Fui criada nos anos 80 e posso te contar uma coisa: sou uma vitoriosa não só por ter sobrevivido, mas por estar com o colesterol melhor do que muita criança por aí.
A pequena introdução é só pra dizer que estou longe de ser exemplo em qualquer coisa, que dirá em hábitos saudáveis. Sedentária, adoradora de coca-cola, comedora compulsiva de chocolate, enfim…mas depois que temos filhos o que entra na minha casa precisa ser muito bem pensado. (mesmo que eu coma porqueira escondida, quem nunca?)
Sim, e justamente por sermos atarefadas, acabamos recorrendo a algumas opções que prometem praticidade e algum sabor.
Depois de algumas informações pinceladas aqui e ali, fui mudando meus hábitos e fazendo as devidas substituições. (ainda que longe do ideal)
O que não entra nessa casa:
Miojo – olha querido, vc quebrou muito galho lá em casa, sabe? inclusive quase fez a Bia ficar viciada em ti, a ponto de pedir todo-santo-dia pra tê-lo à mesa, ignorando solenemente a minha disposição de encarar o fogão. Até sabia que naquele pacotinho de tempero tinha muitos aditivos quimícos e sódio, porque não sou boba, mas ao descobrir que o macarrão também contém gordura e sódio, aí me senti traída, ofendida até! Isso não se faz, o que vivemos foi lindo, mas não me procure nunca mais.
Tablete de caldo industrializado – comecei a usar aos poucos, enquanto ainda era uma estagiária na cozinha. Mas comecei a usar mais e mais, em todos os pratos o tempo inteiro. Já estava compulsiva. Roubava moedas no cofrinho da filha, só pra que não faltasse e eu pudesse consumí-lo cada vez mais. Só percebi que chegara ao fundo do poço, por causa do pedido feito pelo gastroenterologista do marido para que suspendêssemos o uso. Oi, sou a Daniele e estou limpa há 6 anos, 10 dias e 5 horas sem usar essa porqueirinha química cheia de gordura (eca) e sódio. { foi facilmente substituída por temperos naturais.}
Nuggets – quer coisa mais prática? mais gostosinha? que vc pode assar no forno sob o pretexto de deixá-lo ainda mais light, mais saudável e coisa tal? Precisou que o Jamie Oliver pra me mostrar o que eu já sabia, apesar de não querer crer. Desde então, NUNCA mais isso entrou na minha casa, na minha vida. (assisti junto com a Bia e ela tem um nojo tão grande, tão grande disso….tenta, vai que…)
{ quem me mostrou esse vídeo foi uma amiga - Nicole - a quem sou muito grata!}
Molho de tomate – por mais que na embalagem venha dizendo que é suuuper natural, sem conservante nenhum, não confie. Já dizia meu pai: nada que é industrializado é digno de crédito. Esse item foi removido das nossas vidas, também a pedido do gastrologista do marido que só pode ter uma implicância muito grande comigo. Daí aprendi a fazer molho de tomate caseiro com base nessa receita aqui. Faço e congelo em pequenas porções.
Achocolatado pronto - já repararam como é grossinho? Já imaginaram a quantidade de espessante que deve ter ali? Bom, eu até deixava a Bia tomar de vez em quando e sempre, eu disse sempre, que ela tomava, vomitava.
Batata frita - eu amo, confesso. Apesar de gostar muito, em dez anos de casada, nunca fritei batata na minha casa. Aliás, nunca fritei nada. Não gosto do cheiro do óleo, tenho preguiça de limpar tudo depois e não quero que a exceção faça parte da rotina. Portanto, só comemos fora de casa. E a Bia fez sua própria opção, depois que assistiu na escola, o documentário Super Size me.
O mesmo raciocínio vale para suco em pó artificial e comidas prontas congeladas.
Aham, vc deve estar se perguntando o que faço pra sobreviver em dias de crise, né? Só não me chama de chata, que eu fico tisti.
Tem aqueles dias que vc tem todo tempo do mundo, mas não tem a menor disposição de preparar nada elaborado, nada que suje mais que duas panelas e tem aqueles outros em que vc corre pra lá e pra cá e não sobra tempo pra preparar o almoço como se deve.
E o que tenho pra te dizer não é nada faraônico, portanto vou chover no molhado, mas é do que me valho aqui no meu QG e ficam prontos em menos de meia hora.
Arroz é fácil e se prepara em 15 min no máximo e sempre tem algum sobrando na geladeira. Dificilmente faço arroz branco tem sempre uma paradinha pra incrementar e agregar valor nutricional. Tempero com bastante alho e escolho dentre as opções: brócolis, cenoura e vagem, abóbora ralada ou espinafre. Tenho sempre uma boa porção congelada para emergências.
Ovo/Omelete – qual o problema com o coitado do ovo, minha gente? Que preconceito com esse pobrezinho que só tem proteína pra te ofertar? E dizem que criança precisa comer pelo menos 3x por semana, sabia? Quando dá tempo preparo uma omelete maneira com o que tiver na geladeira (peito de peru cortadinho, cebola, tomate e orégano) e se não tiver tempo para frescurinhas, frito e sirvo com arroz e salada verde. Simples assim e a meu ver, mais nutritivo que miojo.
É sempre bom ter salada pronta. Compro aqueles pacotes, só os de folhas, no supermercado. Na hora do sufoco é só passar a mão.
Massa – essa é a comida n° 1 para dias preguiçosos. Em ocasiões especiais, uso uma receita mais elaborada, mas em dias assim, ela vem mais simplezinha. Coloco a massa pra cozinhar e enquanto ela não fica pronta, preparo um molho branco, cozinho brócolis no vapor, pico e misturo tudo e pra dar um toque, salpico alho frito por cima. Sirvo com queijo parmesão ralado. Outra saída, mas essa demanda um pouco mais de tempo, é fazer um refogado de berinjela, tomate, alho, cebola. Também compro aquelas massas prontas de gnochi, ravioli, capelleti....
Também curto fazer um sanduichinho de berinjela com molho de tomate, manjericão e queijo. É rápido e super saboroso. E as crianças (daqui) curtem.
Somos vegetarianos em dias de crise.
Muita coisa ainda precisa ser mudada nesta casa, vamos nos desprendendo de antigos hábitos aos poucos e dispostos a aprender novos.
Olha que ironia: estou escrevendo esse texto bebendo coca-cola e comendo doritos. Porque o importante na vida, é ter coerência, confere?
Mas que as crianças fiquem fora disso. O que está na mesa da família é responsabilidade dos pais.
E vcs, já pensaram em rever os hábitos alimentares?
Como se viram em dias de crise?
* escrevi aqui sobre como ensinei meus filhos a comer.
* hoje no blog Comer para Crescer um texto ótimo - Você tem medo de dizer não para o seu filho?
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