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| We heart it |
Estou prestes a viajar e, já preocupada em como os filhos ficarão na minha ausência, me peguei pensando em como ficava quando era o marido quem viajava e me deixava sozinha com os filhos.
Lembro da primeira viagem dele à trabalho. Ainda estava em Manaus e morávamos numa casa grande e alta. Além do medo por nossa segurança, sentia uma saudade absurda dele, uma preocupação com pousos e decolagens nunca vistas na história desse país.
Era um tal de telefonema choroso pra cá, declarações de amor pra lá cheias de lamúrias melosas, e quando o recebia estava sempre tentando irradiar carência e tragicidade...era de dar nojo! O tempo passou e ao invés de chorosa, passei a ficar puta! Baita injustiça ele passar uma semana no bem-bom, de folga e eu aqui...feito uma mula de carga, com trabalho dobrado. Ficava mal-humorada, reclamando entredentes e estava sempre, aferrando-me à autopiedade.
As coisas mudam. E sempre mudam pra melhor.
Poucos anos depois, minha postura é outra. Lembra de quando vc, adolescente, vivia rezando pra sua mãe sair de casa puxando seus irmãos menores pelo braço, permitindo que ficasse em casa sozinha, gozando de um pouco de liberdade? E aproveitava para fazer tudo que não podia ou não queria fazer na frente dela/deles todos que dividiam o mesmo teto contigo? Tipo ouvir Led Zeppelin nas alturas, ligar pro carinha da vez, fumar um Gudang......pois é....
Agora me sinto assim! Experimentar a sensação deliciosa da solidão ocasional pode ser libertadora. Passei a gostar e a curtir a minha companhia.
Só que agora, aos 31 e mãe de dois filhos, troquei as goladas furtivas de vodka, por latas e mais latas de coca-cola. Bebendo-as torno minhas tardes mais festivas. É o mais transgressor que consigo ser nessas circunstâncias!!! Longe do olhar zeloso do cônjuge, não tenho hora pra dormir e posso, tranquilamente, saborear um chocolatinho na cama, enquanto coloco a leitura em dia.
Cama essa que, durante a noite, após o sono das crianças, se entulha de livros, revistas, notebook e a televisão fica sempre ligada pra fazer companhia. E como é bom me esparramar na transversal madrugada afora...!!!
Porque agora sou uma mulher de atitude, segura e autoconfiante....dessas, daquelas que leem Marie Claire.










