sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Medo de ficar só ou a falta dele

De todos os medos que tive na vida, o de ficar sozinha nunca me assombrou.





Tampouco tive medo do escuro, e estar só, significava estar em silêncio. Soube que entrei na adolescência, quando me neguei a sair com minha mãe e meus irmãos e ela permitiu que eu ficasse. Mal pude acreditar quando a porta se fechou e pude ouvir as batidas aceleradas do meu coração. O silêncio. 





Fiquei encarando a porta por uns cinco minutos, imaginando que a qualquer momento ela a abrisse e gritasse "sauci fufu ié ié" - pegadinha do malandro! Como isso não aconteceu, corri pra aproveitar esse momento pioneiro na minha vidinha juvenil. Antes de me jogar no sofá, coloquei um vinil da coleção do meu pai e fiquei cantarolando, enquanto fazia com os dedos, cachos no cabelo que à época eram bem compridos.





Poderia ter feito mil coisas, mas preferi fazer isso. Ficar sossegada.





Prezo muito esses momentos de estar comigo mesma, é a hora onde penso, repenso, revejo, analiso, pondero, critico, vocifero, rio, sofro e choro. É praticamente um exercício à convivência.





Preciso desse tempo, que me conforta e me liberta para estar rodeada por pessoas. 







via we heart it








Já casada, lembro de uma conversa que tive com uma amiga minha sobre amores, sexo e relacionamento. Onde ela relatava a angústia que a consumia quando ela se imaginava sem o marido. O medo que sentia ao se imaginar sozinha, sem ele pra dar o suporte que, reza a lenda, só os homens são capazes de dar. Enquanto falava, seu rosto denunciava o pavor com que ela vislumbrava o dia em que isso pudesse acontecer e sua voz tinha o tom do fracasso.





Era vítima do próprio corpo e dos próprios hábitos. Não que condene quem luta contra balança, quem escolha hábitos saudáveis e quem combine para sempremente calcinha com o sutiã - mas fazer isso por medo? Medo de ser largada? Não é lá muito saudável...





Em conversas assim, fico sempre com cara de bunda, pois não compartilho dos mesmos medos.


Ouvi tudo o que ela tinha pra dizer, mas sou sempre muito sincera com as pessoas com quem convivo e mostrei a ela minha forma diferente de pensar...com o silêncio. Não precisei verbalizar o que no fundo, ela já sabia.





Não tenho medo de perder o Paulinho. Só não quero que isso aconteça. Amo esse homem com todas as minhas forças, mas não sou refém desse amor. Nossa relação vai além do corpo, da aparência...ele se apaixonou não só pela casca, mas pelas ideias, pela minha forma de ver o mundo. Sou segura e  devo isso a ele. Parecemos estar no caminho certo...já estamos há dez anos juntos!





Gosto dele, mas gosto antes de mais nada de mim. Não faço nada que não queira e sempre deixei bem claro que não lhe devo favores sexuais. Faço o que a ocasião pede, faço porque gosto, quando há clima e estamos aptos a isso. De modos, que uso calcinha bege sem o menor constrangimento. Definitivamente, não sou a pessoa certa para conselhos de mulherzinha.





Aprendi com ele, inclusive, que não há nada melhor pra "segurar" casamento que respeito mútuo e que, quando há amor a necessidade de prender alguém se desfaz por completo. Não dizem por ai que amor liberta? então...





Não tenho medo de ficar só. 


Às vezes estar sozinha é  uma opção e se um dia for por uma circunstância dessa natureza, ainda assim, não estarei só. Tenho meus filhos e a história se repetirá...os amo, mas não os quero prender.





Nessa altura da vida, já posso afirmar que aprendi a gostar da minha própria companhia.













quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Filho de peixe...pneumocócico.





Febre - emergência - diagnóstico errado - ATB - febre - falta de apetite - filho jogado pelos cantos dormindo sem parar - medo - semana de provas - filho semana em casa - cansaço - febre - emergência de novo - novo diagnóstico - raio x - pneumonia - ATB again - cansaço - nebulização - filho semana em casa again - trabalho da faculdade - medo - muitos cuidados - inapetência severa - socorro!





Tal mãe, tal filho.





Não estou uma boa companhia por esses dias. O cansaço tem me consumido.


E nem é o físico...tentei não abordar esse assunto aqui, mas não consigo pensar em outra coisa. É só o que tenho vivido, espero que sirva de desculpa pelo meu sumiço. Há tempos não consigo retribuir as visitas como se deve, muito menos responder os comentários...





Já estamos na metade do tratamento e espero mesmo que esse seja o último frasco de antibiótico do ano.


Afinal temos uma estação toda florida pra viver.





Torçam daí, please.

Estamos fazendo nossa parte:


















sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Fincaram a bandeira do socialismo ou perdeu, playboy!




Comecei a usar as roupas e os sapatos da minha mãe aos 12 anos e, nessa fase, nem era mais pra brincar de fantasia. O lance era sério mesmo, gerava discussões acaloradas sobre o usufruto de alguns objetos! Tão sério, que acho que meu pé não cresceu muito, devido a arte aperfeiçoada ao longo do tempo de fazer com que ele coubesse num sapato tamanho 34.





Imaginei que a Bia demorasse um pouco mais pra poder usar minhas coisas, afinal, ela é apenas uma bebezona criança de oito aninhos, mas a vida, fanfarrona do jeito que é, antecipou e muito as minhas projeções.





