quinta-feira, 31 de março de 2011

Seguindo a trilha de tijolos amarelos










Hoje, após assistir com a minha filha ao fascinante filme "O mágico de Oz", me peguei pensando na minha trajetória...





Assim como a Dorothy, sonhava com um lugar melhor, aquele mesmo, além do arco-íris. Alegoricamente, tive a minha casa arrancada de sua moldura por um tornado, que me levou para um mundo muito distante do que eu estava habituada a viver.





Espantada com os novos desafios, a Bruxa Boa do Norte que habita em mim, aconselhou-me a seguir a estrada dos tijolos amarelos. Aquela mesma, que me conduziria ao Mágico de Oz que seria o único capaz de atender ao meu desejo individual.





Enquanto percorro ávida esse caminho, descobro o espantalho, o homem de lata e o leão covarde que habitam em mim. E que, me serviram de companhia em todos os momentos difíceis.





E, ao contrário da Dorothy e seus amigos, sei desde o começo que o que me levará de volta ao meu lugar, está comigo o tempo todo, que todos os meus desejos podem ser atendidos se eu passar a olhar para dentro de mim e ver que sempre tive o que desejava.



E me deu uma vontadezinha de desejar que meus sapatos vermelhos me levassem de volta para casa.



Porque hoje, mais do que nunca, sei que não há lugar como o MEU lar.









segunda-feira, 28 de março de 2011

Machismo se aprende na infância - O que se espera de um homem, afinal?







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Como mãe de um casal, me sinto constantemente desafiada no árduo papel de educar. E falo aqui da educação num sentido mais amplo...





Espero que o Otto, à exemplo de seu pai não tenha machismos e saiba ser companheiro de quem escolher para dividir a vida. De não ter medo de pegar numa vassoura, ou de assumir as louças sujas que cismam em brotar da pia, que saiba passar suas próprias roupas...que se levante nas madrugadas para acudir ao bebê que chora, para conduzir os filhos ao banheiro ou que, simplesmente meça suas febres noturnas, assumindo a parte que lhe cabe na paternidade.





Como mulher, não quis um homem machista para dividir a vida. Por que teria eu o displante de educá-lo de forma diversa? O fazendo tão arrogante a ponto de achar que só cabe às mulheres essas funções dentro de sua casa? Onde ele reinaria absoluto como um déspota? Ou satisfazendo suas vontades em detrimento das vontades de sua irmã?





Otto hoje anda paternal...ninando as bonecas da irmã. E, isso não me assusta nem um pouco. Se nós mulheres, agindo de forma instintiva, treinamos nossa maternidade com elas, porque não pensar que os homens também não tem seus instintos paternais?





A Bia na idade dele, quis um boneco do homem-aranha. Sob protestos da platéia, lhe comprei um exemplar e, como no fundo esperava, dias depois, o vi de lacinho na cabeça, sendo ninado junto com suas bonecas de pano. Por que temiam mesmo?





Olhando pra trás, já dá pra perceber muitos avanços, mas é só se ater às páginas policiais pra ver que ainda há muito que ser mudado.





Espero que consiga, na minha maternagem, não dar margem à machismos adquiridos por gerações e gerações. 



Topo esse desafio, mas sabendo que a responsabilidade é de toda a família.



E vcs, o que pensam a respeito dessa questão tão delicada e tão carente de discussões?




"Imperdoável é que as próprias mães se incumbam de perpetuar e reforçar o sistema, criando filhos arrogantes e filhas submissas; se as mulheres entrassem num acordo para agir de outro modo, liquidariam com o machismo no espaço de uma geração" - treho extraído do livro Paula - de Isabel Allende.










terça-feira, 22 de março de 2011

Minha ação por uma infância sem racismo














Vi a proposta dessa blogagem coletiva no Desabafo de Mãe, com base numa campanha da Unicef, que está promovendo uma campanha "Por uma infância sem racismo". A ideia desse post é antiga, mas não com essa abordagem...





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Cresci numa casa, onde moravam sete pessoas: meus avós, minha mãe e meus tios. Cada um com uma característica física diferente - dos caprichos que só a genética é capaz! Meus avós são negros e dois dos meus tios também.





A origem da minha família é muito, muito humilde. E a custo de muito trabalho, foram subindo os degraus da vida. O vovô depois de trabalhar duro, fez concurso para ocupar uma vaga de motorista de caminhão numa grande empresa. Passou e, junto com a minha avó conseguiram conduzir àquela família, ainda em formação, a degraus ainda mais altos.





