Dia absolutamente normal. Normalmente entediante, daqueles chuvosos e friorentos.
Estávamos todos empinhados dentro de casa, tentando vencer o marasmo, que algumas vezes considero confortável.
Ela estava particularmente mal-humorada e inquieta. Criou confusão com coisas triviais. Não ficava satisfeita com nada, nem na companhia de ninguém. Não sabia dizer como se sentia, nem o que queria. Queria tudo e nada ao mesmo tempo.
Nesse clima, o dia levou anos.
Até que ouvi um choro vindo da escada. Chamei por ela. Sem resposta. Insisti.
Olhos inchados, mão no peito e uma angústia que dava pra ser fatiada.
"mãe, me ajuda. Não sei o que tá acontecendo, não sei o que tô sentindo. Não quero chorar, mas o choro vem mesmo assim. Por que, mãe?"
Estava diante de minha própria impotência e apesar de não ter respostas ensaiadas, ofereci meu abraço e um colo quentinho. Só disse a ela que é normal a gente se sentir assim e que acontece com todo mundo. Depois de um tempo aninhada, ela me olhou e perguntou:
"mãe, vc vai me dar colo, mesmo quando eu crescer?"
Sempre, minha filha. E é muito importante que saiba que independente da idade ou da situação em que se encontre terá sempre a mim e estarei sempre pronta pra te acolher.
Sempre.
***
Ai, hormônios! deixem a minha menina em paz.
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