A Bia tem o biotipo do pai, com quadril largo e coxas grossas...ao contrário de mim, que pareço uma seriema desidratada. De modos que, caibo facilmente num short 36, embora meu manequim oficial seja 38! não me odeiem por isso...





Essa semana, enquanto eu ensaiava o faxinão que faço a cada troca de estação, ela já fisgou algumas peças {das mais básicas} e disse com cara de quem entende do carteado, que eu poderia doar...pra ela! 





E, hoje, enquanto levava a mochila pro carro percebi que ela calçava um tênis demasiado branco. Apurei a vista e pensei numa altura perfeitamente audível: esse tênis é MEU.





" Meu não senhora. Esse tênis agora é NOSSO!"




Poderia demorar um pouco pra que fincassem a bandeira do socialismo nas minhas coisas, concordam?



Um fim de semana primaveril.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Direto da Nave Mamãe - rasguem todas as listas de enxoval


Fui abduzida pela Nave Mamãe


Essa nave é comandada pela Dani Policarpo, mãe do lindo e loiro Lorenzo. E ela é danada, sagaz, inteligente, questionadora e o mais importante, dona de um senso de humor incrível! Tão típico das Danis *cof cof 





Trouxe-a aqui pra bater um papo de frente pro mar e pitacar sobre um assunto muito oportuno no universo materno. Bora ver?













por: Daniela Policarpo








Se eu pudesse trocar todos os pitacos inúteis que recebi desde o bhcg positivo por uma informação valiosa, seria esta: rasgue todas as listas de enxoval!










Sério! Acredito seriamente que todas as listas que encontramos pela internet a fora são patrocinadas por grandes lojas de produtos bebezídicos. Não é possível que alguém no mundo use aquele tanto de coisas.  E as pobres mães (financeiramente mais pobres também, depois de todas aquelas compras) se jogam em 12 mil paninhos de boca coordenados com cueiros bordados nas cores do jogo de lençol do carrinho.









Jogo de lençol de carrinho? Tenho 3! Nunca usei! Tenho também um edredon de carrinho, coisa que nenhuma lista pede, mas na época achei que só não pedia porque não era uma lista tão específica assim pra gélida Porto Alegre.









Na minha experiência, de cara eu já fui acumulando produtos inúteis, sigam-me:









Conjunto de maternidade: perguntei pra minha obstetra qual o melhor tipo e ela me disse que, pro calor de fevereiro, o de linha era o melhor. Comprei dois, lindos, e cueiros de jacquard pra combinar. Quando as enfermeiras me entregaram um pacotinho todo trabalhado na elegância, eu achei que aquela tinha sido a compra do século! Mas, horas depois, quando a temperatura corporal do Lorenzo atingiu os 38ºC, a enfermeira tirou tudo e as fotos do Lorenzo da maternidade foram tiradas com bodies de algodão e calças de pijama! Lindo de qualquer jeito, claro! Cof, cof.









Fraldas de pano: Tá! Elas até seriam bem úteis se a mãe fresca aqui não tivesse aplicado quilt de joaninha e viés em todas elas! Ao todo são 12 fraldinhas de pano, toda empetecadinhas, que nunca foram usadas. Porque toda mãe sabe que fralda de pano é boa justamente pra limpar xixi acidental, meleca do nariz e resto de papinha! Fralda de pano é o bombril da maternidade! Exceto quando ela é atrolhada de detalhes.









Pano de boca: Até eu achar um, já peguei 3 guardanapos e 5 toalhas de papel.









Segura bebê: Quem inventou aquilo não tinha filhos! Segura o bebê quando ele ainda é um bebezico que nem rola (!) e, quando o bebê aprende a rolar, rola com ele preso na cintura mesmo e sai engatinhando pela casa carregando o segura bebê nas costas.









Berço provençal de madeira nobre com sistema anti-refluxo (colchão, protetor de colchão, conjunto de berço, jogo de lençol, edredon, colcha etc infinitos): deveria ter economizado e comprado antes minha cama king size.









Berço portátil: virou o suporte da televisão.









Carrinho trambolho: juro que achei que eu ia morrer de orgulho do meu carrinho ultra mega blaster, mas ele mal cabe no porta malas do meu carro. Carrinho de fechamento pantográfico, te quiero.









Conjunto pagão: reza a lenda que minha avó usava isso. Sem provas, a máquina fotográfica ainda não havia sido inventada.









E assim, ao longo das 39 semanas e 2 dias de gestação, fui acumulando must haves dos quais não sentiria falta alguma se nunca os tivesse tido, podia ter gastado toda a pequena fortuna em fraldas (essas sim, sempre fazem falta). 









Hoje eu tenho certeza que menos é mais - vivo dizendo isso pra minha barriga pós-parto.









***









{Só percebi que deveria rasgar as listas de enxoval, quando esperava o segundo! Endosso tudo, tudinho!}









Peguem carona na cauda do cometa e sigam a Nave Mamãe pra não perder de vista.














terça-feira, 20 de setembro de 2011

Metodologia da febre








Febre do Otto continua e a minha luta idem.


Antibiótico na bancada e fruteira cheia.


Olheiras fundas. Nele e em mim. {e no pai}





Tenho minhas crenças, minhas manias - métodos aprendidos de forma empírica ao longo da vida. Valeu vó, valeu mãe. Em dias de crise, o trabalho é triplicado.





