quarta-feira, 2 de maio de 2012

Assumindo as rédeas na educação do filho







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Existem reações impossíveis de serem previstas. Podemos ler a respeito, ensaiar e na hora H nada sair como o previsto. O mais importante, acredito eu, é ter a consciência de nosso papel e praticar. Isso na maternidade é moleza, já que a prática nos é exigida praticamente o dia inteiro, todo dia.





Quando li esse texto pela primeira vez, a sensação imediata foi de identificação. Mas já adianto que no começo, bem no comecinho dessa jornada, eu não tinha essas ideias tão claras, muito menos o tamanho desse desafio que é educar. 





Separei apenas dois trechos do aprendizado da Tati Klein, autora do texto "Quase 10 anos - a história de uma educação sem palmadas":






Aprendizado 1:
ASSUMA O PAPEL DE PAI/MÃE.


Essa é, sem dúvida, a primeira coisa que se deve fazer quando se pretende educar um filho: assumir o papel de educador. 


Não importa se o dia foi estressante, se você está de TPM, se a criança está birrenta, se você não sabe o que fazer pra contornar um conflito, ... você (pai/mãe) é quem deve ter maturidade, você (pai/mãe) é quem tem o controle da situação, você (pai/mãe) é que se permite perder o controle. A responsabilidade é sua.


Assumir o papel de pai/mãe é também colocar a criança no seu papel, qual seja: de CRIANÇA.


Portanto, por mais óbvio que isto seja, algumas pessoas não se atentam pra essa obviedade:


Pai/Mãe é Pai/Mãe = adultos, que devem agir com maturidade e que tem o direito/obrigação de cuidar e educar os filhos.


Filho é Filho = Criança, imatura, em processo de desenvolvimento, que tem o direito de ser cuidada e educada pelos pais.







Aprendizado 5:
NÃO SE COLOQUE NA POSIÇÃO DE DESAFIADO


Esse aprendizado é uma consequência dos aprendizados anteriores, como veremos:


Levando-se em conta que os pais é que estão sempre no controle da situação, que não devemos interpretar as atitudes de uma criança da mesma maneira que interpretamos a mesma atitude em um adulto, que a criança é um ser em desenvolvimento e que tem direito de receber cuidados e educação dos pais, e ainda, considerando que a criança não tem capacidade para obedecer, chegamos à conclusão que CRIANÇA NÃO TESTA OS PAIS, SENDO OS PAIS QUE SE COLOCAM ERRONEAMENTE NO LUGAR DE TESTADOS.


Vamos imaginar a cena: Você está na casa de uma visita e seu filho de dois anos vai em direção a um lindo enfeite de cristal. Talvez o objeto tenha chamado a atenção do pequerrucho pela forma, ou pelos feixes de luz que reflete, ou sabe-se lá porque. Fato é que a criança vai ao encontro daquele valioso e delicado artefato. A mãe, vendo o perigo da situação, grita: “Filho, não mexa aí!”. A criança obedece? Se a criança quiser muito tocar naquele objeto, provavelmente ela irá se virar para a mãe e, olhando nos olhos da mãe, pega o objeto.


Ora, se você disser pra um adulto não pegar tal coisa e, ainda assim, ele pegar. E pegar o objeto olhando pra você, certamente isso é um desafio. No entanto, não é dessa forma que deve ser interpretada a mesma atitude, se praticada por uma criança.


A criança te “desobedece” pelo simples fato de que ela não é capaz de obedecer (lembra?) Ela não é capaz de fazer aquilo que ela está com vontade (São as vontades, os impulsos e os desejos que a controla. Lembra disso também?) Ela sabe que aquilo é errado e que aquilo vai gerar uma atitude negativa nos pais (talvez é por isso que a criança já faz a coisa errada olhando para os pais. Às vezes até com uma cara feia, esperando e se preparando para a bronca). No entanto, por mais que ela saiba que aquilo que ela está fazendo é errado, ela não tem condições de não fazê-lo. Portanto, não interprete essa atitude como desafio. Interprete essa atitude como IMATURIDADE. Afinal, é disso que se trata.


Interpretar a atitude de desobediência como desafio por parte da criança é bem perigoso e poderá causar dificuldades lá na frente.


Explico porque: Crianças veem as coisas de acordo com o olhar dos pais.


Por exemplo: se os pais veem uma atitude agressiva normal, a criança passará a achar esta atitude agressiva normal também.


Portanto, se os pais veem a atitude da criança em desobedecer numa atitude desafiadora, a criança também passará a ver a desobediência dela como uma atitude desafiadora.


Agora pense na insegurança que isso poderá gerar numa criança?! Justamente os pais, muito maiores e mais velhos que ela, que deveriam ser mais maduros e mais inteligentes, que deveriam cuidar, mostrar o certo e o errado, e que deveriam estar no comando, passam a se sentir “ameaçados”, desafiados, por ela, um serzinho muito menor. Isso gera uma insegurança tremenda na criança, fazendo com que ela sinta necessidade (aí sim) de desafiá-los, pra verificar se eles realmente estão no comando (se ela realmente poderá ser cuidada).


E antes, o que apenas era imaturidade, passa a ser, de fato, desafio.


Deste modo, não é a criança que te desafia, são os pais que se colocam na posição de testados.


Ora, não seja um(a) pai/mãe banana, se colocando na posição de testado por uma criança de 2,3 anos de idade.


Se você olhar a situação de desobediência tal como ela é (falta de maturidade, falta de autocontrole), tais atitudes da criança serão vista por ela mesma dessa forma. E então, além dela não ter necessidade alguma de passar a testar os pais (ela está segura e sabe que os pais tem condições de cuidá-la, pois não se sentem ameaçados e se posicionam como educadores, no comando da situação) fica mais fácil ela aprender a se autocontrolar.


E, logo, logo, ela passará a “obedecer”. Ou melhor, ela conseguirá, sozinha, controlar seus impulsos. 


Lembre-se dos aprendizados anteriores: Assuma o papel de pai/mãe. Tenha plena consciência de que você é que está no comando. Interprete as atitudes de criança como atitudes de criança. Se colocando dessa forma, a criança se sente segura, não precisará testar nada e vai aprender o que interessa: ter autocontrole.


***


Parece meio óbvio quando vemos assim na teoria, mas levando em consideração que o cansaço é um grande catalisador dos nossos impulsos, se vc tiver consciência desses ensinamentos e assumir o papel que lhe cabe na educação do filho, certamente os problemas não serão tão grandes como se costuma pintar.


Isso não quer dizer que não vá dar trabalho. Fórmula milagrosa ainda não existe.


Quer ler o texto na íntegra?  Está disponível no Guia do Bebê.


Recomendo.











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