem.








Hoje o dia até amanheceu mais lindo.


Frio.


Com sol.


Um céu de brigadeiro.


Talvez pra que eu possa cantar you are the sunshine of my life...








maternidade real, aniversário de filho, quatro anos, saudade











Feliz dia, meu filho. Que sua felicidade te conduza sempre pelos bons caminhos da vida.


Com amor, com todo amor,


Mamãe.










segunda-feira, 2 de julho de 2012

Minha primeira tatuagem





Desde a adolescência sentia vontade de ter marcado na minha pele algo que me identificasse, que tivesse um sentido verdadeiro pra mim. Só que mamãe não deixava.






Quando me achei totalmente responsável pelo meu corpo e por minhas decisões, não senti a segurança necessária. Tudo que é definitivo assusta. Procurava desenhos e ideias, achava-os bonitos, mas não sabia dizer o que significavam pra mim. Talvez, porque não significassem nada. Eram apenas bonitos.






Paulinho tem uma tatuagem linda! Sempre conversamos a respeito da minha, ele tinha a maior boa vontade de achar o desenho ideal, mas deixava muito claro que a escolha caberia a mim. Até tinha um que dava como certo tatuar um dia. E quer saber? Se tivesse feito, teria me arrependido amargamente, vejam vcs.






Dez anos se passaram até que eu finalmente decidisse por uma. Procurando imagens pelo google, topei com uma fotografia linda. Passei um tempo admirando, mas não a salvei. Aquela imagem me marcou a ponto de eu passar dias lembrando dela. Decidi procurá-la de novo. Imaginem o sufoco pra achar.






Até que, mais uma vez sem querer, a encontrei. Ufa! Salvei e guardei, pra só então descobrir o motivo que me fez gostar tanto dela assim. Mostrei ao Paulinho e ele externou exatamente o que estava pensando: por que vc não tatua?






Pronto. Era o que estava faltando. Tomada a decisão, precisava seguir três passos:






Onde tatuar





Fiquei na dúvida entre dois lugares: costas e braço. Nas costas eu não veria nunca, só com ajuda de um espelho e eu queria que ficasse visível não só para os outros, mas pra mim.






Com quem





Outro passo tão difícil quanto escolher o desenho ideal, é achar um tatuador. Essa busca requer todo cuidado e atenção.






Até que, mais um ponto para o acaso, vejo um álbum compartilhado por uma amiga no facebook. As fotos eram de crianças lindas num lugar lindo. Olhei foto por foto, até que resolvi ver o perfil do dono do álbum. Ele tinha um único interesse, que era justamente um estúdio de tatuagem. Fui bisbilhotar e bingo! eram a mesma pessoa.






Entrei em contato, mostrei a foto que serviria de inspiração e começamos a conversar. Gostei da conversa. Ele entendeu o conceito e ainda o melhorou. Buscou referências e depois de uma semana, aproximadamente, marcamos um encontro no estúdio para apresentação do trabalho.






Estava tremendo de medo. E se eu não gostasse? Se quisesse desistir? Pois bem.






Sofri à toa. Amei o desenho, o traço dele, a suavidade dos detalhes. Queria uma tatuagem com traços finos, delicada, um desenho que de longe pudesse ser identificado – já que muitas por aí, vistas de longe, parecem borrões.










tatuagem traços finos, inspiração francesa, mudanças








Foram necessárias três sessões. Na primeira sessão advinha quem foi junto pra fotografar, pra dar aquele apoio? A Bia. Como o estúdio dele não se parece em nada com um estúdio convencional, achei que não teria problemas. Aliás, ele também dá aula de desenho para crianças.













primeira tatuagem, mudanças, flores, ponte, guarda-chuva, bicicleta
(foto tirada na última sessão)

                               


Sempre falam da dor….ora, meu parâmetro de dor, são os partos, portanto…mas garanto que não dói, só arde. No primeiro dia a sensação é de queimadura. Depois vem uma leve coceira por conta da cicatrização.






O significado








mulher, bicicleta, ponte, guarda-chuva, feminices, água, primeira tatuagem
(ainda com a casca, o que a deixa com aspecto opaco. a luz forte do sol

também não ajudou)







Esse desenho conseguiu através de seus elementos, reunir tudo o que busco representando um pouco da minha personalidade.



A mulher na bicicleta reflete o equilíbrio que tanto busco, ainda mais segurando um guarda-chuva contra o vento. O guarda-chuva significa a proteção. A ponte foi ideia do Tadeu, que serve como um elo que nos une e nos conduz - feita de pedras, representando solidez. O lago abaixo, me lembrou uma passagem do livro que acabei de ler, que diz: "as mulheres são como a água. Penso que é porque a água é a fonte da vida e se adapta ao ambiente. Assim como as mulheres, a água dá de si mesma em todo lugar aonde vai, para nutrir a vida" - Xinram. Também serviu pra balancear a densidade das pedras com a sua suavidade.






As flores também foram sugestão do Tadeu, coloridas pra trazer leveza e com pétalas voando pra reforçar a ideia de movimento. Segundo ele, complementa a atmosfera parisiense, com jazz e feminilidade.



Gostaram? (gentileza dizer que sim)

Já escolhi a segunda, só não sei em que parte do corpo tatuar.



Isso vicia?