Acredito no poder de um ambiente organizado - exercem uma influência tranquilizadora nas crianças. Ninguém pode ser feliz num lugar bagunçado. Nossos inimigos são os ácaros - os terríveis. Até nos dias mais difíceis, porque todos temos, as camas estão arrumadas, janelas sempre abertas pra renovar o ar, pia sem louças e roupa suja recolhida. Deixe o sol entrar, vovó dizia.





Acredito na tríade antitérmico x banho x roupa limpa - essa é a cara da vovó! depois do antitérmico vem aquela suadeira, né verdade? Hora exata pra um banho com direito a água escorrendo a vontade {sorry, ambientalistas} pelo corpo, ajuda a abaixar a temperatura. Depois de limpinho, roupa limpa! A mesma coisa com as roupas de cama, nada de usar o mesmo lençol com "cheiro de doença". E aqui, ela dizia "xô, doença. Deixe meu filho/meu neto em paz", pra evitar mico não falo, mas repito mentalmente. Troca-se tudo, renova-se o ar.





Acredito no poder dos alimentos frescos - em dias de febre, só sirvo sucos naturais feitos na hora, deixando de lado a praticidade das caixinhas. Aliás, a comida deve ser fresca e quente. Não me perguntem o porquê...mas vovó dizia que comida assim, reconfortava o coração.





Acredito na inapetência - quando vc está doente sente vontade de tudo, menos de comer, né? Por que com as crianças seria diferente? Ofereço sim, mas não encano se não quer comer. Nessas horas entram em cena os sucos e as frutas. O importante é não deixar desidratar.





Acredito no poder do sono - faço tudo pra favorecer a soneca da tarde. Quanto mais dormir, mais rápido o organismos de restabelecerá. Isso vale pras mães que terminam períodos virais/bacterianos arrasadas pelo cansaço!





Acredito na força do pensamento - por isso agradeço os comentários carinhosos e os desejos de melhoras de cada uma de vcs.





Agora, me diguem, vcs tem essas manias cientificamente insanas comprovadas?













segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Lugar de criança doente é em casa




daqui






Passei o final de semana inteiro preocupada com a temperatura, mas dessa vez nem era com a climática, pouco me importava se tava frio, ventando, chovendo...o alerta seria dado pelo termômetro e o objeto de auferição era o Otto.





38.5° - 39.3° - 39.5° - SOCORRO!





Mas ele estava tão bem, nem deu sinais de que iria gripar - lamentava o marido.


E eu me assumi altamente rancorosa, afinal tem um coleguinha na sala do Otto que tem uma gripe eterna - e eu o culpei, ou melhor, culpei a mãe dele. A coitada da criança está sempre com olhos vermelhos, nariz escorrendo e chorando dengoso a ausência dos pais.





Cadê o regulamento da escola? Por que não se fazem cumprir? Por que essa criança não fica em casa recebendo cuidados? Por que tem que ir na escola fazer às vezes de uma arma química, contaminando todos a sua volta?





***





Houve um tempo em que eu trabalhava e tive que matricular a Bia com 15 meses numa creche - período integral. Nem sempre fui essa mãe que vive a maternidade all day long não. E, buscando na memória, percebi que eu nunca mandei a Bia doente pra creche.





Íamos ao médico e lá eu pedia um atestado de acompanhamento.


Criança doente precisa de repouso, de cuidado de mãe, de suquinho feito na hora, do aconchego do lar. Com o papel que conferia à minha filha esses direitos meio óbvios, dava entrada no trabalho.



Se eu ouvia desaforo do chefe? Sim.

Se eu tinha medo de perder o emprego? Sim.





Mas uma coisa sempre deixava claro: filho é prioridade.


Na falta de um cuidador que me substitua, essa criança só poderia contar comigo. E o chefe que se...





***





Lá no MmqD rolou uma enquete sobre esse assunto.


E aqui um apelo meu: não mandem filhos doentes pra escola, eles merecem um pouco de respeito e os filhos dos outros também.










sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Mãe - até quando precisamos dela?






Paradoxal é que buscamos a independência e achamos que a alcançamos quando saímos de casa, nos casamos, temos filhos. Engana-se quem pensa que é simples assim.





Estamos sempre esperando o aval de nossa mãe em quase todos os passos da nossa vida adulta. Apesar de desdenharmos sua presença com muxoxo - imagine admitir uma coisa dessas! Numa retrospectiva curta ela sempre vai estar lá como coadjuvante, nos momentos mais importantes das nossas vidas.





O dia em que entramos na universidade; formatura; é aquela que faz aqueles interurbanos que saem caríssimo no final do mês, quando resolvemos fazer um curso/morar em outra cidade, outro país, só pra saber se estamos bem; é aquela que está ali no dia do casamento, acalmando e torcendo pra que nossas vidas sejam felizes; a cúmplice quando nos tornamos mães e decidimos fazer tudo diferente do que ela fez... 





Requeremos os palpites dela nem que seja pra desprezá-los...mas saber que o ombro dela está ali ao alcance de nossos olhinhos chorões é reconfortante. Sim, porque a vida adulta às vezes é tão dura que requer a presença de um adulto.





***





Reconheço tudo isso mesmo não tendo tido nada disso. Mesmo não tendo essa generosidade personificada na figura da minha mãe. Sofri um bocado - preciso ser honesta.





Tentava inultimente entender os porquês. É inútil: porque perdemos tempo, porque reforçamos a mágoa, porque desperdiçamos energia...





