Houve um tempo em que queria esquecer alguns momentos da minha vida. Como se fazer de conta que eles nunca existiram, fosse, de fato, apagá-los da memória. Depois fui aprendendo que somos a somatória de tudo isso: do que vivemos, de quem amamos, do que vimos ou sentimos.
Bia de vez em quando, gosta de revisitar os lugares por onde estivemos, olhando antigas fotos. E nesse final de semana, embarcamos juntos. Todos juntos. Inclusive o Otto, que à época ainda nem status de projeto tinha.
Revendo tudo isso, conseguimos sentir até o cheiro da cidade, com sua atmosfera pesada de umidade e levemente adocicada...como um cupuaçu.
Quando se chega num lugar, é bom não sentir pudores. Estar aberto às percepções. Só assim, pra entender o modo de vida de seus habitantes. E o mais importante é não fazer julgamentos com base no seu estilo de vida, mas saber admirar beleza em todos os detalhes. Por menores e mais confusos que sejam.
Conhecemos o real significado da palavra diversidade, no caso, cultural. Há um mundo além do próprio umbigo e das sólidas convicções. Há sim.
Aqui, ribeirinhos que iam de voadeira até o navio em busca de doação.
No jardim, havia um rio.
Quem quer trabalhar, improvisa. Vendedor de camarão oferece seu produto para os passageiros do navio que faz a rota Manaus - Belém. "mas vc não sente medo?" "medo de quê? sou filho do rio, moço!"
Paulinho viajava a trabalho e a lazer. De avião (bimotor), de barco, voadeira ou navio.
Família em Parintins - foto mais linda ever.
{essa é a Amazônia pelos olhos dele, que contava apenas com uma câmera amadora, Benq, 5 MP}
Somos fruto do vivido.
E devemos respeito a tudo o que vivemos.
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