Todos os meus tios estudaram e se formaram, pois passamos a vida ouvindo que pobre só consegue subir na vida estudando. O nome do degrau, segundo a minha avó, é estudo! E é aqui que entra o primeiro episódio marcante de preconceito racial, somado ao preconceito de classe, (já que morávamos no subúrbio) que marcaram minha vida, com um grande ensinamento.





Quando da formatura da minha tia, em Farmácia, meu avô pediu ao chefe um dia de folga a que tinha direito, pois precisava ir pra uma dessas solenidades dos formandos. O chefe, incrédulo, zombou: "o quê? uma filha de caminhoeiro se formando em Farmácia? ahahaha....conta outra! Quer folga pra beber cachaça, negão?" - meu avô não respondeu o que o chefe merecia ouvir, ganhou o dia de folga e esteve presente ao lado da filha, como convinha.





Uns dois anos depois, foi a vez do "caminhoneiro negão" formar o filho em Medicina. Dessa vez, orquestrou melhor a situação, pra devolver pro chefe aquilo que ele merecia ouvir. Pediu um convite a mais e foi, pessoalmente entregar. Entrou na sala e disse para o chefe que precisava falar com ele. Debochando, o chefe perguntou: "quer mais um dia de folga? Tá formando outro filho? AHAHAHA" E  meu avô, calmo e sereno disse que não. Não estava pedindo mais um dia de folga e que SIM estava formando mais um filho!





Chefe: " ahhh, aí já é demais! - disse às gargalhadas. "Nem eu que sou engenheiro, formei filho, o caminhoneiro tá formando todos?" - continuou rindo. E vovô sacou do convite e disse que não poderia se estender, que havia ido lá só para convidá-lo e que fazia QUESTÃO de sua presença.





Chefe olhou pro convite, com ar de superioridade e bradou: "Medicina??? Medicina???"





Vovô saiu feliz da vida por ter esperado o momento certo de fazê-lo engolir a petulância.





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Com exemplos assim, cresci.





E, mostro, principalmente a minha filha mais velha, que nasci loira, dos olhos claros, por puro acaso, já que trago no sangue, com orgulho, uma outra genética!





Conhecer a origem é fundamental!!! Faz toda a diferença.





Hoje, ensino aos filhos a amar, a respeitar não o tom da pele, não a posição social, mas o ser humano e toda a sua bagagem de vida, que está por trás.




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E quem quiser fazer coro a essa campanha, ainda dá tempo! A blogagem coletiva vai até o dia 28 de março. Mais informações, aqui.

segunda-feira, 21 de março de 2011

Outone-se


O verão se foi e dessa vez, não deixou nenhuma saudade, nenhuma grande recordação. A época de agitos praísticos passou por nós de uma forma preguiçosa, tediosa.





Dormi no verão e acordei no outono - a minha estação preferida!!! Já que é o equilíbrio entre o verão e o inverno, com amanhecer e anoitecer que nos convidam a permanecer na cama.





Hora de fazer aquela faxina nos armários, guardando as roupas e calçados que não nos servirão e tirando do fundo da gaveta o aconchego de vestir.





Época do amarelar e do cair das folhas, se recolhendo para renascer exuberante daqui a alguns meses. É meio que um convite ao amadurecimento. Época de fondue, dos vinhos, dos queijos, das sopas, dos cremes, sempre fumegantes - é o acalento de comer.





ADORO essa época do ano!


Adoro esses recomeços sazonais. 


E vcs, já estão preparadas pro friozinho que está vindo aí???













Essa música faz cosquinha no meu coração. =)




CANÇÃO DE OUTONO


(...)

Tu és a folha de outono

voante pelo jardim.

Deixo-te a minha saudade

- a melhor parte de mim.

Certa de que tudo é vão.

Que tudo é menos que o vento,

menos que as folhas do chão
...

Cecília Meirelles

sexta-feira, 18 de março de 2011

Patchwork de lembranças IV - transitando entre dois universos








Continuando o alinhavo das lembranças que marcaram...





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Transito em dois universos distintos. E não é só porque um é rosa e outro azul. Vai além, muito além das diferenças de sexo...





Cheguei em casa, com o Otto nos braços e a Bia ao lado, pululante, orgulhosa do irmão, de mim e da família que crescera. Estava sempre ao lado, observando quietinha e se sentia tão útil quando me alcançava as fraldas ou a concha de amamentação! O que pra gente era um alívio, já que o ciúme nunca deu as caras por aqui.





