sábado, 30 de julho de 2011

Compartilhando reflexões bloguísticas









Dia desses estava lendo uns posts antigos da Renata, a Mulher Vitrola e encontrei esse que me fez pensar. Conheci esse movimento Volta Mundo Blogueiro, através dela, mas não sabia muita coisa a respeito.





A reflexão que ela propõe é sobre a falta de identidade nos blogs de hoje. São muitos blogs que, visando atrair público se transformam em verdadeiras pageviews - segundo ela. E eu como sou nova no ramo e adoro um motivo pra refletir, fiquei com uma série de questionamentos e pretendo levantar um debate por aqui também.





Quando decidi blogar, achei que não passaria dos dez seguidores, justamente por não ter muita coisa a oferecer. Afinal, não tenho dicas crafts, de decoração, de moda ou beleza pra dar por aqui. Não seria esse o mote do blog, enfim...as pessoas foram chegando por pura identificação e comecei a agir com elas da maneira como gostaria que agissem comigo.





Sempre achei de uma antipatia enorme aquelas pessoas que nunca, eu digo nunca, retribuíram uma visita ou agradeceram pela visita. E vejam bem, não estou falando em seguir um blog, mas sim da boa e velha cortesia mesmo. Uma pessoa te visita sempre, está lá todos os dias se dispondo a te dedicar alguns minutos do tempo dela e vc passa uma vida sem retribuir....vale uma reflexão, né? E é o que propõe aqui, a Lidiane do Bicha Fêmea.





Dimodusquê, sempre tento retribuir as visitas. Como o blog está crescendo {thks, Lord} o número de comentários também e visando maior praticidade, também seguindo o bom exemplo de algumas blogueiras, passei a responder os comentários pelo próprio e-mail. Achei que seria fácil, mas muitas não tem o e-mail disponibilizado no perfil. Então, gente, faço coro a Dani - Moça de Família - e lhes peço: facilitem o acesso até vcs. Afinal, é essa interação que todos nós buscamos.



E nem precisa falar das letras de verificação, né? Atrapalham muito, muitíssimo.





Outra coisa: vc curte {botãozinho do face} os textos que julga interessante? Ou curte e indica apenas o dazamigas, também blogueiras? Utilizem mais esse recurso, pois é uma ótima ferramenta pra propagar ideias e fazer outras pessoas conhecerem um blog de sua preferência. Isso acaba dizendo muita coisa sobre vc também.





Enfim.





{ah!já curtiram a página do balzaca materna no face? curtam.}





Continuo achando que blogosfera requer união e não exclusivismo, além de respeito e educação.





E vcs, acrescentariam algo a essas reflexões???










sexta-feira, 29 de julho de 2011

A primeira vez - de novo!




via we heart it






Absolutamente ansiosa - assim que se sentiu no seu primeiro dia, assim como se sentem os primeiros dias.





Tomou um banho demorado, procurou se vestir com um pouco mais de capricho. Acha até que desaprendeu a se vestir...é que nesses anos todos exercendo a função de mãe mudou não só a forma de ver o mundo, mas o guarda-roupa, que ganhou um quê de praticidade. Conseguiu usar um pouco de maquiagem, o suficiente para dor a uma cara cansada.





Pensou até em usar um salto, mas achou artificial demais pra ela nesse primeiro momento.





O diferente dessa vez é ter marido e filha, na saída, respaldando o primeiro passo. E com o coração aos pulos, foi ao encontro de si.





****





Última semana de férias. Primeira semana de aula.





A primeira vez que entrei na faculdade, tinha 19 anos, apesar de tentar não consigo linkar os dois eventos. Tudo me parece tão distante, como se tivesse acontecido em outra vida. Hoje, me sinto muito mais segura do que eu quero ou pelo menos, tenho muito mais comprometimento que à época em que eu achava que a vida poderia me esperar.





Nesse primeiro momento, continuo atrapalhada, tentando recobrar habilidades que, seguindo a lei do uso e desuso, foram perdidas no caminho. Passei essa semana puxando, cobrando da memória...tenho que me readaptar não só ao jargão, mas a consultar os códigos. Tô enferrujada!





Tô apostando que vai ser muito bom ter essas horas de paixão absoluta! Resolvi voltar não apenas pra cumprir uma etapa, sabe? Não quero só o canudo. Eu, de fato, gosto....sou apaixonada pela escolha que fiz.





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Daí que esse mês, comemoramos dez anos de casamento. Pensei em escrever aquele post apaixonado que a situação demanda, mas acabei sendo sorvida pela falta de tempo.





Ao chegar em casa, ainda com o coração aos pulos pela excitação do primeiro dia, dou de cara com o Paulinho. A chave - pensei. Conferi e vi que ela estava sim, comigo...quando desci do carro ouço a confissão. "Estava te esperando".





Olhos cheios de lágrimas. Dos dois. Ele sabia o que isso significava pra mim e eu sabia a importância de sua participação em todo o processo. Cumplicidade.





Parabenizou pela conquista e eu o agradeci, por nunca em todos esses anos, ter me deixado desistir.





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Continuo firme e vacilante sem nicotina.


Ando colecionando "primeiras vezes".


Conta aí, qual sua primeira vez inesquecível...














***A Re da Villa Pano, está convidando a todos pra aproveitar uma MEGA liquidação. Não "percão".



















quarta-feira, 27 de julho de 2011

Fica, tem Coisa de Mãe com Ivana Pirajá Luckesi


Super feliz por ter a Ivana, que escreve o {queridinho} Coisa de Mãe, aqui conosco. Mãe coruja de um trio de fofuras, ela retrata no seu blog, não só o desenvolvimento dos seus filhos, mas suas reflexões como mãe. E não esconde as derrapadas do percurso, o que faz com que todas nós nos sintamos mais aliviadas por saber que os medos não são propriedade nossa. É aí que rola a identificação!





