"Depois de 72 anos de união, casal morre de mãos dadas nos EUA". Ao ler essa notícia ontem, no G1, imediatamente tracei um paralelo com uma historinha mitológica que conheci anos atrás - a história de Baucis e Filêmon.
Certa vez Zeus, sob forma humana, visitou uma região acompanhado por Hermes - deus da venda e do comércio. Apresentavam-se como viajantes fatigados e iam batendo de porta em porta procurando quem lhes abrigasse. Como era muito tarde, encontrou todas as portas fechadas. Não havia ali ninguém hospitaleiro o bastante que se dispusesse a ajudá-los.
Até que pararam diante de uma casa muito, muito pobre, onde morava uma velhinha piedosa chamada Baucis e seu marido Filêmon. Os dois se casaram muito jovens e haviam envelhecido juntos. Sem se envergonharem de sua pobreza, receberam os hóspedes celestiais com toda a boa vontade e ofereceram tudo de melhor que possuíam em sua choupana. Reavivaram o fogo, estenderam-lhe um tapete onde estes pudessem sentar. Prepararam aos hóspedes uma sopa com as ervas de seu quintal e o único naco de toucinho de que dispunham. Também foram oferecidas suas conservas, queijo, rabanetes e um pouco de vinho.
Ficaram horrorizados quando perceberam que a medida que o vinho era servido, ia-se renovando no jarro. A partir daí reconheceram os seus verdadeiros hóspedes. Caíram de joelhos e imploraram perdão pela pobreza do acolhimento. Mas Zeus reconheceu a hospitalidade e, sobretudo a humildade generosa deste casal.
Foi então, que ele resolveu castigar toda aldeia, com exceção dos velhinhos que souberam acolhê-lo sem saber de quem realmente se tratava. Eles viram a água tomar conta do lugar e sua humilde moradia transformada em um templo.
Zeus virou-se pra eles e perguntou quais seriam os seus desejos. O marido consultou a esposa por alguns minutos e depois anunciou o desejo comum. Como viveram uma vida de amor e concórdia, gostariam de morrer ambos na mesma hora, pois um não iria suportar chorar a morte do outro.
Quando se tornaram muito velhos e estavam sentados de mãos dadas, folhas começaram a cobri-los. Trocaram as últimas palavras de despedida até que ambos se transforam em uma árvore.
***
Quem dera não precisássemos nos despedir de quem amamos.
Nunca consegui esquecer essa história...
Será esse o desejo de todos que se casam?

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