Apesar disso, as coisas foram mais difíceis do que havia imaginado. Otto mostrou a que veio ainda no hospital, quando mamou por três horas e meia incansavelmente. Valeu, filho, por ter me ensinado que bebês high need e com refluxo existem na vida real e não no imaginário de mães neuróticas. Cuspi pra cima. Mordi a língua.



E foi no dia-a-dia que fomos nos ajustando a esse amor plural.



* Enquanto um queria mamar, a outra almoçava sozinha, esperando calada, a minha presença. E isso me dóia, porque nunca havia acontecido...



* Enquanto trocava a fralda de um a outra gritava do banheiro: "mamaaaanhêêêê, acabeeeeeiiii.



* Enquanto nascia os dentes de um, caía os dentes da outra.



* Enquanto um aprendia a andar, a outra, orgulhosa de si, aprendia a ler.



* E sempre quando ele chorava à noite, ela levantava para oferecer ajuda.



* Quando ele aprendeu a andar de motoca, ela aprendeu a andar de bicicleta.



* Enquando ele tinha toda aquela atenção, ela conheceu a solidão.



* Ao ver a facilidade que tinha em comprar o que conviesse pro Otto, lembrei dos tempos difíceis da Bia...e chorei  (uma vez, depois de economizar dinheiro do lanche por uma semana - passava o dia no trabalho, pude comprar um móbile bem furrequinha pro berço dela. E pude chegar feliz depois do trabalho com um presentinho pra ela. Coisa de mãe, sabe?)



* Enquanto um estava na escola e o outro tirando um cochilo, eu aproveitava o banho pra chorar de cansaço, pelo peito fissurado, pelas dores nas costas...chorava me sentindo impotente.



* E quando ela me via cambaleando pela casa, letárgica, sempre me pedia pra ter calma, pois tudo aquilo iria passar.



* Enquanto isso tudo acontecia, o coração transbordava, o que o corpo já não conseguia mais demonstrar...



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E aos poucos a Bia foi aprendendo que ela não perdeu espaço, apenas GANHOU um irmão.










Feito por ela, semanas depois do nascimento

do irmão



E eu, aos poucos, fui aprendendo que não dividimos o amor por dois.

Somamos mais um.














quinta-feira, 17 de março de 2011

CANSEI




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Ando tão cansada. Extremamente cansada.


Já acordo assim...e é mais que um estado físico, passou a ser um estado de espírito.





Cansada de acordar e fazer tudo exatamente igual, com movimentos robotizados, cronometrados. Cansada de falar todo dia a mesma coisa...só agora entendo quando a minha mãe dizia aos berros que iria usar um gravador em casa, que repetisse tudo, a poupando de dizer sempre o mesmo. Cansada de encarar essa cozinha, o fogão, a máquina de lavar, o varal, a tábua de passar, o rodo e o aspirador.





Cansada de formular perguntas e não encontrar as respostas. Cansada de não saber que rumo tomar depois de passar cinco anos maternando e não estar na minha cidade. E como já falei aqui, quando mudamos de cidade perdemos as muletas que nos serviram de apoio até então...cansada de estar cansada!





Não saber que rumo tomar quando se está com 31 anos, é no mínimo angustiante. Marido diz que de tempos em tempos me nota assim...me arrastando, cumprindo tabelas e sigo assim até achar o fundo do poço, pra só então submergir. E ele diz que quando isso acontece, volto tão solar, tão cheia de vida como se não tivesse passado por essa fase. É quando se renovam as esperanças - ele diz.





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Na terça, larguei tudo (leia-se tábua de passar e uma pilha de roupas que cresce vertiginosamente e de forma impiedosa!) e me mandei pro shopping com duas amigas. O momento era de descontração, pra relaxar mesmo.





Conversamos muito. Poderíamos ter conversado sobre tudo, mas o assunto, invariavelmente são eles: os filhos! Depois de tanto falar, resolvemos lanchar. Poderíamos ter escolhido qualquer lugar pra comer, mas o lugar escolhido foi o Mc´Donald´s, afinal queríamos chegar em casa com um mimo pra eles: os filhos! Logo após, fomos dar uma voltinha pelas lojas. Poderíamos ter comprado qualquer coisa, já que a nova coleção reluz nas vitrines, mas compramos roupinhas para eles: os filhos!!!