E no momento, que eu enxuguei as lágrimas, botei minha filha embaixo da asa e voei pra longe passando a viver a minha vida sem cobrar dos outros, mesmo que "os outros" em questão seja a minha mãe, atitudes que me pareciam certas é que passei a ter tudo o que sempre idealizei.





Ilógico, também acho. Mas é assim que as coisas funcionam.





Então, reformulando o que disse acima: não é que não tive a presença cúmplice da minha mãe na minha vida. Não a tive na hora que julgava ser certa, na hora que quis. E, hoje, tentando me livrar das mágoas, tento aproveitá-la da melhor maneira possível.





A roda da vida está sempre girando e até pessoas como as nossas mães, estão amadurecendo, revendo atitudes e pedindo perdão. Estamos todos em evolução.





Vc, eu, elas.





***





Somos como crianças arriscando os primeiros passos na vida adulta, inseguros, cambaleantes e ainda assim, como nossos filhos, sorrimos empolgados e pé-ante-pé avançamos....por saber, por ter a certeza que a mãe estará ali na frente, de braços abertos pra amparar quando cairmos.
















quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Tentativas {frustradas} de tirar a chupeta




Com a Bia tudo foi fácil: desfralde, desmame, deschupetamento.


Era só conversar explicando tudo bonitinho e num passe de mágica, a bichinha compreendia tudo sem protestar.


Coisa linda!





Daí veio o Otto e quem me acompanha sabe, que "a luta começou companheiras!" quando de seu nascimento. Encaro isso como uma forma de eu evoluir como ser humano que sou/pretendo ser.






nessa época eu acreditava que a farra da chupeta

duraria até os 2 anos. (ã-ham)







Vejam isso:





Natal de 2010 - 1ª TENTATIVA





"O Otto está ficando grandinho e meninos grandes não usam mais chupeta. Que tal entregar sua chupeta para o Papai Noel? hein? ele vai te trazer um brinquedo bem legal e..."





Resposta desaforada número 1:





"mãe, Papai Noel não é cliança e gentes glandes não usam chupeta"





DÃ.





Páscoa de 2011 - 2ª TENTATIVA





" O Otto já está enooorme e meninos enooorrrrmes não usam chupeta. Vamos dar sua chupeta pro coelhinho da páscoa, né? e ele vai lhe trazer um ovo de chocolate e...."





Resposta desaforada número 2:





"Não vou dar minha chupeta plo coelhinho da páscoa, mãe. Coelhos não chupam chupeta. Ele vai morrê."





Dã.





Dia desses de 2011 - 3ª TENTATIVA





"Filhinho, deixa eu te contar uma história. { e inspirando toda a confiança que há no mundo, continuei} Sabia que existe uma Fada da Chupeta? {notem que já tô apelando} Siiiim. E é muito simples fazer com que ela venha nos visitar. Basta a gente colocar a chupeta embaixo do travesseiro e pedir que ela venha. E, na calada noite, quando todos estiverem dormindo, ela leva seu bibiu {apelido da desgrama nesta casa} e traz um presente lindão. Certo? Vamos lá iniciar o ritual. Dá aqui sua chupeta e..."





Resposta desaforada número 3:





{com as duas mãos tapando a boca pra proteger sua chupeta} " Nãããããão plicisa, mãe. Não quelo blinquedo nenhum. Papai Noel vem depois e me dá."





PAFF.





Resolvi relaxar, de modos que, na minha projeção de mãe esperançosa, espero que ele largue essa bendita chupeta antes de entrar na faculdade. 





Já tá de bom tamanho.







quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Fica, tem convidada! Vieste - por Renata Ferreira


Arrumei a casa, passei um café bem gostoso, trouxe da padaria uma porção de comidinhas gostosas pra esperar essa amiga tão querida, a Renata que escreve o Vieste. {nome de uma música linda do Ivan Lins} 





Ela ganhou o Heitor recentemente, que veio na hora exata e com ares de festa, e está aprendendo diariamente e com ele a ser mãe. Vivenciando as delícias e agruras da maternidade.Não sei precisar em que momento nos tornamos próximas, simplesmente aconteceu. Talvez por eu já ter sido mãe pela primeira vez. E é com o coração cheio de ternura que ela nos escreveu esse texto:












O valor de um sorriso

Por: Renata Ferreira





"Meu sorriso sempre foi minha marca registrada. De fato, minha gargalhada que sempre foi reconhecida de longe por aqueles que convivem comigo. Eu nao consigo ficar muito tempo sem sorrir, sem fazer uma piada sem graça ou sem rir de um momento triste que eu esteja vivendo. E nao é porque eu seja assim otimista demais, viu? Meu humor é negro mesmo, esse é o segredo... O sarcasmo salva qualquer dia de autodestruição massiça, pode apostar. Daí que eu me casei com alguem bem parecido comigo nesse quesito humor... Tá que ele nao ri muito alto, é ainda mais timido do que eu... Mas, carrega em si a capacidade de rir do mal tempo de um jeito só dele e, sendo assim, sempre me peguei pensando sobre como seriam nossos filhos. Seriam eles sorridentes? Sérios? Sociáveis?





Três anos depois...





Nasce Heitor, nosso primeiro filho... E eu, de repente, vejo-me cansada da falta de interação inicial dele - e de qualquer bebê novinho. Nao sei se acontece com todas ou se a minha carência fala mais alto aqui - pq vamos combinar que eu adoro atenção do meu filho e sonhava com o dia em que ele demonstrasse saber quem eu era e, mais ainda, que se comunicasse comigo... Mas, o fato é que eu me enchia da rotina come-dorme. Juro.





