segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Eles não imitam, nos tomam como exemplos


Fui seduzida por um livrinho fino, feio e sem graça na biblioteca da faculdade. Não havia nada nele que me chamasse a atenção, exceto o título. No alvoroço da descoberta, nem prestei atenção num detalhe: o livro foi editado pela Editora Cristã Unida. Não prejudicou em nada a leitura e o livro fala justamente sobre um período bem esquecido pela literatura: a puberdade, de crianças entre seis e doze anos.





A Bia está crescendo e quero uma literatura que acompanhe esse crescimento, pra aplacar um pouco da angústia que sinto, clarear as dúvidas que tenho. Não posso discutir sobre mamadeiras/chupetas/fraldas até ter netos...





O autor retrata vários estágios da puberdade e nos reconheci em quase todos eles. Havia esquecido como é boa essa identificação! Como nos faz suspirar de alívio e muitas vezes reconhecermos que estamos no caminho certo.





Aqui estamos na fase da imitação. Segundo o autor "a pré-adolescência é um estágio vívido do desenvolvimento da criança, porque ela procura imitar aqueles que admira. O desenvolvimento social, moral e espiritual da criança caminha do regulamento para a imitação".





Ele afirma que as crianças muito pequenas são mais impressionadas pelo que lhes é dito, na pré-adolescência ela é muito mais consciente sobre quem diz.





Estávamos numa fase muito louca, porque ela simplesmente não obedecia, estava apática para com suas pequenas responsabilidades diárias. Alimentar os hamsters, é um exemplo. Fora a toalha molhada em cima da cama, fora as calcinhas penduradas no box (quem nunk), fora a manutenção da ordem na sua mesa de estudo. Todo dia eu dizia a mesma coisa. Estava começando a ficar meio louca, sabe? Reproduzindo padrões....gritando ordens, dizendo que iria me poupar e gravar tudo, para apertar play to-do dia pela manhã. Essas coisas.





Atentei para o erro que estava cometendo e passei a não falar mais nada e a ser mais organizada com as coisas da casa. Passei a arrumar minhas coisas, não a tarde quando ela estava na escola, mas a noite quando estivesse presente. Começamos a observar o efeito positivo nos atos dela.





Nós podemos exercer uma profunda influência sendo um modelo transparente e atraente a ser imitado.





Há bastante tempo Bia vem pedindo para que eu criasse um blog pra ela. Sempre prometi que lhe faria um, quando ela tivesse dez anos, desde que, se interessasse pela leitura e pela escrita. Projetei pra frente, não por ser uma pessoa esquematizada, mas para ganhar tempo para pensar no que isso significa pra ela.





Não seria exposição demais? O que ela espera tendo um blog? Visitas? Seguidores? Ao longo desse ano, fomos conversando sobre todas essas questões. Deixei bem claro que caso atendesse seu pedido, ela não seria uma blogueira. Ela apenas teria um blog, o que é bem diferente - sabemos. Seria pelo prazer de escrever, de se soltar, de aprender, de compartilhar, enfim...e depois que vi isso no relatório da escola, não tive como não ceder. Será um estímulo a mais.







reunião na escola, orgulho, puberdade, como escrever bem, desenvolvimento infantil, papo de mãe, compromisso
mata mamain de orgulho, mata!








Em janeiro completará 10 anos e como havia prometido, lhe criei um blog. O nome escolhido por ela foi Nuvem Colorê. (<3) e já tem vários textos publicados, apesar de ser privado. Condição que impus temporariamente, já que ela não vê graça em algo que não se possa compartilhar.





Soltei mais uma amarra e estou sendo constantemente surpreendida com sua desenvoltura, como nesse poema totalmente sinestésico:






Eu ouço as cores,


me alimento de nuvem,


já toquei no arco-iris,


tenho visão raio-X,


cheiro a lua.





Converso por telepatia,


me espeto com água,


vejo o vento,


Sinto o cheiro de uma flor,


 em 10.000 km de distancia.


escuto o rugido,


de um campo de dente-de-leão.












É isso. Toda criança melhora seu desempenho graças a aprovação, sucesso e realização.









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