Saímos de lá mais leves pelo momento mulherzinha que passamos juntas, mas rindo do fato de que nada, lugar algum faz com que esqueçamos deles: os filhos.





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Digam por favor: isso é normal?








quarta-feira, 16 de março de 2011

Aprendendo desde cedo que o importante é amar (homossexualidade x crianças)


Ando sem tempo e sem saco para acompanhar novelas. A exceção é TiTiTi, que dá saudade de toda uma época.





Essa é a última semana, e o que antes assistia dia sim dois não, agora virou quase uma obrigação. E tenho tido a companhia da Bia nesses momentos raros em que me deito na cama.





Antes de ontem, foi ao ar a cena em que Tales se declara para Julinho. Sinceramente? Achei linda a forma como foi tratada essa questão do assumir-se homossexual. Chega de falar em quebra de preconceitos e deixá-los à margem, como se não existissem.





Não é de hoje que venho trabalhando esse tema com a Bia. Tendo por base coisas que se vêem na televisão ou não. Sempre devagar, obedecendo à curiosidade e o entendimento dela.




E com aquela declaração de amor escancarada dos personagens na novela percebi que estou no caminho certo...ao vê-los, se abraçando depois que Tales resolve se assumir e assumir o amor pelo Julinho, Bia diz: "ahhhh! que lindo! Amor é bonito de todo jeito, né mãe?"





É, filha.


O importante é amar.







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terça-feira, 15 de março de 2011

Tão, tão sincero









E a sinceridade infantil é sempre tão ingênua, tão natural, tão genuína...que sempre nos levam ou à gargalhadas ou a saias justíssimas.





Ontem perguntei toda animada:





Eu: E aí, Otto, como foi a aula?


Ele: "Foi boua. Empurrei o Otávio..."


e antes que ele continuasse, perguntei espantadíssima: e aí?


Ele: "empurrei de novo, de novo..."


Eu: sim, filho...e aí? O.O


Ele: aí, ele caiu.





Estava eu lá na cozinha, na lida diária e percebendo um silêncio, fui tomada pelo pânico.





Eu: Otto? OOOOooottooo? Filho, tá tudo bem?


Ele: Táááááá.


Eu: Onde é que vc táaaa?


Ele: Tô aqui mexendo nas pilhas.





Ah! e na viagem que fizemos? Chegamos no restaurante morrendo de fome e todo mundo muito pimposo olhando o cardápio, tentando decidir o que comer e....Otto deu uma espiadinha para a mesa ao lado. Comiam que se esbaldavam. Daí veio o inevitável:





Ele: ô amiga...amigaaaa....


Família da mesa ao lado: Oiiiiiiiiii, bebê. Tudo bem. (todos acena)


Ele: me dá aí uma batata, pufavô?


Eu falando entre dentes: fiiiinnnnlhooo...para.


Ele: mas amiga, me dá LOGO uma batata, pufavô?





Pedido concedido. Vergonha irrefutável.


E pra completar o disparate, ainda pedimos pra família fazer uma foto de nossa família. 


Muahhh!



segunda-feira, 14 de março de 2011

Conflito de competência


Antes se dava entre mim e Paulinho. Criar filhos não é fácil e no começo o casal precisa sofrer, de fato, pequenos e grandes ajustes.





E é mais um desses desafios que a convivência te impõe. Precisamos deixar de lado razões absolutas para chegarmos a um consenso na hora de educar.





Hoje o conflito não reside mais no casal, mas sim em uma nova figura que também quer fazer valer a sua voz: de irmã mais velha.





O fato é que a cumplicidade entre os irmãos aumenta a cada dia e com ela, surgem as briguinhas entre eles. Normal em quaisquer convivência saudável. Normal, normal, normal...(mantra a ser entoado! Todos pratica!)



Pela pouca idade do Otto, normal que a Bia queira resguardar suas coisas. Só que a porta que antes vivia trancada, hoje passa mais tempo aberta. E acho isso bom! Quero que eles brinquem juntos ainda mais e por mais tempo.



A porta sempre se fecha, quando o menor extrapola seus limites e começa a instaurar o caos no quarto da mocinha. E nessas horas, tenho observado atitudes déspotas...como gritos cada vez mais altos, sair puxando o irmão pelo braço pra colocar pra fora de SEU quarto e até no cantinho de alguma coisa ela já o colocou......e, pasmem, não uso esses métodos. Que por sinal não são Piaget, são Pinochet mesmo.





