Tenho um plano telefônico que me permite fazer ligações interurbanas à vontade. Isso compensa um pouco a distância física da família, já que diariamente converso com minha mãe ou meu irmão. Acontece, que mesmo com esse contato diário, muita coisa nos escapa...
***
Daí ele, um crianção de seus quarenta e pouquinhos chegou de viagem trazendo muita novidade. Uma delas era um desses aparelhos de blu-ray 3D. Empolgadíssimo, chamou todo mundo pra ver como aquilo era sensacional, cheio de recursos, imagem excelente. Talvez a mesma empolgação que sentiram com a primeira tv em cores! Todos juntinhos esperando que a maravilha tecnológica começasse a funcionar e ele, não se atentou a voltagem.
Ligou, pifou.
A mesma alegria que contagiou a todos, os fez murchar. Cabisbaixo, subiu e pediu que seu pai pegasse o aparelho e desse um fim, pois não queria nem mais olhar.
Esperou que o filho saísse pra trabalhar, botou a caixa debaixo do braço e foi atrás de uma solução. Foi ao encontro de um dos melhores consertadores da região e contou o que tinha acontecido. O homem fuçou, fuçou e garantiu que ainda tinha jeito.
Chegando em casa, colocou a caixa num lugar estratégico. Ela precisava ser vista assim que ele entrasse em casa. A tática não funcionou, tamanha a decepção dele. Subiu sem notá-la. Seu pai pediu que ele descesse e tentasse ligar novamente. Pensando se tratar de uma brincadeira de mau gosto, nem deu bola. Continuou regurgitando sua frustração.
Só que seu pai insistiu, até que, diante da insistência e notando um tom que lhe pareceu mais um incentivo, desceu praticamente correndo. Ligou. Funcionou. O ajuntamento na sala se refez.
***
O pai é meu avô - aquele mesmo que me contava mentiras e o outro é meu tio, uma pessoa por quem tenho uma profunda admiração.
Qual pai desiste facilmente? Que pai não tenta de todas as maneiras consertar o brinquedinho do filho, não importa qual seja, para lhe devolver a alegria?
(agora dá licença, que tá escorrendo uma lagriminha no canto do olho...)
Nenhum comentário:
Postar um comentário