quarta-feira, 12 de outubro de 2011

O pinto pia!


Estava naquela fase chata de quem não sabe se definir. A linha tênue e invisível que divide pré-adolescência e infância. Ora me achava grande e madura demais, ora me sentia no direito de reivindicar meus direitos de criança. Confusão.





O ano era 91, estava com 11 anos e já tinha dado meu primeiro beijo. {Deus me acuda e que a Bia não puxe a mamãe, amém!} Estava implicando com a minha mãe que tinha dado 37453 brinquedos pro meu irmão mais novo, ao mesmo tempo em que fazia queixas a minha avó, que a filha dela não tinha comprado nada pra mim. Ousadia master!




Compadecidas com a minha aparente confusão mental, cientes de que queria chamar atenção e enternecidas pela minha primeira manifestação de inveja fraternal, saíram para me comprar um mimo, um pequeno regalo - assim fantasiei. Antes de prosseguir com essa narrativa, façamos as seguintes observações:







  • não pedi brinquedo, pedi PRESENTE e há uma diferença enorme entre as duas coisas.

  • nunca dê um presente para alguém para suprir carência, para cumprir tabela, a pessoa certamente notará. E isso poderá lhe causar um profundo trauma.









Chegaram as duas juntinhas do xópis com várias sacolas. Desfiz a tromba e disfarcei minha curiosidade com desespero - nada sutil. Procurei me sentar na posição mais confortável possível, fiz perninha de índio e abri os braços de uma forma que pudesse acomodar TODOS os presentes.









Não acreditei quando mamãe veio carregando uma caixinha que cabia na palma da mão. Recebi, agradeci, acomodei a pequena buginganga nas pernas de índio que a essa altura estavam batendo freneticamente no chão. Se demorasse mais um pouco, certamente, alçaria voo! Fiquei lá afoita, excitada esperando o presente de fato.









Sacolas se esvaziaram e sobrei com a caixinha! Vovó me encorajou a abri-la......GENTE! 









Ganhei um pinto.









"Coloca ele na palma da mão, Dani. Ele PIA!!!"




"cê, jura mãe?"









Ali fiquei sabendo que meu reinado no mundo encantado da infância havia chegado ao fim.




E fiquei tão traumatizada, que nunca mais quis ver um pinto pela frente...









quer dizer...






Pra quem não lembra do indecente, aí vai:







google images




E ele pia!











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