Pensamos, pensamos e chegamos a seguinte conclusão: "Como irmã, você brinca! E deixe que a gente educa."





Parece justo? Não, não parece. Apenas quero que essa camaradagem de hoje se transforme num sólido companheirismo amanhã. E pra que isso aconteça, não deve haver hierarquia entre os irmãos e sim, harmonia.







Que mãe não fica feliz vendo isso, hein? Aqui, Otto

com 2 meses.






Porque, no fim, quem educa e os conduz pra uma situação equilibrada, somos nós.

Né?

domingo, 13 de março de 2011

Dias cinzentos




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Dias cinzentos que se seguem...incessantes.

Iguais. Meio mornos, meio friorentos.



Nos primeiros dias de chuva, acho bom. Refresca. É quase um acalento.

Um convite ao aconchego. Ao calor dos lençóis.

E quando seguem ininterruptos, vão minando a minha vontade, minha força, meu ânimo.



E hoje, a Mulher Vitrola, no tuí falou uma coisa que veio ao encontro do que sinto no momento: " Quando a semana se encerra, é uma parte de mim que se foi, é algo não realizado."



O passo que deixei de dar.



Que essa semana seja melhor que a que passou.

É o que desejo pra mim.

É o que desejo pra vcs.

sábado, 12 de março de 2011

"Mamãe, fique feliz!"


Otto é um carinha de quase três anos que sempre tem tiradas ótimas pra tudo.


E esse seu lado espirituoso sempre o livra de muitas encrecas.





Sempre que recebe uma bronca, ameaça um chorinho e diz: "mamãe, fique feliz!". Derreto.


Uma vez, o flagrei em uma de suas inúmeras estripulias e gritei aos berros: "Otto, mas por que vc é tão teimoso, heeeeeeeeiinnnn?" E ele com a cara bem safada me diz: "não sou teimoso mãe, sou FELIZZZ!" Derreto de novo.





Ontem, enquanto punha a mesa do almoço, notei que ele não estava na sala, que a porta do quarto da Bia estava trancada e saí correndo pra procurá-lo. Danação a vista. (enquanto corro, vou me preparando sempre pro pior!)



O encontrei no meu banheiro. Em cima da bancada da pia. Com os dois pés dentro da cuba, com a torneira jorrando água e as mãozinhas frenéticas jogando água pra cima. Gelei.





Não sabia se corria pra pegar a máquina, afinal esse, um momento memorável e...não sabia se gritava com ele....quando me viu, ele disse: "mamãe, tô aqui se divestindo" mas ao ver os cabelos grudados de sabonete, ri. Ri muito. Ri de me dobrar.





E enquanto o secava, passei um sermão de cara amarrada.

Quando o liberei, ele disse: "fique feliz, viu, mamãe?" Só pra garantir.





E por todas essas, descobriu que pode me vencer me ensinando a ser feliz nas adversidades.










Custo, mas um dia aprenderei a lição, Otto...



Bom final de semana!

sexta-feira, 11 de março de 2011

Não olharás com soberba para outras mães


Outro importante mandamento da maternidade.





Hábito compartilhado por muitas mães é alardear todos os feitos, todas as pequenas conquistas, todas as descobertas de seus filhos. Isso sempre acontece quando o orgulho nos transborda. Normal. Acontece comigo e com vc.





Vale ressaltar que nosso corujismo deve sempre se deter no bom senso, para não agir como as típicas  "mães de parquinho" ou "de porta de escola".



Estas agem sempre como se estivessem numa competição, mesmo que tácita. Ao ouvir um lamento quase inocente de uma mãe sobre as noites mal dormidas, elas sempre agem com soberba e afirmam categoricamente que seu filho dorme a noite inteira desde o primeiro dia de vida e que o problema, só pode ser seu. Ao invés de consolo, disputa.



Ao ouvirem as reclamações de mães cujos filhos são inapetentes e de como se sentem frustradas, as "mães competidoras" vem sempre com mágicas sugestões e com um pouquinho de malícia faz crer que o problema é seu, que não varia o cardápio, que não insiste como deveria...ao invés de consolo ou conselhos assertivos, uma alfinetada sarcástica.