Sou suspeitíssima pra falar, mas adoro a forma serena com a qual expõe suas ideias e a delicadeza com que aborda assuntos controversos. E são caratectísticas como essas que a tornam tão especial e tão querida nessa imensa rede que é a blogosfera.











contações de uma mãe, blog materno, convidada especial, contação de história, superação, aprendizado



Sobre ser mãe de 3 - por Ivana Pirajá




Antes de qualquer coisa, queria dizer que é uma honra estar aqui hoje. É a primeira vez que sou convidada para escrever em outro blog e a minha estreia em outros cantos não poderia ter sido melhor. Conheci Dani através desse imenso mundo virtual e já posso afirmar que foi um dos melhores presentes que ganhei, pela pessoa que ela é, o que se revela de forma inconfundível nos textos que escreve, e pela capacidade que tem de fazer a gente refletir sobre muita coisa que às vezes escapa aos nossos olhos. Obrigada Dani, pela oportunidade e pelo carinho.





Eu pensei em tantas coisas pra falar, mas eu confesso que sou tão coruja, mas tão coruja que, claro, tinha de falar sobre os meus filhos, ou melhor, sobre a minha experiência como mãe de três: Carolina, 7 anos, Alice, 4 anos e 8 meses e João, 1 ano e 9 meses.





Quando engravidei do meu caçula, que não foi programado, mas esperado, um querido amigo nosso, depois de vibrar com a notícia, disse-nos: “vocês vão entrar para o seleto grupo de pais jovens com três filhos”.  Sabe quando você olha para os lados e não vê ninguém para lhe socorrer, procura um casal amigo com três filhos para compartilhar, buscar relatos, experiências e não encontra ninguém!? A partir dali, não éramos mais quatro, mas cinco, unidos, decidindo juntos os próximos passos. Passado o susto, vivi cada segundo com muita alegria e expectativa.





Quando tive Carol, a minha primogênita, estava tão envolvida com as emoções inerentes a uma mãe de primeira viagem, atordoada com tanta coisa nova, cercada de alguns medos, algumas incertezas e preocupada em fazer tudo certo, cuidar bem da cria e ser “a melhor mãe do mundo”, que muita coisa passou sem que tivesse percebido (e só me dei conta disso depois que seus irmãos nasceram). Tinha de ser perfeita, porque essa era a imagem que eu queria ela construísse a meu respeito.





Quando engravidei de Alice, antes de Carol fazer dois anos, as coisas começaram a mudar. Já não me cobrava tanto, curti mais a gravidez, vivi intensamente o nascimento dela, porque já sabia tudo o que enfrentaria pela frente (mesmo com a noção de que cada gravidez é uma gravidez). Passei a observar as minhas emoções, valorizá-las, e aproveitar cada momento com mais tranquilidade. Sabia o que fazer, sentia-me segura em muitos aspectos. O segundo filho traz essa confiança que a gente tanto corre atrás quando tem o primeiro e não consegue alcançar, ainda que todos digam que você nasceu pra ser mãe.





Com a chegada de João, aí sim, relaxei de vez. Não que tenha me tornado despreocupada, desatenta, independente, nada disso. A experiência com as meninas me trouxe muito mais tranquilidade, o mundo já não era mais o mesmo de quando tinha apenas um filho, eu já conseguia me virar sozinha e vivi com João, ainda bem bebezinho, momentos muito especiais, com um olhar mais maduro, mais sensível ao que era, de fato, importante, mais preparado para enfrentar qualquer adversidade que surgisse. Até o parto foi diferente, prestei a atenção em cada detalhe, experimentei cada contração com muito mais emoção (sinto até saudade...), e as dores já tinham outro significado. Eram dores de alegria e de agradecimento por estar vivendo tudo de novo.





Não tenho dúvidas de que me transformei com o nascimento de cada um deles, amadureci, ganhei a capacidade de enxergar o que era relevante e descartar o que não valia a pena, aprendi a filtrar as coisas que lia e ouvia, fortaleci a capacidade de escutar o meu instinto, através das experiências que vivi e tentando aproveitar as oportunidades para aprender mais e errar menos nas minhas escolhas.





Assim como meus filhos são muito diferentes um do outro, eu também não fui a mesma mãe o tempo todo. Porque não tem como não mudar, não se transformar, quando se vive a experiência da maternidade por três vezes.





Não é fácil cuidar de três crianças, de administrar personalidades tão diferentes, de tentar entender o que cada um deseja, o que cada um espera da vida e de tentar manter o humor e a paciência diante das brigas, dos contratempos, das coisas que programamos e não dão certo. Há dias em que os três chamam “mãe” um milhão de vezes cada, ou aqueles em que todos querem falar e serem ouvidos ao mesmo tempo, aqueles em que todos estão doentes, querem colo na mesma hora ou querem brincar comigo sozinhos.





Tenho medos, sim, de errar, do futuro...porque quero muito, como qualquer mãe, que eles sejam muito felizes, independente das escolhas que fizerem.





Com todas as turbulências que de vez em quando enfrentamos, não vou cansar de dizer que, se eu pudesse, tipo, se ganhasse na loteria, seria mãe de dez.








Não falei que ela é especial? Quer mais? Vai lá no Coisa de Mãe, vai.













segunda-feira, 25 de julho de 2011

Culpa ou autopunição?





via We heart it





Quando vejo mães se dizendo culpadas por estarem num salão de beleza, por terem ido ao cinema ver um filme adulto ou simplesmente por estarem sozinhas em casa sem as crias, morro de vontade de libertá-las dessas amarras psicológicas.





Um dia já estive presa a elas. É natural e fez parte de uma fase da minha (nossa) vida, onde eu me sentia completamente deslocada sem meu filho por perto, sem ter de quem cuidar...sem função, sem utilidade. E ao invés de aproveitar os míseros momentos que eu tinha comigo mesma, decidia fazer alguma arrumação na casa ou executar uma receita dificílima - o importante era me ocupar, só pra minimizar a culpa que me corroía.





