quinta-feira, 9 de maio de 2013

Faces da Maternidade - Mães que geram com o coração


Houve um tempo em que o casamento objetivava apenas gerar filhos legítimos. Hoje o que caracteriza uma família é o vínculo afetivo, tendo inclusive, relevância jurídica. Casais se unem para ter uma comunhão de vidas. Isso é amadurecimento social!



Lembro de estar em sala de aula quando ouvi um relato muito fervoroso em favor da adoção. Era do professor, que apesar de não ser casado, sonhava com o dia em que seria pai e não o queria ser da forma tradicional. Questionado, ele respondeu:  amar, cuidar e respeitar um filho que foi gerado por vc é até uma obrigação prevista em lei; agora, não existe ato mais abnegado que escolher (ou ser escolhido) o filho de alguém para amar como se fosse seu. É essa é a capacidade de amar que quero pra mim.




"Adotar é acreditar que a história é mais forte que a hereditariedade, que o amor é mais forte que o destino." - Lidia Weber, psicóloga -














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"Neste extato momento, vivo uma fase tão gostosa de minha maternagem que escrever sobre este tema é realmente um prazer. Mas na verdade, como lá no "Contos de uma Mãe Pandora", eu quero começar contando uma conversa que aconteceu ontem aqui em casa:



Após uma traquinagem de meu filho mais novo (5a6m), sentei e conversei com ele em tom mais firme, sobre o que ele havia feito e após a bronca, emendei a seguinte frase:



- "Filho, a mamãe está brava com o que você fez e lembre-se, faço isto porque eu te amo."



Mas eu não sou mãe de poucas palavras e falo pra caramba, então, emendei mais esta:



- Tem muita mamãe que deixa os filhos fazerem o que querem e fecham os olhos pra muita coisa, mas eu não sou assim filho, faço isto porque quero o seu bem, você é muito importante pra mim. Eu amo você."



Bom, este hábito já é comum aqui em casa e o discurso também, então, meu filho entendeu e tudo ficou bem, MAS...meu filho mais velho (há nove dias de completar sete anos) completou:



- "Mas todas as mamães amam seus filhos e eu penso que se elas não estão nem aí pra eles, não deveriam tê-los. Deveria ser proibido uma mamãe que não sabe cuidar de seus filhos." (Claro que o português desta frase não foi dito desta forma, mas enfim, a ideia foi esta).



Olhei pra ele como quem olha para uma daquelas pessoas sábias, de cabelinhos brancos e com muitas histórias pra contar. E na verdade, apesar da pouca idade, posso dizer que é bem isto mesmo. Meus filhos chegaram até a mim de uma forma especial, ou seja, através da adoção. Os dois irmãos biológicos que quase foram separados um dia, chegaram até nós. G. estava com quatro anos e o L. com quase três.



Bom, retomando ao conto, olhei para meu filho e pensei em quantas conversas ainda teremos sobre este assunto. Quantas dúvidas e angústias ainda estão por vir dentro de um quadro como este, afinal, ser mãe é bem isto mesmo. É estar preparada para a realidade que bate a sua porta, independente da forma como você se tornou uma.



Dia 31 de maio deste ano, completaremos três anos juntos e posso dizer que dentro dos altos e baixos que vivemos, permanecemos mais tempo no alto. De lá pra cá muita coisa mudou na Juliana mulher. A Juliana do início, já não existe mais. O amadurecimento veio intensivo e as aprendizagens também. Assumimos (apesar do tema ser Dia das Mães, o maridão faz toda a diferença), eu e meu marido com "unhas e dentes" e um dia, ao chorar de exaustão, ele me segurou nos braços, me reergueu e ajudou a me livrar do fantasma família - gravidez - bebê - gutiguti - e foram felizes para sempre que ainda rondava de vez em quando esta mãe aqui. Quem nunca? Meu marido foi a peça fundamental para o sucesso da nossa adoção, da nossa relação parental e não me esqueço do dia em que ele me disse:



- "Esta é a nossa realidade. E olha que realidade mais linda!"



Eu diria que naquele momento o fantasma do comercial de margarina descrito acima, sumiu e com ele todas as questões mal resolvidas que eu ainda tinha em relação à minha infertilidade (abordo este assunto, pois sei quantas mulheres ainda passam por isso neste momento). O meu companheiro não me exigia nada convencional e isto foi e é muito bom ao optarmos pela adoção.



E digo, mesmo se a medicina criasse uma pílula de última geração para que eu pudesse engravidar neste momento, eu ainda assim, optaria pela adoção. Acredito que optaria novamente pois já faz parte de mim, é normal, é minha vida, é meu clube. AMO tanto meus filhos que não consigo vislumbrar nenhuma diferença entre as formas de amar, de amor. E quem sabe um dia, esta turma ainda não ganha mais um membro?! A única diferença é que não poderei fazer surpresa ao maridão:



- "Oi amor, escapou..."



Feliz Dia das Mães a toda e qualquer mãe que cuida, que educa e que deseja o melhor para seus filhos."






*** Juliana, escreve o Contos de Uma Mãe Pandora, onde narra a trajetória de uma mulher desde a descoberta da infertilidade até se transformar em uma mãe adotiva. Os co-autores são os filhos G. e L., irmãos biológicos, que nasceram em outra família, viveram em um abrigo durante dois anos e hoje moram na Suíça, onde possuem um lar, uma família e muita, mas muita história pra contar.








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