Sábado que amanhece preguiçoso, filhos e eu largados no sofá e uma programação bacaninha logo cedo: Snoopy num desses canais da TV paga. Não sei vcs, mas sou apaixonada por esse desenho desde a infância e, só depois pelas indagações filosóficas que propõe.
Nesse episódio, queriam tirar o cobertor do Lino, aquele que ele traz consigo o tempo inteiro. Tentaram de todas as formas, mas no fim, ele acabou recuperando a posse desse objeto que lhe traz tanto alento.
Com os amigos reunidos a sua volta, ele pergunta aos gritos: por um acaso vcs não tem nenhuma insegurança? Nada em que se apoiar?
E desvenda um a um, os pontos fracos e as inseguranças de cada um de seus amigos. A última de suas investidas é com a avó, que juntamente com os amigos, queria salvar o neto dessa enorme fraqueza. Afinal, por que ele não se livrava da porcaria desse cobertor e não era como os outros? Sabiamente ele também a lembrou de suas próprias fraquezas e se reafirmou único justamente por reconhecer suas limitações.
Parece que estamos sempre atentos para as fraquezas dos outros. Estamos sempre investindo tempo e energia para livrar os outros de maus hábitos. Estamos sempre julgando os outros por suas atitudes diante das adversidades. Todos juízes da vida alheia.
Lembro quando aquela apresentadora matinal famosa, teve que lidar com o câncer. Deixou tudo à mostra, não se escondeu, mostrando a realidade da sua condição e do tratamento. E o mais importante: de como agir com positividade pode ser benéfico para o tratamento.
Sua postura ajudou muita gente. Inclusive a minha tia, que estava com a mesma doença, na mesma época que ela. Serviu de exemplo. Só que muita gente, os juízes do comportamento alheio, criticaram, fizeram pouco caso, alegando ser desnecessária tanta exposição. Como se, criticar, de fato, fosse muito necessário.
A mesma coisa com o ator bonitão, que lindamente tem enfrentado o seu problema de saúde. Tem servido de exemplo pra muita gente, inspirando pessoas perfeitamente saudáveis a seguir em frente sem reclamar tanto da vida. Muitas vezes é preciso que alguém venha nos mostrar que temos tudo de que precisamos pra sermos felizes. Mais uma vez, encontramos aqueles que criticam, lógico. Chegam ao cúmulo da crueldade dizendo: é fácil ter essa doença quando se tem dinheiro. Quero ver lá no SUS. Blá blá blá.
Pois bem, uma colega nossa, blogueira, está enfrentando de forma igualmente corajosa seu problema de saúde, que nos mete tanto medo. Não tenho intimidade com ela, mas a acompanho há algum tempo. Só não a identifico, para que os juízes do comportamento humano não venham me taxar de oportunismo. Pelo que conheço dessa pessoa, ela continua a mesma. Sua atual condição não foi suficiente para tirar a alegria com que ela sempre encarou a vida, ela não precisa se esconder por estar passando por isso. Tampouco, mudar sua forma positiva de ver o mundo.
Há quem critique, lógico. Há quem duvide de sua alegria. Há ainda aqueles que estão ar-ra-sa-dos por vê-la sempre bem. Como se à elas fosse facultado esse direito.
Mas para mim e muita gente, que eu sei, ela serve de exemplo, pois essa sua postura só mostra o quanto ela se preocupa com seu marido e suas filhas, pois se acaso se tornasse vítima e tivesse pena de si mesma, certamente, o fardo se tornaria muito mais pesado. Isso é compromisso! Não só com a vida, mas com os seus.
Se todos esses personagens sofrem? Sim, acredito que sim e até onde sei, nunca negaram isso. Só não se rendem à tristeza.
Porque nessas horas, a gente deve se agarrar à esperança.
E que, quando necessário, saibamos agir como o Lino: relembrando a todas essas pessoas tão preocupadas com a postura alheia, de que eles também tem (muito) com o que se preocupar.
E viva àqueles que tem coragem de se tornar bons exemplos.
De força, luta e positividade.
Bom sábado.
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