terça-feira, 1 de outubro de 2013

Pelo direito de permanecer de pijama

Há um tempo atrás li um texto da Ro Lippi no Projetinho de Vida e a metáfora que ela usou para falar da relação dela com a blogosfera foi tão boa que nunca mais esqueci. Fui procurar o texto para linkar e levei um susto com a data em que ela postou. Sim, faz mais de um ano. O que significa dizer que há mais de um ano ando levando esse blog sem muito ânimo.



Ro dizia assim: "Antes eu me sentia totalmente à vontade nesse universo bloguístico, era como se eu pudesse andar descalça, de shorts e de cabelos despenteados porque todo mundo era de casa. Agora me sinto um pouco estranha. Tanta gente nova e tanto blog bom que eu me sinto obrigada a botar uma maquiagem e uma roupa arrumadinha pra sair de casa, sabe como? Tive que abandonar aquele pijamão, e tem dias em que não me sinto mais tão à vontade." (leia na íntegra aqui)




O Balzaca Materna vai completar três anos em outubro e nasceu de uma necessidade egoísta: a de passar a minha vida a limpo. Na verdade, essa foi a ideia de uma terapeuta que pretendia trabalhar a minha assertividade. Escreve - ela disse. Vai te fazer bem. Como escrevi a minha vida inteira me questionei o porquê de ter abandonado o hábito e assim nasceu o BM.





O primeiro ano foi o melhor de todos. Estava empolgada e deslumbrada com o tamanho da blogosfera e com todas as conexões que poderia fazer através dessa ferramenta. Vibrava a cada novo comentário a cada novo seguidor. Tinha assunto de sobra. Tudo era novidade, meus filhos eram menores e eu não fazia nada (hohoho) além de ficar em casa com eles. Ao voltar pra faculdade, custei a voltar ao ritmo de estudos, a conciliar os afazeres de casa e os cuidados com as crianças. Foi aí que deixei de lado a blogosfera para me dedicar a outras leituras menos prazerosas, mais complexas...



No segundo ano, murchei. As postagens diminuíram bastante e a minha interação na rede idem. Muito embora esse afastamento tenha me propiciado acompanhar movimentos que, apesar de julgar importantes, me mantinham afastada. Parada mas em constante movimento. Isso me possibilitou uma síntese, um amadurecimento. Hoje me sinto inserida nestes movimentos, mas mantenho distante o tom professoral. Aliás, essa nunca foi minha intenção, justamente por entender que as relações humanas são demasiado complexas. Estou aqui mais para aprender, para refletir, informar do que para ensinar. 





Pensei em parar de blogar milhares de vezes. Uma vez até anunciei uma pausa breve para testar minha vida sem essa fonte de escapismo. E como resposta recebi um carinho sem precedente! Pouco depois, voltei com a cara mais limpa do mundo. Não consegui.





Quando penso em desistir, programo uma mudança no layout, como se fosse a casa a culpada por minha falta de inspiração. De fato não é. A verdade é que a blogosfera está bem mais exigente com o conteúdo dos textos. Não se pode mais blasfemar escrevendo bobagem. Na verdade, isso é mais a forma como percebo o movimento, entende? E não uma cobrança real. 





Confesso que nem sempre tenho saco nem tempo nem inspiração para escrever um artigo científico por dia. E sinto muita vontade de voltar a escrever sem muitos compromissos. Muitas vezes tenho vontade de sentar e escrever sobre como me sinto em dias de chuva. Ou como dias de sol me deixam mais felizes. Ou compartilhar aquela receita maneira de bolo de banana.





Esse é meu lazer, meu prazer.





Bom, ali no lado direito tem uma imagem convidando meus leitores a responder uma pesquisa - dessas que os blogueiros fazem pra preparar media kit e já adianto que propus esse questionário com o objetivo oposto. Agora tenho dados suficientes pra espantar qualquer assédio comercial, como manifestei nesse post, sinto vergonha por ter topado fazer publieditoriais para grandes empresas.





Gente, na boa, se eu soubesse que vcs seriam tão maravilhosos ao responder esse questionário, teria proposto há meses. Muita gente respondeu e o melhor de tudo foi terem doado um pouco a mais de tempo para deixar algumas sugestões. Vamos às considerações a esses comentários?




Uma das leitoras disse sentir bastante falta de postagens com dica de filme. Verdade seja dita: de fato não tenho assistido a muitos filmes. Na verdade, há séculos não assisto a um bom filme. Outras disseram que o intervalo entre as postagens é muito longo. Concordo e acho que expliquei o porquê.





Uma outra sugeriu algo fantástico: a participação dos leitores. Nos use - ela pediu. Adoro a ideia e confesso que isso já me passou pela cabeça há séculos, mas apesar de desavergonhada, sou bastante tímida. Portanto, quem quiser escrever, sugerir ou mesmo bater um papo sabe onde me encontrar, né gente? Ali tem e-mail, facebook, pinterest...mesmo tímida, sou facinha.





Uma única leitora mencionou a falta de resposta nos comentários, coisa que antes de frequentar uma fábrica de diplomas (aka faculdade), eu fazia com o maior prazer. Hoje, além de não ter tempo, muitas de vcs não habilitam o e-mail, de modusquê nunca dá pra responder diretamente. Estou programando uma (outra) reforma no blog e vou procurar um mecanismo porreta que me permita responder a todos.



Como não sou boba nem nada, perguntei o que os leitores achavam do blog e as respostas todas falavam do meu estilo, das reflexões que meus textos suscitam, da maneira identitária com que escrevo...isso me surpreendeu sobremaneira e vou lhes dizer por quê.



O que me motivava a querer parar de escrever era justamente achar que postagens pessoais não eram atraentes para o leitor. (risadas) Que ninguém mais queria saber disso, que eu já não tinha mais lugar nesse mundo blogosférico. (mais risada). GENTE! Por isso foi tão gostoso e tão surpreendente ler as centenas de comentários nesse sentido. E o melhor foi ler coisas como: continue; vá em frente; não pare. (lagriminhas) Gratidão a todos os envolvidos.



O mais engraçado disso tudo é constatar que as cobranças nem sempre são reais, externas a nós e perceber principalmente como a cobrança interna, por preciosismo, por perfeccionismo nos limita e nos engessa.



Nos libertemos todos dessas armadilhas, mas pleiteio meu direito de permanecer de pijama.

Estamos conversados?









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