Desculpem se ofendo vocês com minha sinceridade. Coração de mãe nem sempre é cor-de-rosa bebê... Levei meu tempo para conhecer meu filho e, claro, ele para saber quem era a dona daquela voz e cheiro tão conhecidos pré-nascimento. Normal. Eu, repetindo para mim mesma as frases que tanto ouvi durante a gravidez, tentava organizar tudo na minha cabeça e no meu coração de 27 anos...





Mantras como "o único modo de comunicação dele é o choro" ecoavam em mim. Eu dizia isso mil vezes por segundo, mas algo não ornava, sabem? No fundo, eu já entendia meu filho desde a concepção dele mas não dava o devido crédito para a nossa relação. Bebês se comunicam de diversas formas. Ok. O choro é o modo mais 'óbvio', mas existem sutilezas de movimentos, olhares e toques que podem, sim, ser tomados como comunicação. Todo o corpo comunica, responde, age... E Heitor, aos poucos, foi desenvolvendo sua comunicação comigo de um jeito só nosso.





Primeiro o olhar. Antes, esse que não se fixava em nada quase, passa a procurar os meus olhos quando estamos juntos. Depois, aos mãos. Antes, essas bem desconexas e descordenadas, passam a procurar minhas mãos quando eu o toco. Enquanto o alimento, sinto as mãozinhas dele apertando as minhas. Meu filho aprendendo a falar com o corpo... O idioma primitivo mais sublime que há. A coisa vai se desenrolando de tal maneira, que aquela falta de interação inicial se torna - para mim - uma preparação para essa fase de 'paquera' mais ativa entre nós. Eu sabia, filho. Sabia que você me conhecia!





E então que, aos dois meses e um dia, surge o sorriso. Nao estou falando do sorriso de reflexo, aquele automático que bebezicos dão. Estou falando de um sorriso olho-no-olho. Aquele que derrete você todinha. E esse sorriso, pessoas, é a nossa 'contratação' como efetiva. Funciona assim: os olhares, os toques, o chororô e tudo o mais é nosso contato inicial. Nosso período de experiência. Agora, espera o filho sorrir DELIBERADAMENTE para você - significa que você passou no teste dele. Ele confia em você. Quer cumplicidade. Aquela cumplicidade que você tanto buscava desde o primeiro dia. Tava lá. Escondida. Agora, ele mostra para você junto com toda a banguela fofa dele. E você se derrete.





É.





Você pensa diariamente sobre como esse menino vai te dobrar fácil-fácil com esse sorriso dele. Imagina quando começar a falar?





Se bem que...


Palavras parecem até vulgares demais perto do primeiro sorriso de um filho...


(pausa para limpar minhas lagriminhas)





Hoje sou a réplica perfeita daquele tipo de 'mãe boba' de que se fala por aí. Falo com meu filho com aquela voz de besta e toco seu narizinho constantemente em busca de um sorrisinho que seja para iluminar meu dia. Ele, complacente, sorri de volta meio que entendendo a necessidade constante que sinto dele, mesmo ele estando logo ali. Ele entende que esse sorriso é o início de uma nova fase da maternidade. Às vezes, pego-o sorrindo sozinho para o móbile... Móbile intrometido! Eu deixo, claro. Não me meto. O mundo é de Heitor, quem sou eu para me colocar entre seu sorriso e suas novas descobertas? E então vocês me perguntam: Diz aí, então, Renata, qual é o valor de um sorriso?







Para mim... para mim o sorriso dele vale meu coração todinho. Eu pego meu coração e entrego a ele assim, inteiro, a cada sorriso. E ele pega, tá? Ele não recusa, não. Filho nenhum recusa. Você que, como eu, pensa e repensa seu valor como mãe, tenha certeza de que seu filho não questiona isso nunca. Ele aceita... como só os verdadeiros anjos fazem: sem medir valor nenhum. E esse sorriso, esse primeiro sorriso, apenas demonstra que seu filho cresce, o mundo o atrai, e você... E você tem a sorte de poder assistir tudo isso de camarote, amiga. A vida tem dessas, de um sorriso ela faz uma lição inteira.





E tenho dito.





(p.s.1. e se meu filho sorri para mim, queridos, eu me sinto mais forte - e mais bonita - do que a Mulher Maravilha, tá? desculpa.)





(p.s.2. e se meu filho será sorridente, sociável ou bem humorado...? Deixarei que ele mesmo siga decida sozinho... desde-que-continue-reservando-o-melhor-sorriso-só-para-a-mamãe. Rá!) "





Renata é inteligente e fala, no Vieste, do que se passa no seu íntimo com força e doçura.

Sempre nos convidando a excelentes reflexões, impossível não se identificar.





Vão lá prestigiar nossa convidada!





segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Otto - como você nunca viu









Atentem pra minha risadinha sem graça no final....



E hoje a blogsfera está em festa. Nasceu o Mamatraca e se vcs quiserem ver ao vivo e em cores e em mico a balzaca que vos escreve, passa lá e confere. Não se arrepederão, pois o site está cheio de surpresas!



Ótima semana.

domingo, 11 de setembro de 2011

Custa nada, nadinha






Estamos pensando na melhoria do conteúdo do blog pra vcs, leitores! Para isso, preciso conhecê-los um pouquinho melhor.





