sexta-feira, 13 de abril de 2012

A caixinha e a leveza

sogni






Difícil ter sempre um assunto pra comentar, mais difícil ainda procurar palavras que se encaixem. E que, agrupadas, façam sentido.





Por isso admiro os cronistas, que tem um olhar atento e a sensibilidade quase poética de escrever sobre coisas tão corriqueiras, banais até. Coisas que nossos olhos já não enxergam mais. Acostumaram-se.





Muitas vezes, ao sentar para escrever, as palavras formam uma grande nuvem emaranhada. É uma confusão tão grande, que acabo por espantá-las como se fossem mosquitos inconvenientes ou pensando bem, justamente por não serem convenientes. Mas a busca não cessa.





Às vezes o foco é apenas o texto, o registro. Outro, é um público. No que focar?





E no meio de tudo isso, há as caixas. porque há aqueles que buscam encaixotar coisas. Cada uma na caixinha que lhe corresponda.





***





Eu estava com texto semi-pronto, devidamente arquivado no HD mental. Até que chegou a mim a notícia do fechamento de um blog. Fiquei triste, fiquei  ~chatiada~ com o motivo que levou a essa atitude. Não é justo, pensei.





Comecei a juntar fragmentos de conversas e percebi que alguns blogs da minha lista do amô estavam privatizados. Não aguentei e extravasei, lá no paraíso chamado tuíter (@DanieleBt) e joguei o assunto ao vento. A surpresa veio com a adesão, pois muitas pessoas falaram a mesma coisa, corroborando a coisa toda. E assumiram que a falta de leveza foi o que as motivou também a baixar as portas.





Antes a blogosfera materna era acolhedora. (e olha eu novata, reclamando o direito das blogueiras de raiz) Cada qual com suas histórias de vida, relatando seus aprendizados, suas buscas, suas pequenas conquistas e confessando seus erros. Fazia rir e chorar. Rolava identificação. E esse, minhas caras, é o melhor convite pra reflexão. (rimou)





Sim, porque hoje há tantos mastros de bandeiras levantados que estão não só oprimindo, mas caindo na cabeça dessas mães que já vivenciam o esgotamento natural da maternidade. 





Ver uma blogueira antiga, querida e cheia de fãs (eu, inclusive) começar um texto dizendo que "não sabia bem se deveria escrever, pois não iria acrescentar nada na vida de ninguém" é puxado. Justo ela, com quem aprendi secretamente tanta coisa? 





Blog deve ser leve, descontraído, informal. Isso é o que me fideliza como leitora, aliás. A internet é o meu momento de descontração. 





Profissionalizar a bagaça, pra mim não rola. Pra isso existe a mídia tradicional, cheia de "especialistas". É certeza demais numa realidade de incessante busca.





Se eu tenho as minhas bandeiras? Sim. Estou sempre disposta a aprender, a refletir sobre a minha postura perante o mundo e sobre a minha forma de maternar. É o que a grande maioria de nós busca. Isso não me faz superior nem mais inteligente que ninguém.





***





Busco me livrar de estereótipos e me livrar das caixinhas. 


Não há espaço para liberdade nelas.


É nessas horas que me sinto provocada, fustigada e não quero me deixar encaixotar.





E digo: Ei, para! Não caibo aí.


Eu sou muitas.










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