Desde a adolescência sentia vontade de ter marcado na minha pele algo que me identificasse, que tivesse um sentido verdadeiro pra mim. Só que mamãe não deixava.
Quando me achei totalmente responsável pelo meu corpo e por minhas decisões, não senti a segurança necessária. Tudo que é definitivo assusta. Procurava desenhos e ideias, achava-os bonitos, mas não sabia dizer o que significavam pra mim. Talvez, porque não significassem nada. Eram apenas bonitos.
Paulinho tem uma tatuagem linda! Sempre conversamos a respeito da minha, ele tinha a maior boa vontade de achar o desenho ideal, mas deixava muito claro que a escolha caberia a mim. Até tinha um que dava como certo tatuar um dia. E quer saber? Se tivesse feito, teria me arrependido amargamente, vejam vcs.
Dez anos se passaram até que eu finalmente decidisse por uma. Procurando imagens pelo google, topei com uma fotografia linda. Passei um tempo admirando, mas não a salvei. Aquela imagem me marcou a ponto de eu passar dias lembrando dela. Decidi procurá-la de novo. Imaginem o sufoco pra achar.
Até que, mais uma vez sem querer, a encontrei. Ufa! Salvei e guardei, pra só então descobrir o motivo que me fez gostar tanto dela assim. Mostrei ao Paulinho e ele externou exatamente o que estava pensando: por que vc não tatua?
Pronto. Era o que estava faltando. Tomada a decisão, precisava seguir três passos:
Onde tatuar
Fiquei na dúvida entre dois lugares: costas e braço. Nas costas eu não veria nunca, só com ajuda de um espelho e eu queria que ficasse visível não só para os outros, mas pra mim.
Com quem
Outro passo tão difícil quanto escolher o desenho ideal, é achar um tatuador. Essa busca requer todo cuidado e atenção.
Até que, mais um ponto para o acaso, vejo um álbum compartilhado por uma amiga no facebook. As fotos eram de crianças lindas num lugar lindo. Olhei foto por foto, até que resolvi ver o perfil do dono do álbum. Ele tinha um único interesse, que era justamente um estúdio de tatuagem. Fui bisbilhotar e bingo! eram a mesma pessoa.
Entrei em contato, mostrei a foto que serviria de inspiração e começamos a conversar. Gostei da conversa. Ele entendeu o conceito e ainda o melhorou. Buscou referências e depois de uma semana, aproximadamente, marcamos um encontro no estúdio para apresentação do trabalho.
Estava tremendo de medo. E se eu não gostasse? Se quisesse desistir? Pois bem.
Sofri à toa. Amei o desenho, o traço dele, a suavidade dos detalhes. Queria uma tatuagem com traços finos, delicada, um desenho que de longe pudesse ser identificado – já que muitas por aí, vistas de longe, parecem borrões.
Foram necessárias três sessões. Na primeira sessão advinha quem foi junto pra fotografar, pra dar aquele apoio? A Bia. Como o estúdio dele não se parece em nada com um estúdio convencional, achei que não teria problemas. Aliás, ele também dá aula de desenho para crianças.
Sempre falam da dor….ora, meu parâmetro de dor, são os partos, portanto…mas garanto que não dói, só arde. No primeiro dia a sensação é de queimadura. Depois vem uma leve coceira por conta da cicatrização.
O significado
| (ainda com a casca, o que a deixa com aspecto opaco. a luz forte do sol também não ajudou) |
Esse desenho conseguiu através de seus elementos, reunir tudo o que busco representando um pouco da minha personalidade.
A mulher na bicicleta reflete o equilíbrio que tanto busco, ainda mais segurando um guarda-chuva contra o vento. O guarda-chuva significa a proteção. A ponte foi ideia do Tadeu, que serve como um elo que nos une e nos conduz - feita de pedras, representando solidez. O lago abaixo, me lembrou uma passagem do livro que acabei de ler, que diz: "as mulheres são como a água. Penso que é porque a água é a fonte da vida e se adapta ao ambiente. Assim como as mulheres, a água dá de si mesma em todo lugar aonde vai, para nutrir a vida" - Xinram. Também serviu pra balancear a densidade das pedras com a sua suavidade.
As flores também foram sugestão do Tadeu, coloridas pra trazer leveza e com pétalas voando pra reforçar a ideia de movimento. Segundo ele, complementa a atmosfera parisiense, com jazz e feminilidade.
Gostaram? (gentileza dizer que sim)
Já escolhi a segunda, só não sei em que parte do corpo tatuar.
Isso vicia?
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