Só clicar nessa imagem aqui na lateral do blog e brincar de disparate por alguns segundos. Rapidinho. Ah! lembrando que é totalmente anônimo. Ou seje, falem a verdade nada mais que a verdade.





E o domingão? foi de animação ou de depressão?







sábado, 10 de setembro de 2011

O que não deve ser feito, nem dito








Um dia comum, depois de um banho comum, tiro o Otto do box e começo a enxugá-lo. Noto que ele não me olha e pergunto se há alguma coisa errada, no que ele responde:





- olhe, mamãe. Minha barriga nem tá grandona!


- hmmm {sem dar muita importância}...ainda tá com fome?


- não, mãe...deve ser porque bebi POUCA água do chuveiro.





AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH!



O sol saiu desinibido aqui em SC. Vou ali viver e lavar roupa.

Não necessariamente nessa mesma ordem.



Ótimo final de semana!!!







sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Fica, hoje tem Nova vida, Vida nova - por Celi Oberding





Sabem como conheci a Celi, a convidada de hoje? Através de seus comentários sempre perspicazes, sempre pertinentes aqui no blog e que, na grande maioria das vezes, complementavam os posts.



Fiquei intrigada e curiosa e fui atrás de conhecê-la em seu habitat, no seu Nova vida, Vida nova. Fiquei encantada com o blog, que revela o bom gosto de quem o escreve. Os textos dela são deliciosos e tem sempre ilustrações e fotos lindas de sua vida na Alemanha.



Mãe do Felipe e do Thomas, ela nos conta hoje algo que certamente aconteceu com a grande maioria de  nós. Duvida?









Vão! Qualquer coisa eu ligo! - por Celi Oberding



Após 2 anos e meio me deparo com a seguinte frase: “- Pode sair, pode deixar que coloco o Felipe na cama. Aproveite que estou aqui!”






Essa foi uma frase da sogra que esteve duas semanas conosco. Isso não quer dizer que não tivemos oportunidade de sair anteriormente, mesmo porque todas as visitas que recebemos desde que mudamos para a Alemanha se ofereceram para cuidarem dos meninos. Mas por inúmeras questões sempre deixamos de lado o passeio.






Marido e eu sempre preferimos sair enquanto os meninos estavam na escola. E nossas saídas sempre foram para a resolução de inúmeros assuntos voltados a casa, família e médico. No máximo, o que fizemos algumas vezes, sem os filhos, foi almoçarmos juntos. Mas naquele esquema de almoço rápido para depois meu marido voltar para o trabalho.






Mas dessa vez foi diferente. Havíamos recebido um convite para irmos a uma festa, uma festa típica na cidade. Aquelas festas alemãs com músicas e roupas típicas. Além disso, encontraríamos alguns amigos que trabalham com meu marido, amigos alemães, colombianos e mexicanos.






Então, considerando aquela velha história do quanto é importante ter um momento só com o marido, que é importante sairmos sem os filhos, resolvemos sair à noite, encarar uma festa típica alemã, deixando os meninos com a avó.






Foi um momento nosso, no qual pudemos andar de mãos dadas, contemplar a beleza da cidade, numa noite de verão. Tendo a lua acompanhando toda nossa caminhada.






Na festa conversamos um tanto com os amigos, observamos as pessoas, a maioria mais novas do que nós, adolescentes, rapaziada e mulherada solteira. Eles dançavam, bebiam, paqueravam sem a maior preocupação.






Nós aproveitávamos para conversar com as pessoas da nossa mesa, para ouvir as músicas que nem eram tão típicas assim. Conversamos entre nós, rimos, curtimos o momento só nosso, mas faltou algo. Tudo foi muito estranho, diferente! Parecia que havíamos esquecido algo, alguém. Esse alguém, quem seria? Nossos filhos!






Por um lado foi muito bom não ter que dividir, ter a atenção do marido voltada só para mim. Conversar, conversar sobre outros assuntos e, inclusive, sobre os filhos. Pois dá para mudar totalmente o assunto quando temos filhos?






Foi impossível para nós! Entre uma conversa e outra, vinham os exemplos e comentários sobre as atitudes dos mesmos. No meio de toda aquela festa, todo aquele barulho, percebemos o quanto passou e vivemos agora um tempo diferente. Um tempo voltado para curtir a família. Um tempo voltado para ficar junto com os filhos. Um outro momento da vida!






Talvez por termos mudado e distanciado da família essa união se sobressaia mais, talvez pela responsabilidade e preocupação diante do papel de ser mãe e pai ou simplesmente por perceber que tudo tem sua fase, que tudo tem o seu tempo.






Somos felizes realizando passeios junto com os filhos. Falando com eles, sobre eles. Algumas horas distantes renovam as energias, mas também só reafirmam o quanto é difícil viver longe deles, mesmo que seja por pouco tempo. O quanto a vida muda a partir do momento que temos filhos.






Voltamos para casa e logo fomos ver os nossos filhos dormindo. Pois não tem nada melhor, após uma noite barulhenta, do que contemplar a beleza e seriedade de criança, dos nossos filhos.







E aí, o que estão esperando pra conhecer mais dessa mãe internacional?

O blog é o  Nova vida, Vida nova. Vem gente!





quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Vamos fugir?