Com o tempo e com os erros, percebi o mal que me fazia. Se eu estava sozinha em casa, por que não fazer algo que me desse um prazer? Que me deixasse inteiramente relaxada, preparada pra rotina que seria certamente retomada? Não bastava me sentir culpada, teria também que me autopunir?




Estão sozinhas em casa? Tem uma rede de suporte - avós, tios, madrinha - com quem deixar os filhos por um período pra ir ao cinema? a um restaurante? Aproveita pra curtir uns minutos sozinha.






O paradoxo da solidão é que ela nos prepara para a convivência. 













sábado, 23 de julho de 2011

A CARA DO PAI!!!





Você gera um filho por mais de quarenta semanas. Sente ânsias de vômito, enjoa cheiros, comida, passa a sentir azia, dores nas costas, descobre que a bexiga pode pesar e incomodar de maneira incomum, engorda vertiginosamente, sente cãibras e anda de um jeito engraçado durante todo esse período.





O bebê nasce e vc passa a ficar meio de canto, meio jogada, com a aquela barriga mole, mais parecendo um balão furado, com os seios imensos, doloridos, andando como se não houvesse gravidade, ainda por causa do parto...mesmo assim e acima de tudo isso, sente um orgulho enorme de apresentar seu bebê para os entes queridos.





E o que eles fazem?



FAMÍLIA PATERNA: Pegam o bebê no colo, te ignoram completamente e confraternizam entre si gritando e alardeando com histeria:





- É A CARA DO PAI!!!! A CARA! sorte não ter saído com o nariz da mãe! - te olham de cima abaixo e completam de maneira sutil:


- HAHAHAHA (deboche detected) não se parece em NADA (fazem questão de enfatizar) contigo. Conta a verdade, só emprestou a barriga, né?



FAMÍLIA MATERNA: Pegam o bebê no colo, te ignoram completamente e confabulam entre si cochichando e constatando com frustração:



- NÃO TEM NADA DA MÃE! NA-DA, nem mesmo a cor dos olhos. - olham pra vc e pro marido de cima abaixo e completam de maneira sutil:

- HAHAHAHA (deboche detected) ainda bem que o pai não é feio, poderia ser pior... 





Peguem essa situação e multipliquem por dois.







Prova recente do roubo descarado de genes maternos







Duro descobrir que vc não passa de uma grande máquina de xerocopiar, mas mesmo um pouco recalcada, continuo amando essas pequenas criaturas que renegaram meus genes.



Quem nunca passou por essas saias justas familiares, hein?



(Fiquei roendo por causa desse post da Re.)




















quinta-feira, 21 de julho de 2011

Sistema corta pingo (ou o sono do bebê)




We heart it








Reza a lenda: nunca, jamais, em hipótese alguma elogie quando alguma coisa estiver dando certo com seu filho. Sabe aquele mãedamento? Não cantarás vitória antes do tempo? Quase a mesma coisa.





Daí, que eu estava incontrolável, divulgando via face e tuí como o Otto é dorminhoco e tal. Sonho de consumo de toda mãe é ter um filho acordando às 11 da matina, né não? Alegria válida quando ele vai dormir no horário regulamentar de férias, que são às 21h, a saber.





Vibrei tanto, me exibi tanto que o universo resolveu conspirar contra mim, contra nós.





Quando o Otto era um bebê, desconfiava que todos os infantes possuíam um plano para acordar a mãe de forma sistemática, de modos a parecer uma tortura. E funciona basicamente assim:






  • ele acorda. Vc levanta, acalenta, oferece peito, carinho e canta. Volta pra cama nas pontas dos pés e prendendo a respiração. Deita. O teu corpo volta a esquentar debaixo dos cobertores, vc apura o ouvido e quando resolve confiar no silêncio que reina absoluto e teu olho vaaaaiii fechando.....pimba! Ele acorda.



  • vc num susto e toda se tremendo, levanta puro cacos de desespero e o processo se repete. Infinitas vezes, por meses...anos a fio.







Agora, eu vos pergunto: por que esperar que o nosso corpitcho esquente sob os lençóis? Por que esperar que nossos olhos fechem? Por que? Por que?





É um plano tão perfeitamente arquitetado que eu imagino que todos eles, além de sensores, venham equipados com cronômetro. E fiquem cronometrando nosso desespero e dando risadinhas no berço!!!





Melhor de tudo é saber que depois de 3 anos (!!!) eles continuem com a capacidade de fazer tudo de forma tão sistemática e perfeitamente cronometrada.



















quarta-feira, 20 de julho de 2011

Pra não perder o foco










We heart it








Tenho pressa e tanta coisa me interessa...








- Sexta passada teve reunião do Otto na escola, regada a chocolate quente. Guardei a febre na gaveta, vesti um casaco quentinho e fui. Essa eu não perderia por nada...ouvi e li tanta coisa linda a respeito do meu filho. A melhor foi ouvir de uma terceira pessoa, pois sempre me julgo suspeita em julgamentos dessa natureza. "Dani, o Otto é criança na essência!" "Tem uma bagagem tão grande de conhecimento, que as aulas giram em torno dele. É adorado por todos." Preciso dizer que morri de orgulho? Que chorei de alegria e alívio por saber que faço, como mãe, um bom trabalho?






- Penso que a ignorância pode ser uma benção. Há alguns anos me afastei completamente das teorias maternas, pois as achava muito taxativas. Era muita informação, tanta que eu tinha medo de não suportar! Fora, que eu não queria ser enquadrada em nenhuma categoria. Não sei quem são os autores queridinhos da atualidade, aliás, estou inclinadíssima pra ler um livro da Laura Gutman, que fiquei conhecendo graças a Pat. Fiquei curiosa, muito curiosa....será que vale mesmo a pena?






- Essa é a primeira semana de férias das crianças e a segunda do marido. Continuo adoentada e pra completar o serviço, hoje o Otto apareceu com 38,5° de febre. Resultado de um inverno chuvoso e úmido. Eca.






