Acompanhei os comentários no post sobre os problemas na escola com muita expectativa. Junto com o carinho, todos foram unânimes em dizer que sim, a escola não pode desprivilegiar um grupo em detrimento de uns poucos problemáticos. Ao escrever, me senti egoísta. Mas agora vejo que não, estou apenas fazendo o meu papel.
Quando tinha quatro anos, a Bia se virou pra mim com uma expressão bem triste e perguntou: "mãe, sou gorda? Por que não sou como vc?" Na hora, senti uma tristeza sem tamanho e conversando com ela, descobri que o motivo da pergunta havia sido os insultos dos coleguinhas na escola.
E sim, da sua turma ela era a "gordinha". E esse excesso, tem mais a ver com a constituição genética do que propriamente com sua alimentação. Nisso tenho minha consciência tranquila. Na família do Paulinho, existem pessoas gordas e muito gordas, sendo ele próprio um homem com sobrepeso toda a vida. Ao contrário da minha, que só tem caneludo.
Como ela era muito nova, meu medo era de que desenvolvesse algum tipo de distúrbio alimentar com o afã de ficar magra. Nessa época, líamos muito um livro da Mariana Caltabiano, chamado Jujubalândia, que trata de distúrbios alimentares de uma forma bem apropriada para crianças.
Um dia perguntou porque todas as bonecas Barbie eram magras...
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| Sorry, Barbie. Vc gorda também não é a solução |
Quando ela cresceu mais um pouco, começamos a trabalhar a ideia de saúde, que vai muito além que a questão magra x gorda. Existem magras saudáveis, mas existem as que são doentes e não são modelos a serem imitados. Já a gordura sempre vem atrelada a problemas de saúde: colesterol, glicose, triglicérides...
Nunca impus regime, já que pelo acompanhamento que ela faz com a endocrino, ela está numa situação limítrofe, sem nem mesmo estar com sobrepeso. Não é porque não faz regime que pode comer toda e qualquer porcaria, o desafio era ensiná-la a comer e fazer substituições mais saudáveis. Sempre a envolvendo, pra que ela entenda todo o processo.
Fico feliz quando ela opta por frutas entre as refeições e quando sai pra pedalar toda manhã por escolha e não por imposição.
Trabalho a sua autoestima sim, mas nunca fiz apologia à gordura.
Porque isso não é só uma questão de estética, mas de saúde - acima de tudo.

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