Não sabem parabenizar uma mãe que comemora quando o filho de um aninho começa a andar, pois está mais preocupada em mostrar que o seu começou muuuuito mais cedo; pior quando ouvem uma mãe dizer orgulhosa de si que amamentou exclusivamente até os seis meses!!!! - nesse caso, ela torce o nariz e diz que o correto é que seja até os dois anos. No mínimo - bradam com arrogância!



O seu filho é o mais curioso, o mais aventureiro, o mais inteligente, o mais ágil, hábil, compreensivo, esperto, brincalhão, criativo, o mais musical, calmo do mundo inteiro? Não tenho dúvidas, ele realmente o é.



Lembrando que para cada mãe, seus filhos sempre o serão.

Nós mães devemos respeitar o universo materno da outra e concordar que cada filho será sempre O mais especial.......aos nossos olhos.









quinta-feira, 10 de março de 2011

Ganhei

Fiquei super feliz ao receber meu primeiro selo. E o carinho veio da Pri do Mãe de duas. Muito obrigada por lembrar da balzaca aqui.







Não é lindo?

quarta-feira, 9 de março de 2011

Ela chegou!!!


O carnaval passou por nós como uma brisa, de forma bem suave.


Não estávamos no clima de muvuca, de trânsito, de bagunça, de música alta, de gente suada, meio que em transe pulando sem saber porque.





Fizemos nossa festinha particular, à nossa maneira. Tivemos até a companhia de um casal querido - amigos dos tempos de colégio. E posso garantir que foi muito, muito bom.





Agora o ápice do festerê foi a chegada dela, a tão esperada, tão aguardada: Pietra - nossa cachorrinha! Os meninos foram à loucura!









E é uma delícia vê-los curtindo, cuidando e brincando.

Valeu a pena!!!

quinta-feira, 3 de março de 2011

Patchwork de lembranças III - o segundo filho

Se não escrevermos o que nos marcou, a impressão que tivemos acerca daquilo que nos foi tão importante,  os acontecimentos tornam-se menores, envolto numa sépia que suaviza as memórias por pouco perdidas.



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Dessa comecei a amar o projeto. E passei a viver essa gravidez, de forma tranquila, em pleno estado de graça, dividindo o meu amor em dois.





Confirmei, pois já sabia, o sexo do bebê com 12 semanas, ao lado da minha melhor amiga e da minha filha.





A escolha do nome, gerou conflitos engraçadíssimos. Bendita hora em que fiz aquele trato, onde o marido escolheria o nome do segundo. Julgava que Otto era nome de schnauzer, mas como tenho palavra, Paulinho fez valer sua vontade.










Nos mudamos para Floripa com as roupas do corpo e alguns poucos pertences - porque a remoção foi a pedido e necas de $$$ pra mudança do norte pro sul. E, mais uma vez, olhamos para a folha em branco, com um enorme entusiasmo. Escolhemos a praia da Armação como moradia provisória, em uma casa simpática toda mobiliada.







Com 15 semanas



Estava radiante e me sentindo a grávida mais linda do mundo.


A barriga era pontuda e eu engordei pouquíssimo.


Tirei um monte de fotos. Não exibia uma barriga, exibia um troféu.


No terceiro trimestre, passei quatro dias sem poder andar, por conta de um problema na coluna.


Paulinho, Bia e eu escolhemos cuidadosamente cada pecinha do enxoval. E todo mundo teve direito a dar seus pitacos.




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Quando estava com 40 semanas, cogitei seriamente uma cesariana, pois estava sucumbindo ao cansaço. Mas como? E o meu medo? Tenho horror, fobia, pavor, pânico de sutura...como me veria com aquele corte enoooorrrme? Quem me ajudaria? Minha mãe longe e meu marido com direito a cinco dias de licença, seria inviável uma cirurgia.





Por e-mail recebi umas dicas quentes de umas doulas queridas, que me indicaram muito sexo, caminhada e chá de canela. Daí que entra em minha vida um anjo chamado Gabi. Doula e fisioterapeuta, que se deslocou até a minha casa só para me dar o conforto de que eu tanto precisava. Conversamos muito, mostrei a ela o último ultrasson onde o Otto estava com 4,100kg e na posição cefálica e ela entrou em ação. Fez uma massagem divina, um escalda pés e um forte chá de canela.





No dia seguinte a sua visita, entrei em trabalho de parto, com 41 semanas. O parto foi ma-ra-vi-lho-so! E ter o Paulinho ao meu lado fez toda a diferença.