- Continuo firme e forte no propósito de largar o cigarro. Mentira. Penso em vacilar e ceder à tentação cinco vezes ao dia. Tenho me apegado muito num conselho pra lá de cientifíco que Anne me deu: que o processo compulsivo tem vinte minutos de efeito no cérebro e passa. Volta e passa. Nessa hora, saio de circulação e vou tomar banho. Tem funcionado.






- Quando eu decidi parar, joguei um maço novinho, lacrado no lixo e me apeguei ao que estava aberto, pois ainda tinha uns cinco cigarros. Fumei dois por dia, até que a porcaria acabou. E há dois dias estou limpa. E louca.






- Tento me apegar a ideia de uma pele linda (que eu nunca tive) e de trocar esse hábito por vários outros, como passar hidratante depois do banho (detesto me sentir melada) e de comer mais frutas e beber mais água durante o dia. Novos hábitos, futuro sem fumaça. Quem sabe eu não entro numa academia? Não, melhor não.








Então é isso...continuem torcendo.


E quem fuma e não quiser parar, não me conte.

Sou  muito vulnerável.















Ah! Claro que eu estou participando do sorteio de lançamento do Minha Mãe que Disse.















terça-feira, 19 de julho de 2011

Série 20 e poucos anos - o dia em que virei mau exemplo




Se existe uma habilidade que eu adorava ter nos meus 20 e poucos anos, era a de devolver a bola quicando.



Sempre que provocada, eu respondia, não era do meu feitio deixar passar nada...seja pra responder um elogio ou um desaforo. Não perdia a oportunidade de ficar calada. Isso nunca!





E essa prepotência altiva parece ser bem típico das pessoas dessa faixa etária. Aliás, foi uma fase deliciosamente megalomaníaca, onde eu sabia de absolutamente tudo o que me rodeava e tinha certeza de tudo o que eu jamais seria.





As palavras usadas para compor um discurso petulante eram fortes e antagônicas. Isso dava mais credibilidade e passava a maturidade que eu fingia de forma exasperada ter. Glorioso era aparentar ter mais idade e ser o que, de fato, não era.



Vomitava Bucowski e arrotava  Dostoiévski nas mesas de bar, divagando incríveis teorias de buteco. A piedade vinha sempre quando via mulheres casadas, grávidas ou com neném de colo. Coitadas! Passariam o resto de suas vidas lavando cuecas e cueiros. (a-ham)





O tempo passou, as coisas mudaram, o discurso minguou. O cuspe caiu certeiro num olho, que me deixou temporariamente cega e como efeito colateral, passei a ver tudo de forma diferente. O ar prepotente foi perdendo força, estava com medo de brincar com a energia do universo. Vai que...


















O tempo é agora, ou quase. Aconteceu há um ano atrás e na ocasião eu já era balzaca... e materna!





Estava visitando a senhora que tão bem nos acolheu aqui, em Floripa. A saber: ela é mãe de um homem de 30 e poucos e de uma mulher com quase 30.


Conversávamos e ela aproveitava para desabafar suas angústias de mãe e me confessou que sua filha dava muito trabalho. "Imagina que agora a menina quer casar. E, pior: ter filhos" - detalhe, a menina é médica e ganha bem, obrigada.





Ouvia tudo educamente, sacudindo minha cabeça para trás e para frente, para um lado e para o outro, da forma que me convinha. Aí de repente, no meio do desabafo acalorado e angustiado dessa mãe, ela diz: " o que vc quer? Ficar igual a Daniele, sendo uma dona de casa aos 30 e mãe de dois. DO-IS filhos? É isso que vc quer?"





(cara de koo)





"Ahh, desculpe, minha linda, mas tive que ser honesta com minha filha e usei vc como exemplo."





(cara de koo, again)





Apoplética - fiquei paralisada em muda frustração.



Tive preguiça de fazer um resumão da minha vida pra ela e de lhe dizer que não me sinto uma derrotada, apenas que tive a possibilidade de fazer uma escolha. E que hoje, ao contrário de alguns anos atrás, tenho qualidade de vida, que ficar em casa cuidando dos meus próprios filhos faz parte de um grande plano materno para dominarmos o mundo.





No fundo, também calei por respeito e por consideração. Alguém na platéia pode estar gritando: maturidade! Vc cresceu! Ah, é? Prefiro ser aquela metaformose pedante E ter aquela velha opinião formada sobre tudo.





Depois de todo esse conflito interno que não foi oralizado, fiquei com vontade de confrontar essa senhora com meu- eu- de- 20- e- poucos- anos. Ela ia ver o que era bom pra tosse.





E vcs já passaram por isso, algum dia, durante o exercício da maternidade?


O que vcs diriam? Joguem os dardos.










sexta-feira, 15 de julho de 2011

O diagnóstico e uma decisão


Adoeci na semana de aniversário do Otto e procrastinei a ida ao médico até hoje, por achar que se tratava de uma simples gripe e culpei a onda de frio que veio para castigar!





Passados mais de dez dias e nenhuma melhora, comecei a levantar as antenas e ficar mais atenta aos sintomas. Febre, calafrios, tosse, dor torácica....voltei aos tempos de infância. E como sempre muito doentinha, já deduzi um possível diagnóstico: pneumonia.





E não é que foi confirmado hoje, na consulta? Precisando de uma médica paranormal, me procurem.
















Fumo.





Comecei esse péssimo hábito aos 19 anos. No começo por pura curiosidade com aqueles cigarrinhos de menta, mel, canela e sei lá mais o quê...e passou a acompanhar minhas crises existenciais ao som de Dylan, o Bob.





Depois, passei a aceitar o cigarro como muleta psicológica, antes eles que aqueles horrorosos tarjas pretas que me receitavam. Raciocínio brilhante o meu. Precisando de uma psicóloga de boteco, me procurem.





Apesar de ser Dani, não sou como a Winitts que fumou na gravidez e depois na cara de seu bebê. A minha maior burrice foi ter voltado a fumar depois de duas gravidezes! Quase três anos, juntando as duas.





