segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Depressão - o inimigo invisível

Ao som de Kansas...








Vou abrir um parêntese aqui nesse blog, pra falar de algo que atinge cerca de 340 milhões de pessoas no mundo - a Depressão. Vale ressaltar, que não falo de depressão como um estado emocional, mas sim como evento psiquiátrico.



Daí que num belo dia de sol, acordei triste. E as cores, antes muito vivas, desapareceram. E ficou tudo monocromático, monótono e morno.



Vc já se imaginou presa a algo que vc não vê? Acorrentada sem correntes? Cansada, desanimada, desestimulada sem nenhum motivo aparente?



Amanhece. E, em mim, renasce a força para começar uma nova jornada, quando meus filhos aparecem felizes no meu quarto....como que me chamando pra vida!




Sigo toda uma rotina, feliz por meu inimigo ser imperceptível pra eles. Até que me vejo sozinha em casa e tudo o que mais quero é me render. Parar de lutar contra o que não vejo e, só assim, descansar o corpo e a mente. Adormeço. E ao acordar, percebo que continuo no meu terrível pesadelo.
Uma vida acontece fora de mim, ali, ao longe...quero reagir, mas não consigo. Quero gritar, mas me foge a voz. E no fundo, me envergonho e me CULPO por não ter força pra reagir.


Convivo com esse problema desde muito nova e durante todo esse tempo, ouvi conselhos dos mais variados, alguns absurdos e um bocado de insultos. A lista seria enorme, mas os mais comuns:






  •  procure uma igreja - vc precisa de Deus; (e quem não precisa?)



  • sai dessa cama, uma menina tão nova... e ainda acha que tem problemas; (velha pode? é isso? dãa)



  •  no dia que vc descobrir como é dura a realidade de algumas pessoas, vc vai se arrepender de se lamentar assim...(cadê o chicotinho?)







Gente? Francamente.





Depressão é uma doença. E quem a sente, não tem culpa por estar sentindo. E, talvez nem saiba explicar o que sente e nem como sente. E essa ausência de respostas é bastante normal.




Nesse momento de fraqueza, o mais importante é aceitar minha condição. É assumir que sozinha não conseguirei e que só um médico poderá me ajudar a retomar o tratamento. Sim, gente! Um PSIQUIATRA. Um médico como todos os outros...não há o que temer. Ele é o cara, quando o assunto é a psiquê, sinapses cerebrais e outras coisas que me fogem.


Sonhei com o momento em que se discutiria sobre transtornos psiquícos, sem tabus. Sem preconceitos. Ultimamente, a abordagem sobre esses assuntos aumentou bastante, mas o preconceito das pessoas não diminuiu. O deboche, muito menos.





Agindo sob ignorância, falta de conhecimento, os termos psiquiátricos ganharam tons pejorativos e são aplicados erroneamente, aleatoriamente. Portanto, o depressivo não é, em hipótese alguma, um preguiçoso, um fraco!





Não se pode estereotipar. Cada transtorno tem suas características e essas, são desconhecidas da maioria das pessoas que não as possui. Temendo a picardia, muita gente se envergonha de assumir que tem algum tipo de transtorno...mas ninguém tem vergonha de dizer que tem gastrite, que tem dermatite ou qualquer outro problema de saúde. É essa naturalidade que nos falta.





Prazer, me chamo Daniele, tenho 30 anos. Fui diagnotiscada como bipolar em 1997. Procurando viver bem comigo mesma e com os outros, desde sempre.





Desde que recebi esse diagnóstico, não uso eufemismos pra justificar o que tenho. E em parte, o que sou. Foi buscando conhecimento, que aprendi a me aceitar. Conhecendo outros testemunhos, que pude perceber que eu não estava só e pude me libertar da culpa, sempre tão pesada.





Sabe que apesar de tudo tenho sorte? Por ter amigos ao meu redor...e ter a certeza de que a cada queda, haverá uma mão pra me ajudar a levantar. E é isso......torço por um mundo mais colorido sempre! "Liberte-se e serás feliz como jamais sonhou".




Ah! Para saber mais:











Vale a leitura:


"Uma Mente Inquieta é o relato comovente e estimulante de uma mulher cuja feroz determinação de conhecer o inimigo, de usar os dons do seu intelecto para exercer influência no mundo, a levou a se tornar uma autoridade internacional em doença maníaco-depressiva (hoje, Transtorno Afetivo Bipolar). É a revelação de sua própria luta, desde a adolescência com a doença e de como esta moldou a sua vida." 





































domingo, 28 de novembro de 2010

Um olhar do paraíso









6 de dezembro de 1973. Norristown, Pensilvania, subúrbio da Filadélfia. Susie Salmon (Saoirse Ronan) está voltando para casa quando é abordada por George Harvey (Stanley Tucci), um vizinho que mora sozinho.





George a convence a entrar em um retiro, por ele construído. Lá dentro, Susie é assassinada. Os pais de Susie, Jack (Mark Wahlberg) e Abigail (Rachel Weisz), inicialmente se recusam a acreditar na morte da filha, mas precisam aceitar a situação quando seu gorro é encontrado em meio a um milharal, junto a destroços do retiro que estão repletos de sangue. Em meio às investigações, a polícia conversa com George mas não o coloca entre os suspeitos.





