quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Juiz de filho


Estou pra escrever esse post há muito tempo, mas não sabia qual enfoque daria. Se eu começasse a descrever essa fase como uma aberração fora do normal, não estaria sendo coerente com o que penso, se só tentasse focar no meu cansaço, não estaria sendo justa...





Otto e Bia apesar de serem irmãos são absolutamente diferentes e surpreendentemente parecidos. Ultimamente vivem se pegando, brigando, reivindicando direitos e exigindo que eu tome um partido. Bia banca a ofendida e se retrai, já o Otto depois de um minuto nem lembra mais o que aconteceu.





Os motivos são os mais banais e por isso mesmo, totalmente relevantes: brigam pela posse de brinquedos, pelo que vão assistir na tv, sobre quem começa a jogar. Para mim, isso não extrapola a normalidade, já que não vejo rivalidade, inveja ou competitividade. Não posso negar que é super desagradável e que me cansa muito, mas para por aí, sabe? Não me sinto culpada, não me amarguro, muito menos me sinto incompetente como mãe.





Tento da melhor forma ser justa e não interferir demais, afinal eles precisam se conhecer, traçar seus próprios códigos de conduta, criar intimidade e definir nessa relação seus próprios limites. 





Seria muito mais cômodo separá-los. Colocar cada um em um cômodo e ficar livre da gritaria e do chororô, mas eles precisam aprender a se respeitar e a minha contribuição é deixá-los juntos. Separar criaria um sentimento de proteção em um e de rejeição no outro.





Ao invés de juiz de filho, procuro bancar o Max Gueringer e intermediar os conflitos - naturais em quaisquer relação.













Dei uma pausa na produção desse texto e de longe vi o Otto tentando de todas as maneiras alegrar a irmã que estava largadona no sofá por causa de um febrão. Incansável, cantou duas musiquinhas, sacolejando seu corpinho magrelo, fez várias cosquinhas, até que finalmente arrancou um sorriso dela.





"Vc tá feliz, agola Bibia? Só gosto de te ver feliz, sabia?"





Depois de receber uma resposta afirmativa, sentou ao seu lado, da maneira mais companheira que consegue ser.





Isso reforça em mim a certeza de que estamos no caminho certo.





Né?













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