Sou uma fumante super consciente, se é que isso existe. Não fumo perto de ninguém, seja fumante ou não. É um hábito solitário, um exílio voluntário. Fumo pouquíssimo para os padrões: apenas 5 cigarros ao dia e me escondo para fazer isso, de modo que meus filhos nunca, jamais estão presentes nessas horas.





Além de tudo sou alérgica a cigarro. Só fumo uma marca específica e sempre, depois das tragadas intoxicantes e prazerosas, tenho que cumprir um pequeno ritual: lavar mãos, antebraços e boca e escovar os dentes. Sempre. Sendo assim, se torna impraticável fumar em qualque lugar, tanto que não ando com cigarros na bolsa.





Mesmo com todos esses cuidados, quero me livrar desse vício maldito. Essa, inclusive, era a minha resolução número 1 da listinha do reveillon do ano passado. Só que tive preguiça....dá um trabalho hercúleo deixar de fazer qualquer coisa e estou sempre tentando evitar conflitos, mesmo que o conflito seja comigo mesma. Procurando uma pessoa decidida, não me procurem.





Fora que quando decido parar de fumar, começa a me dar uma fissura louca e fumo além do habitual. Por que será que isso acontece? (inclusive estou fumando nas calças, nesse exato momento)





Bom, agora com pneumonia, já comecei a me imaginar com enfisema pulmonar e outras coisas do gênero. Tenho uma veia dramática que não sei explicar a origem, mas me acompanha e acaba sempre fazendo parte do meu show, como diz a @priperlatti.





OLD HABITS DIE HARD, já cantarolava  Mick, o Jagger, mas sinto decepcioná-lo.





E eu preciso parar de escrever, porque berotec + atrovent dá um barato louco e uma tremedeira sem precedente, mas antes preciso pedir paciência, pois a partir de agora serei uma abstinente. Fora que também estou convalescendo....





E o primeiro passo é me assumir impotente perante o vício. Nicotina, I hate you.


Sem cigarros.





SÓ POR HOJE.













Aproveitem o final de semana.



















quarta-feira, 13 de julho de 2011

Fica, hoje tem Mari Hart - a Mãe Polvo - a Mãe diferente


A convidada de hoje, a Mari Hart, mulher corajosa, guerreira, otimista - que escreve de forma incrivelmente leve o Diário de Mãe Polvo. E ela o escreve de uma forma tão sincera, tão intensa que ora nos faz chorar, ora nos faz rir. E de um jeito ou de outro, sempre faz com que a gente se sinta melhor.





Mãe da linda Stella, do super Pedro e do doce e diferente Leo, Mari tem uma forma de enxergar o mundo que nos encanta a todos, vejam por que:










deficiência paralisia cerebral superação mãe polvo
Família polvo





UMA MÃE DIFERENTE - por Mari Hart




Quando tive a honra de ser convidada pela Dani a escrever aqui em seu espaço, muitos temas relevantes sobre a maternagem vieram a minha cabeça. Partos. Estilo de vida. Culpa. Trabalho X Carreira. Amamentação. Afinal também sou uma balzaquiana materna, mas tudo se tornaria redundante diante de um blog tão lindo como esse. Busquei ser diferente, e para meu espanto o assunto a ser abordado estava bem diante de mim. Exatamente ela: a diferença.






Quando engravidamos, seja planejado ou não, muitos sonhos e desejos vêm a nossa cabeça. Imaginamos a carinha do nosso bebê, seu primeiro sorriso, seus primeiros passos, as primeiras palavras. E eu como qualquer outra mulher, ao me deparar com o resultado positivo de um beta HCG, imaginei o mesmo. Logo veio o primeiro susto: gêmeos. Que sorte!  Ter tudo o que uma mulher sonha em dobro é para privilegiadas! E era assim que eu me sentia, especial por ter sido abençoada com uma gestação gemelar.






Mas e quando todos aqueles sonhos vão por água abaixo diante de adversidades, trapalhadas e incompetência médica, junto com o descaso e uma pitada de destino!? Quando o que planejamos não sai como o esperado!?






Leo e Pedro nasceram prematuramente no revéillon de 2006/2007. Na manhã do primeiro dia do ano, enquanto muitos se recuperavam da festança da madrugada anterior, eu ia embora da maternidade com os braços vazios. Uma dor e sensação de fracasso nunca sentido antes tomaram conta do meu ser. Aquele janeiro de 2007 na UTI neo natal, foi um divisor de águas e mal sabia eu o que ainda me esperava pela frente. Dali me tornei de fato uma mulher. Busquei forças onde eu nem sabia que existia, ri, chorei, sofri, fui ao fundo do poço e me reergui diante do diagnóstico do Leo: hemorragia intracraniana grau IV.






Busquei informações, li livros, conversei com especialistas, entrei em debates em fóruns na internet e logo na minha primeira googlada, o que vi foi uma foto de um menino em uma cadeira de rodas. Caí aos prantos, confesso que morria de pena destas crianças. Como poderia haver tanta injustiça?! Coitadas dessas mães! Imaginava pessoas limitadas, impedidas de serem crianças sobre rodas, o que seria do meu filho?! E eu perguntava: Pq eu?! Pq nós!? Pq ele!?






E então Leo e Pedro tiveram alta. Pedro apesar de ter nascido com pouco mais de 1 kg, logo cresceu e surpreendeu com sua força e vitalidade que o mantém até hoje, 4 anos depois com todo o apoio da super irmã mais velha, Stella hoje com 11 anos. Leo, apesar de clinicamente saudável, depois de ter vencido uma infecção generalizada, icterícia, hidrocefalia, desconforto respiratório e anemia, continuava estático. E então entendi que meu filho era portador de PARALISIA CEREBRAL, nunca foi preciso que nenhum médico me dissesse isso, aprendi sozinha. E a partir daí, conheci um novo mundo até então oculto a meus olhos. O das mães diferentes.