Com o tempo Jack e Lindsey (Rose McIver), a irmã de Susie, passam a desconfiar de George. Toda esta situação é observada por Susie, que agora está em um local entre o paraíso e o inferno. Lá ela precisa lidar com o sentimento de vingança que nutre em relação a George e a vontade de ajudar sua família a superar o trauma de sua morte.





Um filme intenso, emocionante e apesar de tudo, sutil em sua abordagem.


Vale a pena!






sábado, 27 de novembro de 2010

Somos como nossos pais?


É incrível acompanhar o crescimento dos filhos, percebendo as mudanças: umas mais visíveis, outras não.





A minha filha mais velha tem 7 anos e está crescendo assustadoramente. Não que eu queira encomendar da Tinker Bell, dúzias de potinhos de pó de pirlimpimpim, mas se vc não estiver preparado emocionalmente, novidades vindas dos amiguinhos de escola podem fazer vc perder o tino. Tá rindo, né? Segura essa: “Mãe, vc conhece o Justin Bieber?"





Gente, choquei!


Fiquei zonza por alguns minutos e saí tateando pela casa à procura do marido, para que ele me ajudasse nesse momento tão difícil. Absurdamente calmo e mostrando uma segurança que me deu inveja ele se mostrou interessadíssimo em conhecer o cantor teen do momento.





Passei dias pensando a respeito disso. A Bia está vivendo uma fase eufórica em estar sendo aceita pelos amiguinhos. Há dois anos, ela vinha sofrendo bullying na antiga escola e agora a sorte parece estar lhe sorrindo.





Super querida por todos, vive com agenda repleta de compromissos. E a cada um deles, vou revivendo o passado. Isso estava me angustiando muito, pois não achava justo dizer não a tudo que ela me pedia, mas me achava displicente como mãe dizer sempre sim. Sabe aquela crise existencial básica? De tanto conversar com as amigas a respeito, comecei a raciocinar sem estar presa aos conceitos da minha mãe.





Sempre quis retardar ao máximo a convivência, e, principalmente, a influência dos pares na vida dela, simplesmente porque fui criada achando nocivos tais relacionamentos. Pois bem, chega um momento onde vc se vê obrigada a repensar suas convicções e reviver velhos traumas de infância e a partir dessas reflexões, escolher que tipo de maternidade se quer exercer.





Olhando aquela carinha feliz, cheia de grandes novidades pra contar, depois de uma festinha do pijama na casa da melhor amiga, optei em ser GENEROSA e compartilhar o mundo com ela e, sobretudo compartilhá-la com o mundo. Ó, como a vida é maravilhosa: ela te dá a oportunidade de fazer diferente. É só escolher!





Descobri que posse não significa zelo e que o amor vai além. Mais importante que a influência dos pares, é ter uma base familiar sólida, que dá suporte, que orienta, que acolhe.





E é esse tipo de mãe que sempre quis ser, a que encoraja a descobrir as maravilhas da vida e a que está de braços abertos para abraçar na chegada.





Agora o Justin Bieber tem três novos fãs: meu marido, minha filha e eu, que aprendi a dizer sim, sem medo de ser feliz.



Outro exercício do SIM, foi quando da visita do meu irmão à Florianópolis. Havia um passeio de escuna para conhecer as fortalezas no entorno da ilha programado, e meu irmão pediu para que ela fosse junto...até hesitei, mas....cedi e ela viver uma aventura inesquecível! Foi um passeio enriquecedor: conheceu um pouco da história da cidade e ficou ainda mais próxima do tio que só vê anualmente.






















Olha a carinha curiosa! A indignação veio ao descobrir que a ilha de

Ratones servia como depósito de enfermos. Foi um passeio fascinante!







Sigo aprendendo.

Por mim e por ela.












sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Porque hoje é meu dia de não fazer nada!


Simm, hoje é sexta-feira!




Dia que por si, já é festivo no meu modo de compreender a vida. 


Hoje não faço nada – resolvi com toda a determinação que habita meu ser!!!





Tomei meu café da manhã com a calma dos monges budistas e, antes mesmo que pudesse me refastelar no sofá, resolvi trocar a roupa de cama. Sim, hoje é sexta e as camas merecem estar bonitinhas e limpas.


Tendo feito isso, escolhi um DVD pra assistir com meus pequenos e sem que pudesse dar um tchibum na minha cama cheirosinha, resolvi passar o aspirador assim......na casa toda!





Já com dores nos braços de tanto ir pra frente e pra trás com o bendito eletroportátil, eis que me deparo com o adiantado da hora. Hora do almoço!!! Resolvi fazer tudo fresquinho e na hora, porque hoje é sexta e todo mundo merece um mimo na hora de encher o bucho.





Começa a maratona pra arrumar a Bia pra escola. Enquanto ela toma banho, lavo as louças do almoço, limpo o fogão e, ofegante, parto pra segunda etapa: é a hora do mano tomar banho. Depois de arrumados e penteados é a minha vez de tomar um longo banho de rainha, que dura no máximo 8 minutos.