Passei por todo o TP sem dar um único grito, pois aprendi com a Gabi que a respiração está intimamente ligada à vagina. (oi?) E foi assim, andando e respirando, que meu menino começou a vir ao mundo. Finalmente pude parir com classe e elegância, like diva.





Concentrei bastante para aproveitar cada milionésimo de segundo a sensação de tê-lo saindo....nascendo. E seria a última vez....e no momento do nascimento do Otto, o meu amor passou a ser plural. E, com ele nos meus braços e meu marido de platéia, num único momento que nos deixaram a sós, ainda consegui cantar pra ele: " Vieste na hora exata, com ares de festa e luas de prata. Viestes com encantos vieste..."





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Ah! se na época pudesse me utilizar desse recurso para extravazar por meio de palavras todo o cansaço que senti em seguida; todas as noites mal dormidas; a frustração de um projeto de amamentação naufragado num refluxo diagnosticado tardiamente...





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Ser mãe de dois é reforçar clichês.






quarta-feira, 2 de março de 2011

Patchwork de lembranças II - do exílio e do planejamento


Continuando o alinhavo de lembranças, que não fazem parte simplesmente do passado, fazem parte de mim.






daqui






A Bia sempre foi uma criança super tranquila, dessas que não chora pra nada, que não quebra nada, que não sobe em nada...isso era bom, mas ao mesmo tempo me inquietava. Gostaria que ela fosse mais parecida comigo, que era praticamente o capeta em forma de guri. E, observando como ela reagia a determinadas situações, compreendi que o que a influenciava a ser daquele jeito, não era a minha criação, mas sim  seu temperamento.





Nessa época eu trabalhava, não dava pra me dedicar exclusivamente à maternidade e sempre tive que correr tanto atrás, que talvez esse privilégio nunca tenha me passado pela cabeça. Ou melhor, passava sim. Era um segredo que eu confiava a ela todas as noites e em cada amanhecer.





Passamos muitas dificuldades financeiras. Perdi um emprego "estável" de sete anos e meu marido acabou saindo do dele pra ficar mais tempo comigo. Decidimos empreender com o que tínhamos a mão. Compramos uma kombi e com ela fazíamos frete e aprendemos a vender de roupas a perfumes. Por várias vezes tive que empurrar a kombi catatônica de salto alto ladeira acima, ladeira abaixo.





Até que um dia, já exaustos de esperar e trabalhar, Paulinho decidiu estudar pra concurso desafiando todos os céticos de plantão. Estudava durante as madrugadas sob a luz fraca do carro, enquanto esperava a turma que havia contratado os seus serviços. Se recordo bem, eu era a única que acreditava em seus esforços. Eram cinco vagas e ele passou em oitavo lugar. Mais essa...





Tivemos mais uma vez que apelar para que o universo conspirasse a nosso favor. E deu certo! Chamaram os dez primeiros....esperamos um ano que valeu por vinte!!! Até que enfim,  nos mudamos para Manaus.





Aprendi que coragem e força a gente sempre tem escondido e que aparecem sempre quando a vida as requisita.





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Encaramos com muito entusiasmo essa folha de papel em branco. Emigrar fortaleceu ainda mais os laços e nos devolveu a esperança perdida anos atrás. Ao entrar numa terra estranha, perdem-se as muletas que serviram de apoio até então. Não interessa muito quem vc era ou o que vc fazia...



Apesar de benéfico pra nós, esse distanciamento de tudo e de todos começou a ter um peso maior para a Bia que passou a se queixar frequentemente de solidão. Daí que ela começou a pedir por um irmãozinho...e como não havia mais impedimentos financeiros, comecei a considerar a ideia.



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Só o fato de planejar já tornava essa gravidez diferente. E era isso que eu queria. Reviver um momento tão especial de uma forma mais intensa, mais feliz...com toda a tranquilidade que merecem as grávidas.



A Bia protagonizou uma das cenas mais lindas de companheirismo ainda no hospital, no dia em que fui receber o exame, apesar de eu ter mentido sobre a natureza do mesmo. Quando vi o positivo tão esperado, não contive as lágrimas e logo ela percebeu que não se tratava de um exame comum..."mamãe, vc está mesmo grávida???" - levando as mãos à minha barriga. E com um movimento tímido de cabeça, afirmei. Ela começou a chorar e me deu um abraço que comoveu quem estava perto.



Começamos bem - pensei. E de fato, não me enganei.



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Lembrando: essa história não acaba aqui...