Não costumo usar o termo "mãe especial"  mais conhecido popularmente, pq para mim especial somos todos nós. E é o que procuro passar a meus outros filhos, que o irmão é DEFICIENTE, e os 3 são especiais. Aquela pena sentida antes deu lugar a uma paixão incondicional disposta a doar sua alma, sua vida, sua carreira por um missão, que esta sim é especial de fato, a de cuidadora de um gerador de amor. O sentido de injustiça, foi-se embora junto com todo tabu que envolve a deficiência mandando o preconceito para bem longe.  A minha idéia de limitação se transformou em superação. E o impedimento se tornou apenas um empecilho fácil de driblar, que é a cadeira de rodas, hoje disputada pelos irmãos e seus amiguinhos que querem dar umas voltas e apostar corrida em meio a muitas gargalhadas!






E enfim descobri que qdo há amor, carinho, união, cumplicidade, alegria e amizade, a deficiência se torna apenas um detalhe na vida. Aprendi que é possível ser muito feliz sim com as diferenças, e que aquele bebê que eu sonhava engatinhando, falando 'mamãe', nunca irá existir, mas foi substituído pelo amor mais genuíno de todos na face da terra. O amor vindo da pureza de um anjo. E hoje sou grata a ele todos os dias por sua existência. Do jeitinho que ele é. Porquê o importante é viver plenamente, mesmo que sejamos diferentes. A maior lição de todas já aprendidas. E muito bem ensinada por ele -quem diria!- tão pequeno, mas tão grande, o guerreiro Leo.



Se quiserem saber mais sobre o universo dessa Mãe Polvo, corram. É por aqui.

terça-feira, 12 de julho de 2011

Festa na escola - simplicidade e alegria




Neste ano estávamos decididos a comemorar o aniversário do Otto. Depois de muito pensar, resolvemos fazer uma comemoração simples, porém bonita, na própria escola. Sai muito mais barato e ele estaria ao lado dos amiguinhos, num ambiente que já conhece.





O tema foi decidido por ele, que há meses só fala em piratas. De posse dessa informação, procurei a Lu Brasil, do Miss Brasil Atelier e pedi que personalizasse alguns itens: banner com o nome, jogo americano, squeeze, caixinha pro lanche, wrappers e toppers para os cupcakes.
















A escola dos meninos é cheia de particularidades, por ter uma pedagogia mais alternativa. Detesto essa alcunha, mas nada melhor me ocorre agora para descrevê-la. E a festa para ser comemorada lá, deveria seguir algumas regrinhas. E uma delas, era a proibição às lembrancinhas! Fiquei um pouco frustrada, confesso, mas conversando com o Paulinho, ele me fez relembrar de como eram os aniversários antigamente. Ah! e o aniversariante não ganharia presente dos amiguinhos, mas sim, um presente elaborado pela própria turma, que por sinal, amei. A turminha fez um jogo da memória com a foto de todos e seus signos de identificação, que esse ano são os animais. Uma fofura!










A parte boa é que liberaram umas guloseimas. Porque ser xiita em aniversário de criança não rola, né? Fora essas jujubas azedinhas, preparei brigadeiros de copinho. Sim, porque como mãe sou uma fraude, além do que, minha religião não permite enrolar brigadeiros. E acabei fazendo uma firula com uns rótulos a mais que a Lu Brasil me mandou de brinde. Ficaram fofos, né?









Usamos o próprio refeitório da turma, que é protegido por um toldo transparente que protege do vento frio, sem prejudicar a luminosidade.



As squeezes foram uma ótima escolha, a meu ver. Além de servirem de lembrancinha disfarçada, evitou aquela lambuseira de suco derramado na toalha (usei tnt). Pedi a opinião das professoras pra escolher o cardápio. E optei por pãozinho de queijo, que foram dentro das caixinhas e uns salgados assados de queijo e presunto e frango com gergelim. Ah! servi sucos de laranja e uva!









Contei com a ajuda de uma grande amiga, a Nicole, que além de ter me emprestado essas bandejas baphônicas e o suporte para cupcakes, ainda nos presenteou com vááários dos bolinhos. Assim, tivemos cups de cenoura com cobertura de brigadeiro de dois fornecedores: os dela e os da Amorá. E assim, ficou a mesa do bolo:

















Detalhes dos wrappers, toppers de caveira, barcos e piratas e do banner:
















Posso dizer? Eles amaram, se comportaram de forma fofolética e curtiram cada detalhe. Principalmente esses ó:















E um sorrisão desses compensa ou não compensa todo esforço, hein?



Vcs gostaram? Contem-me tu-do.







sexta-feira, 8 de julho de 2011

Otto - 3 ANOS














Parece que foi ontem - qual mãe não solta esse clássico no dia do aniversário do filho? Mãe, agora eu te entendo. 





Consigo lembrar de todos os detalhes que nos aconteceu nesses 3 anos! A ida para maternidade, a sensação do parto, a primeira mamada, o dia em que o apresentei para Bia, a chegada em casa e as dúvidas que me afligiam: será que vou dar conta? Como vai ser de agora em diante?



Consigo sentir ainda, o cheirinho doce do leite materno, que saia de sua respiração, lembro de todas as vezes que levantava na madrugada, não porque vc estava com fome, mas  só porque queria ficar no colinho.





Nos ensinou tanta coisa, mudou completamente a dinâmica da casa e nos deixou mais leves. Passou a ser o sol na nossa vida! Era tão incrivelmente curioso e parecia gostar tanto da vida...sim, porque começou a viver muito, muito cedo. Aos quatro meses engatinhava, aos seis se equilibrava se segurando nos móveis, aos 7 começou a falar, aos 10 corria pela casa....foram tantas as quedas e vc parecia não se importar. Já meu pobre coração, vivia sob ameaça de tanta emoção....








5 meses - do jeito que gosta, livre



A vida com vc foi  e está sendo muito mais feliz. É o menino amigo, típico canceriano que espanta qualquer tristeza com uma gargalhada gostosa. É daqueles meninos de pés no chão e coração aberto...tem uma intimidade enorme com bolas, carrinhos e até com as ferramentas do pai; que brinca até não restar uma só parte do corpo sem sujeira.