Fui deixar a Bia na escola ansiando pelo meu momento de não fazer nada.


Coloquei meu pequeno pra sua sesta habitual e corri pra entupetar a máquina de lavar. Vai que o sol resolve desaparecer por mais alguns dias, né?





Pensando em me dedicar ao ócio total e irrestrito, eis que lembro que os banheiros foram esquecidos e corro atrás do tempo perdido. Já com suor pingando e as pernas tremendo, meu filhote acorda cheio de amor pra dar.





Ok. Mamãe foi lá e lhe fez uma super vitamina de frutas. A mais vitaminada de todas. Viva eu! Lavei a louça, porque nada, eu disse N-A-D-A poderia atrapalhar o meu dia de não fazer nada!





Engraçado como o dia passou sem que pudesse pôr em prática meu infalível plano de me dedicar ao ócio criativo. E no exato momento em que sento meu corpinho tremilicante de cansaço no sofá e solto um loooooongo suspiro, o marido liga, dizendo que naquele dia, naquele justo dia, ele não poderia pegar a Bia na escola. Dando bufadas dignas de um búfalo em fúria, arrumei o pequeno e fomos cumprir mais essa tarefa.





E a noite, sabem como é, né? Aquela tranqüilidade habitual de: JANTA – BANHO- LOUÇAS –- HISTORINHAS – CONVERSINHA - BRINCADEIRAS- TROCA DE FRALDAS e SONO.


Fui dormir o sono dos justos, sonhando que meu dia de não fazer nada há de chegar.





Porque sim, queridas-leitoras-amigas, eu mereço!!!





sexta-feira, 19 de novembro de 2010

A vida segue sempre em frente









O ano era 1985, era dia das crianças quando ouvi essa música pela primeira vez. E ela fazia parte do presente. Quem a apresentou pra mim, foi uma pessoa que também estava se apresentando: o homem a quem passei a chamar de pai, oficialmente naquele dia. E que, a partir daí, me apresentaria a vida de uma forma tão linda!





Dividiu comigo sua coleção de figurinhas Amar é, sua coleção de revistinhas da Disney, seu gosto pelo rock, suas idas ao cinema. Ah! sempre íamos juntos ao cinema. Era um programa só nosso. Juntos, assistimos A História sem Fim, todos os filmes dos Trapalhões, E.T e tantos, tantos outros...Homem generoso, aquele.





Os sábados eram sempre regados a muita música. Ouvíamos de Elvis Presley a Led Zeppelin, que eu cantava num lindo embromês, esperando que ele se orgulhasse de mim. Passávamos horas intermináveis jogando River Raid e Enduro no Atari. E nisso, ele não gostava que eu o superasse. Homem quase infantil, aquele.





Fazia com que eu comesse verduras, frutas e feijão. Como eu era magra e muito branquela na visão dele, me preparava gentilmente, um coquetel de emulsão Scott com ovo de pato e, reforçava sempre com Biotônico Fontoura, tudo isso pra me dar "sustância". Cheio de truques, aquele homem.





A vida era para ser celebrada - ele dizia! E como gostava de comemorar aniversários. Os meus nunca passavam em branco. O dia era uma grande festa! A começar pelo café da manhã. E ele mesmo, preparava tudo: dos comes aos bebes, escolhia a trilha sonora e vestia sempre seu melhor sorriso. Homem alegre, aquele.





Quando surgiram meus primeiros raios de mulher, ele estava lá complascente. Ouvindo, orientando, aconselhando, burlando a vigília ferrenha da minha mãe, para que eu pudesse ter experiências. Para ter o que contar, apregoava. Era para ele, que eu chorava os amores não correspondidos...e ele, sempre enxugava minhas lágrimas e cantava baixinho: "serei sempre seu confidente fiel, se seu pranto molhar meu papel". Nunca negou colo. Incrível a cumplicidade que tínhamos. Ele sabia que podia contar comigo e eu era feliz, por ter a quem chamar de pai. Companheiro, aquele homem.





Quem deu a notícia de que meu pai biológico morrera, foi ele. Apesar de não o ter conhecido, chorei sua partida nos braços do pai que me acolheu....e ele cantava baixinho: "sou eu que vou ser seu amigo, vou lhe dar abrigo, se vc quiser". E eu quis e sorri para as possibilidades que a vida sempre me concedera.





Desse homem, não trago o sangue. Carrego lembranças.


Que não são poucas....













domingo, 7 de novembro de 2010

Primavere-se

Voltar a sentir um calorzinho depois de meses de frio, é muito bom!




As flores, com suas cores, formas e aromas pipocam por todos os lados...os pássaros parecem mais alegres, as borboletas voltam a borboletear....é o nosso estágio pro verão!


E o sol surge dentro e fora de mim. =)





































Preciso dizer que essas flores são do jardim/quintal da minha casa. E quem as cultiva e fotografa lindamente é o meu marido. Não é lindo um marido que tem como hobby o cultivo de orquídeas?