É preciso, na vida, reconhecer o momento de parar, dar um tempo e, no meu caso, se permitir novas vivências. Passar a vida correndo de lá pra cá, administrando horários de trabalho, suportando chefes desagradáveis, um trânsito que teima ser infernal, além de estar sempre alerta para evitar assaltos...acaba cansando, desgastando.





Sempre idealizei morar numa praia linda e ter tempo. Tempo para cozinhar. Tempo para ler livros. Tempo pra fazer nada. Não dizem por aí que o ócio pode ser criativo? Enfim, eu apenas idealizava, mas nunca em nenhum momento pensei que essa experiência se tornaria realidade antes que eu completasse setenta anos.





Preciso me acostumar com o fato de que na minha vida, não cabem planejamentos. Quero dizer, que não importa o quanto eu planeje, a roda gira e acaba acontecendo tudo de maneira contrária. É sempre surpreendente....pro bem ou pro mal.





devo ter contado à vcs um pouco da minha vida tuareg, de nômade. Enfim, chegamos em Floripa há quase quatro anos com uma vontade enorme de relaxar, de aproveitar pra tirar o fardo das costas e deixá-lo num canto, sabe? Procuraríamos uma nova maneira de carregá-lo, experimentaríamos uma nova maneira de viver - mesmo que por um período breve.





Escolhemos morar numa praia e, quem conhece a cidade sabe que aqui existem bairros de veraneio. Isso mesmo, dentro da capital! Chegamos em pleno verão e escolhemos o sul da ilha como moradia. O mês era janeiro e a cidade estava lotada, linda e colorida. Resolvemos aproveitar cada centímetro daquele lugar: suas praias, a beleza de suas montanhas, a lagoa de água cristalina e aqueles barquinhos no mar, que de tão fofos pareciam brinquedos.





Parece coisa de novela, né? E era exatamente assim que eu me sentia: uma personagem romântica e cafona da novela das seis. Quando eu caminhava pelo bairro, imaginava até trilha sonora. Era tudo tão bom, tão mágico que eu nem me preocupava com o resto. Questionei centenas de vezes se era eu a desfrutar o paraíso ou meu perispírito.





O que eu fazia com ar de triunfo era, num dia de semana antes de levar a Bia para a escola, tomar um banho de mar no verão ou levá-la pra brincar na areia num dia frio; era andar até a sorveteria num fim de tarde pra satisfazer meu desejo gravídico e ficar ali, de bobeira só olhando praquele marzão; era eleger dias em que não cozinharia, só pra comer peixe na beira da praia. Era viver numa espécie de mundo paralelo.





Aproveitei pra viver. Simplesmente viver - sem estresses, sem pressa.





Tenho muito carinho por esse período das nossas vidas, mas essa experiência como Brooke Shields durou o tempo necessário pra eu ter a certeza de que as coisas para terem valor, para serem importantes, não precisam durar pra sempre.




Tudo o que vivemos acaba de uma certa forma sendo interiorizado.


Nos modificamos, crescemos.





Foi uma fase. Agora, estou prontíssima pra encarar uma outra.




Vcs já sentiram vontade de parar, desacelerar, de ir embora?













segunda-feira, 5 de setembro de 2011

O que quer uma mãe de menina




Depois de ter feito aquele post, onde compilei notícias bizarras envolvendo crianças, fiquei pensando...



Fiquei super feliz quando constatei no sétimo mês de gestação que esperava uma menina. Digo constatei, porque já sabia, não sei se é o tal instinto materno, cuja existência se discute ou se foi um chute certeiro. Preciso deixar claro que o nome estava escolhido e o enxoval comprado! Fui ou não fui audaciosa?





Enfim, a felicidade não consistia em ter uma coisa fofa e cheia de dobrinhas que eu pudesse vestir de rosa ou encher de laçarotes. Isso nem passou pela minha cabeça, talvez por eu nunca ter feito o estilo menininha. A felicidade era pela ideia de ter uma companheira....pra vida!






participação ativa dos pais, educação feminista, respeito a infância, papo de mãe
via we heart it







E como mãe de menina eu quis/quero: 







  • que ela brincasse com liberdade de movimentos - ou seja, nada de emoldurá-la em vestidinhos, fivelinhas nem sapatinhos combinantes;

  • que ela corresse de ficar ensopada de suor;

  • que ela tivesse suas bonequinhas, mas também bolas, peões, matracas, pipas,carrinhos e bonecos de super-heróis - infinitas possibilidades de brincadeiras. Isso é infância;

  • que ela tivesse o rosado natural nas bochechas e nos lábios, numa tonalidade linda que todo fabricante de cosmético tenta imitar, mas que só as crianças tem;

  • que é saudável imitar a mamãe, mas que ela não precisa se preocupar com batons, esmaltes e blushes, pois ela terá uma vida inteira pra isso; ou não...

  • que ela fosse livre e tivesse sua infância respeitada;

  • que pudesse conhecer outras cores e aprendesse que a feminilidade não reside apenas no rosa ou em tons de lilás. A vida pode e deve ser colorida;

  • que pudesse se vestir com  mais conforto e sem excessos. Que tivéssemos mais opções nas lojas, livres dos babados, do famigerado glitter e dos gigantescos apliques de flores;

  • que ela pudesse ouvir música que fale do universo infantil e não dos chiliques juvenis da Barbie girl;

  • que ela brincasse com suas panelinhas, sua mini tábua de passar e suas pequenas xícaras, mas que aprendesse que ela não precisaria ficar presa a eles quando crescesse. Que o seu lugar é onde queira estar.









