Super feliz por ter a Ivana, que escreve o {queridinho}
Coisa de Mãe, aqui conosco. Mãe coruja de um trio de fofuras, ela retrata no seu blog, não só o desenvolvimento dos seus filhos, mas suas reflexões como mãe. E não esconde as derrapadas do percurso, o que faz com que todas nós nos sintamos mais aliviadas por saber que os medos não são propriedade nossa. É aí que rola a identificação!
Sou suspeitíssima pra falar, mas adoro a forma serena com a qual expõe suas ideias e a delicadeza com que aborda assuntos controversos. E são caratectísticas como essas que a tornam tão especial e tão querida nessa imensa rede que é a blogosfera.
Sobre ser mãe de 3 - por Ivana Pirajá
Antes de qualquer coisa, queria dizer que é uma honra estar aqui hoje. É a primeira vez que sou convidada para escrever em outro blog e a minha estreia em outros cantos não poderia ter sido melhor. Conheci Dani através desse imenso mundo virtual e já posso afirmar que foi um dos melhores presentes que ganhei, pela pessoa que ela é, o que se revela de forma inconfundível nos textos que escreve, e pela capacidade que tem de fazer a gente refletir sobre muita coisa que às vezes escapa aos nossos olhos. Obrigada Dani, pela oportunidade e pelo carinho.
Eu pensei em tantas coisas pra falar, mas eu confesso que sou tão coruja, mas tão coruja que, claro, tinha de falar sobre os meus filhos, ou melhor, sobre a minha experiência como mãe de três: Carolina, 7 anos, Alice, 4 anos e 8 meses e João, 1 ano e 9 meses.
Quando engravidei do meu caçula, que não foi programado, mas esperado, um querido amigo nosso, depois de vibrar com a notícia, disse-nos: “vocês vão entrar para o seleto grupo de pais jovens com três filhos”. Sabe quando você olha para os lados e não vê ninguém para lhe socorrer, procura um casal amigo com três filhos para compartilhar, buscar relatos, experiências e não encontra ninguém!? A partir dali, não éramos mais quatro, mas cinco, unidos, decidindo juntos os próximos passos. Passado o susto, vivi cada segundo com muita alegria e expectativa.
Quando tive Carol, a minha primogênita, estava tão envolvida com as emoções inerentes a uma mãe de primeira viagem, atordoada com tanta coisa nova, cercada de alguns medos, algumas incertezas e preocupada em fazer tudo certo, cuidar bem da cria e ser “a melhor mãe do mundo”, que muita coisa passou sem que tivesse percebido (e só me dei conta disso depois que seus irmãos nasceram). Tinha de ser perfeita, porque essa era a imagem que eu queria ela construísse a meu respeito.
Quando engravidei de Alice, antes de Carol fazer dois anos, as coisas começaram a mudar. Já não me cobrava tanto, curti mais a gravidez, vivi intensamente o nascimento dela, porque já sabia tudo o que enfrentaria pela frente (mesmo com a noção de que cada gravidez é uma gravidez). Passei a observar as minhas emoções, valorizá-las, e aproveitar cada momento com mais tranquilidade. Sabia o que fazer, sentia-me segura em muitos aspectos. O segundo filho traz essa confiança que a gente tanto corre atrás quando tem o primeiro e não consegue alcançar, ainda que todos digam que você nasceu pra ser mãe.
Com a chegada de João, aí sim, relaxei de vez. Não que tenha me tornado despreocupada, desatenta, independente, nada disso. A experiência com as meninas me trouxe muito mais tranquilidade, o mundo já não era mais o mesmo de quando tinha apenas um filho, eu já conseguia me virar sozinha e vivi com João, ainda bem bebezinho, momentos muito especiais, com um olhar mais maduro, mais sensível ao que era, de fato, importante, mais preparado para enfrentar qualquer adversidade que surgisse. Até o parto foi diferente, prestei a atenção em cada detalhe, experimentei cada contração com muito mais emoção (sinto até saudade...), e as dores já tinham outro significado. Eram dores de alegria e de agradecimento por estar vivendo tudo de novo.
Não tenho dúvidas de que me transformei com o nascimento de cada um deles, amadureci, ganhei a capacidade de enxergar o que era relevante e descartar o que não valia a pena, aprendi a filtrar as coisas que lia e ouvia, fortaleci a capacidade de escutar o meu instinto, através das experiências que vivi e tentando aproveitar as oportunidades para aprender mais e errar menos nas minhas escolhas.
Assim como meus filhos são muito diferentes um do outro, eu também não fui a mesma mãe o tempo todo. Porque não tem como não mudar, não se transformar, quando se vive a experiência da maternidade por três vezes.
Não é fácil cuidar de três crianças, de administrar personalidades tão diferentes, de tentar entender o que cada um deseja, o que cada um espera da vida e de tentar manter o humor e a paciência diante das brigas, dos contratempos, das coisas que programamos e não dão certo. Há dias em que os três chamam “mãe” um milhão de vezes cada, ou aqueles em que todos querem falar e serem ouvidos ao mesmo tempo, aqueles em que todos estão doentes, querem colo na mesma hora ou querem brincar comigo sozinhos.
Tenho medos, sim, de errar, do futuro...porque quero muito, como qualquer mãe, que eles sejam muito felizes, independente das escolhas que fizerem.
Com todas as turbulências que de vez em quando enfrentamos, não vou cansar de dizer que, se eu pudesse, tipo, se ganhasse na loteria, seria mãe de dez.
Não falei que ela é especial? Quer mais? Vai lá no
Coisa de Mãe, vai.