Daqueles meninos que quando quer fazer uma surpresa pra mãe, não colhe apenas florzinhas no jardim, traz uma mão cheia de minhocas gosmentas. E a mãe, diante do inesperado, hoje ri e até se envaidece!



Otto é a oportunidade que a vida deu, de não levarmos a vida tão a sério.

É meu raio de sol, que aquece e ilumina.









Parabéns, meu filho, que vc seja imensamente feliz.

Com (todo) amor,

Mamãe







quinta-feira, 7 de julho de 2011

Morri


Semana do aniversário do Otto e o que acontece com a mãe? Cai de cama. Aliás cama não, que isso é para os fracos, fiquei doente mesmo. E de pé. E batendo perna atrás de comprar as últimas coisinhas, mesmo gemendo e com febre.





Ontem a noite, ele mesmo pediu pra dormir. " Vem, mãe. Estou com muito sono." Sabia, Deus, que um dia  ouviria isso!





O coloquei na cama, contei a historinha, abracei, dei beijo de boa noite e quando estava saindo do quarto, ouvi um:





- Venha cá, mãe. Diz que me ama.





PLOFT.







Foto tirada em maio, o imaginem com 3 camadas de roupa








Já estão participando do sorteio???

Ainda dá tempo, tudo explicadinho nesse post.








quarta-feira, 6 de julho de 2011

Fica, tem convidada especial: Mãe do Bento





Posso falar? Estou tão feliz por poder ter aqui no blog pessoas tão queridas....a convidada de hoje, é a Sarah que escreve o Mãe do Bento - onde ela retrata não só o desenvolvimento do Bento (fofo!), como seu aprendizado diário como mãe, nos brindando com ótimas reflexões.





Desde o dia que descobri o blog, me tornei leitora assídua. Vejam por que.











Teoria da Relatividade - por Sarah, a mãe do Bento




Todo mundo já ouviu falar na Teoria da Relatividade.


Não, não vou explicar física aqui - até porque essa era a matéria que eu mais detestava na escola. Só conseguia prestar atenção porque o professor era bonitão (rá!), mas eu me lembro que a teoria da relatividade se baseia no conceito de referencial. Aquilo que a gente toma por referência, como ponto básico para observar outros pontos. E o que isso tem a ver com maternidade? Tudo. Porque, a partir do momento em que cruzamos o portal da maternidade, mudamos o foco e nossos referenciais passam a ser outros. Ou melhor, outro: o filho.





Na era pré-maternidade, nosso referencial de diversão era uma festa, uma reunião na casa de amigos, um encontro familiar, um jantar-cinema com marido. Nasce o bebê e pimba: o conceito de balada é substituído pelo de embalar. Passar noite em claro e dormir picado vira rotina. Jantar? Geralmente às pressas, e com a comida já fria. E tempo livre passa a ser artigo de luxo (aliás, nem lembro o que eu fazia com tanto tempo livre!).





E assim acontece com todos os nossos antigos referenciais. Comprar roupa era legal? Continua sendo, mas agora a roupa nem é pra gente, e saímos felizes da loja mesmo assim, cheias de sacolas. Comer porcaria quando der na telha? Ah não, não é saudável, preciso dar exemplo e ensinar a criança a comer direito desde cedo, para não virar chocólatra como eu. Então vamos passear? Vamos, desde que estejamos em casa antes das 21h, que é o horário dele dormir.





É como se passássemos a ver o mundo com uma lente na mão. Esse ambiente/essas pessoas/esses objetos/essas experiências são legais pro meu filho? Se passam no crivo materno, aprovado; se não, está fora.





E cadê a diversão nisso tudo? A diversão está ali, no seu colo, todos os dias. Dando um trabalho danado, mas retribuindo com o sorriso mais lindo que você já viu. Te ensinando a todo momento a lidar com surpresas, com imprevistos, com desafios. Até dá saudade de vez em quando daqueles dias de ócio, de ficar jogada no sofá lendo um livro ou vendo um filme. Mas confesso que, quando tenho momentos assim, fico até entediada. Porque até mesmo nos momentos de ócio a gente pensa nos filhos. Isso é que é mudar o referencial.








Se vc quiser conhecer um pouco mais da Mãe do Bento, corre.


Recomendo.











terça-feira, 5 de julho de 2011

Cozinha - paixão ou aversão?













Sempre gostei de cozinhar e comecei o ofício ainda na adolescência. Aprendi observando minhas avós e meu pai, que era um boleiro dos melhores. Era tão exibido que dispensava a ajuda da batedeira!





E não é sempre assim? Cheiros e sabores nos remetem à lugares, à pessoas, à épocas. Cozinha é sim um lugar de lembranças, de gente reunida, de memórias afetivas.





Só que cozinhar quando se mora na casa da mãe é hobby. Tudo o que eu precisava era me dispor a cozinhar e a "menina" que trabalhava lá em casa, já deixava tudo que eu iria precisar bem picadinho, só esperando a chef entrar em ação!





Quando eu casei, continuei a brincadeira. Afinal, a novidade de orquestrar a minha própria cozinha era uma motivação e tanto. E ficava lá, à Maria Cesárea (cordel encantado) brincando de alquimista. Experimentando condimentos, texturas....era uma brincadeira sinestésica de aromas e sabores.





Daí, veio a Bia e a motivação triplicou. Só eu podia cozinhar pra ela e era tudo meticulosamente escolhido e preparado. Adorava tudo aquilo. Passamos pela fase das papinhas e ela foi iniciada pela comida, no mundo dos adultos. Tudo deliciosamente saudável e preparado com um carinho extra. Na fase da lancheira, me superei. Eram tantos os bolos e de tantos sabores...e a casa se enchia ora de perfume de chocolate de uma calda que caía meticulosa pela lateral de um bolo de cenoura, ora de laranja que de tão gostoso dispensava complementos açucarados. E tinha a convicção de que essa época seria lembrada por ela, anos mais tarde - cheirinho de casa de mãe. É ou não é?