Como mãe de menina há oito anos, deixo aqui meu testemunho de que é difícil criá-la querendo respeitar sua infância, quando há toda uma indústria querendo tratá-la como uma boneca...não a de pano que traz em si o conceito de uma infância ingênua, mas a de uma forma degenerada, onde a boneca é uma mulher que tem como único atrativo a estética.









É difícil, mas não é impossível.




Isso posso garantir.





E o que pensam vcs?















domingo, 4 de setembro de 2011

Até quando?


Ando chocada com a quantidade de notícias bizarras envolvendo crianças.  Não comentei nada até então, porque tinha esperança de que fossem apenas casos isolados e ficar comentando polêmicas não é lá meu forte....mas as notícias parecem não ter fim. Reuni algumas coisinhas que fizeram meu estômago embrulhar:







consumismo infantil erotização precoce mídia
via Crescer





Meninas de quatro anos maquiadas, em poses sugestivas num lançamento de lingerie de uma marca francesa a Jour Après Lunes.





Como se crianças dessa idade usassem lingerie. Gente, crianças usam calcinhas, de algodão com estampas de bichinhos, coraçõezinhos, florzinhas...





A campanha repercutiu no mundo inteiro não só pelo lançamento do conceito de lingeries para crianças, mas pelas fotos no site. Inclusive uma, faz um close do bumbum da menininha.





Um nojo!










exploração erotização precoce, consumismo infantil
daqui





"Mãe coloca seios falsos em filha de quatro anos para concurso de beleza" - essa é a manchete.





Daí vc vê a foto de uma criança de peruca, roupa colada e enchimento nos seios e no bumbum. Tem como não se assustar?





Não sou abalizada pra traçar o perfil psicológico de ninguém, mas pra mim esse é o típico caso da projeção na filha dos desejos frustrados da mãe. E nem é preciso ser um gênio pra chegar à essa conclusão.





Repugnante. E esses concursos infantis estão indo longe demais.







maternidade, erotização precoce, prisão, consumismo infantil
via Mulher 7x7





"Susan Smith, de 42 anos, foi presa por fotografar a filha de três anos de uma amiga e enviar as fotos para um homem condenado por atos obscenos. Susan, que está grávida, foi presa em uma maternidade na Inglaterra, antes de dar a luz."

" De acordo com o Daily Mail, as fotos eram indecentes (...) Susan disse que enviou as fotos ´para animar o homem, porque ele gosta desse tipo de coisa´".



Boazinha ela, né?





Não me processem, mas vou reproduzir um trecho do artigo da Crescer aqui que resume muito bem o que penso a respeito de tudo isso:








" Muitas vezes ouvimos falar que as crianças hoje são precoces, compreendem tudo tão cedo, sabem tudo. Elas não sabem nada. São inseridas em um mundo pronto e precisam compreender conceitos, normas, regras da sociedade. E cabe aos pais mediar essa relação do filho com o mundo. “A culpa não é do computador, da novela, da internet. Para criar valores, a criança precisa de alguém que os explique”, afirma. E critica: "Eu percebo que alguns pais têm se eximido da responsabilidade que o adulto tem de cuidar disso." Diálogo, paciência e dizer não, muitas vezes, fazem parte do educar. Dá trabalho! 











Seria muito bom poder contar com a responsabilidade dos publicitários e, principalmente dos pais dessas crianças. Porque, tenho certeza, de que campanhas com esse tipo de enfoque não teriam êxito se os pais não permitissem que seus filhos fossem expostos dessa maneira.





Que nossa semana seja de notícias melhores que essa.

Bom finalzinho de domingo.












sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Bicho-grilismo de criança




Toda criança parece viver na Era de Aquário.





Incrível a semelhança delas com aqueles seres exóticos que habitaram o planeta Terra, nas décadas de 60 e 70, pregando o amor e a paz mundial, que não seguiam os padrões de comportamento e consumo e viviam em comunidades sempre reverenciando a natureza.





Pois bem, não sei a quem o Otto puxou mas, é um menino que parece viver conectado aos fenômenos climáticos - naturais, com a Mãe natureza, Mãe terra, whatever.





"Acorde mamãe! Olhe lá, tá fazendo sol. Um dia lindo. Perfeito! vem, mãe..."





"Olhe lá a lua! Calma mãe, deixe eu falar com ela: Oooooooiiiiiiiii, lua. Vc é tão linda!"





Mãe reclamando da chuva incessante, das roupas que não secam, do mofo que toma conta de nós e....ouço um chamado. Otto na janela do quarto:





"Vem cá, mamãe. Olhe a chuva! que linda suas gotinhas, né?" - convém informar ao leitor que nesse momento caía um verdadeiro pau d´água.





Mãe reclamando do vento forte e gelado que entope narizes desafortunados e irrita gargantas profundas (oe) e, tentando tirar o Otto bicho-grilo do carro o vejo correr de olhos fechados:





"Mamãe, eu adoro o vento! olhe só..." - convém informar ao leitor que nesse momento o puxei pelo capuz do casaco e mesmo sendo arrastado, ele ria de olhos fechados sentindo as navalhadas de vento gelado na cara.





Como hoje está fazendo um sol lindo por aqui, vou convidá-lo para correr pelo campo e cantaremos em uníssono:





" Let the sunshine, let the sunshine in, let the sunshine in"






Um ótimo final de semana!