O supermercado pra mim, era um paraíso de possibilidades. Ia como uma profissional, com listinha em papel cute, caneta a postos para ticar item por item. E os vendo já lhes atribuía função. O que seria de forno e o que seria de fogão. Viu? Pura poesia.





Daí, veio o Otto. E eu confesso que me perdi da cozinha. Continuei a encarar o fogão e meus dois braços nunca fizeram tanto sentido quanto a utilidade. Um mexia uma panela de legumes molengas outra mexia a comida de verdade. Perdeu-se a magia. Já não queria mais brincar de alquimista. Poesia que nada, o negócio tava punk!





Nessa fase da minha vida só queria brincar de urso no inverno, pra poder hibernar por um longo período. E elaborar cardápios diários era uma tortura mental que me acometia nas madrugas em que eu o embalava. O que fazer amanhã pra hora do almoço? Criatividade zero. Vontade nenhuma.





Ir ao supermercado virou uma atividade das mais sacais e nunca senti tanto banzo olhando praquilo tudo. E confesso, tenho momentos criminal minds e queria comprar tudo industrializado, tudo empacotado, tudo quimicamente tratado. Mas a consciência sempre fala mais alto...droga! Queria não tê-la.





A produção de bolos definhou lentamante. E na casa nova, com o tal de cooktop? Tô sem forno. Ainda. Sem forno e sem bolo. Sem possibilidades de lanchinhos felizes!





Reza a lenda: só damos valor às coisas quando as perdemos. Talvez por isso, esteja cheia de vontade de voltar à ativa, como antigamente.





Por enquanto sigo brigada com o fogão, mas será que vou  fazer as pazes com ele?


Amélias do mundo, uni-vos.










segunda-feira, 4 de julho de 2011

Registro x Vaidade



















"Suponho que no transcurso da vida embelezamos algumas lembranças e procuramos esquecer outras."





"Ah! que tenaz é a memória! A minha não me deixa sossegada, me enche a mente de imagem, palavras, dor e amor. Sinto que volto a viver de novo o que já vivi. O esforço de escrever este relato não está em lembrar, mas no lento exercício de tê-lo no papel."





"...mas a memória é sempre caprichosa, fruto do vivido, do desejado e da fantasia. A memória também está tingida pela vaidade."







Esses são alguns trechos do livro Inés de minha alma - Isabel Allende.



Se alguém me perguntar sobre o porquê de ter um blog, sempre tenho uma resposta pronta: para registrar meus momentos, minhas vivências e as de meus filhos.




Mas até que ponto isentamos de vaidade nossas memórias? Ou melhor, nossos registros?

Já pensaram nisso?















sexta-feira, 1 de julho de 2011

O dia em que fugi da obstetra




O aniversário do Otto está se aproximando e fui acometida de um saudosismo típico de vésperas. Já falei de muitas coisas por aqui, mas estava faltando um capítulo que considero importante no nascimento dele.





Pois bem. Otto foi produzido na zona franca de Manaus, teve seu sexo anunciado em Fortaleza e nasceu em Florianópolis. Passei até o momento por quatro obstetras até então, dois deles aqui, onde moramos.





A Bia nasceu de parto normal como relatei aqui e queria muito repetir o processo, tendo em vista que minhas gravidezes nunca tiveram nenhum intercorrência que merecesse cuidados. Vejam bem, não é proselitismo de minha parte, apenas uma opção que coube a mim, única e exclusivamente a mim.





O meu pré-natal se resumia a pesar, medir a barriga e checar os batimentos cardíacos do bebê. Como era o segundo filho, deixava sempre a médica frustrada por não ter dúvidas a serem sanadas. Na minha condição de grávida saudável, ela não tinha muito a fazer e acredito piamente, que quem pare (verbo parir) sou eu. Não preciso de ninguém pra fazer o serviço, correto?





Quando estava com 40 semanas, ela resolveu intervir e aquele papinho dela do começo de "vamos aguardar o tempo que for necessário" caiu por terra. Preencheu as guias de internação, sem me consultar e quando perguntei o porquê de uma cesárea (desnecessária, no meu caso) ela usou a desculpa esfarrapada de o bebê estar com o dorso à direita.





Pedi uma ultrassonagrafia que comprovasse isso, mesmo sabendo que não é indicativo para a cirurgia. Ela não me deu. Saí de lá prometendo que ligaria pra ela, quando desse entrada nos papéis e fui direto para o posto de saúde perto da minha casa e pedi uma guia de us.





O ultrassonografista foi um anjo!!! Disse que o bebê estava muito bem: batimentos cardíacos, quantidade de líquido, maturação da placenta e mesmo acusando um peso de 4.125kg, ele informou que há uma margem de erro de 600g para mais ou para menos. Ah! e o bebê estava com dorso à esquerda, vejam vcs! Garantiu ainda, que poderia esperar tranquilamente até as 42 semanas.





E assim o fiz, um pouco tranquila por estar resguardada por esses cuidados que tomei. Nos momentos finais, com a ajuda de uma doula-anja, a Gabi Zanella, esperei a hora do meu menino. Ansiosamente, confesso. E entrei em TP uma semana e alguns dias depois. Ao invés de procurar uma clínica particular (tenho plano de saúde), corri pro Hospital Universitário aqui de Floripa.  





Otto nasceu exatamente com 600g a menos do que apontava a us. Foi rápido e quase não senti dor.


Fiquei super feliz por não ter cedido às pressões, que nessa altura, era até do padeiro da esquina, com a clássica pergunta: esse menino não nasce mais???













A informação está aí pra quem quiser fazer uso dela.




E a obstetra? Conheceu o Otto na sua primeira consulta com o pediatra fodão e ficou assim, com cara de pamonha!!!








Acreditem em vcs!