Ele era muito diferente de mim, pelo menos naquele momento da minha vida, mas eram nossas semelhanças que nos atraíam.
Tínhamos gosto diametralmente opostos. Eu bebia cerveja, ele suco de laranja; gostava de barzinho agitado, ele preferia viajar pra um lugar calmo - mergulhar ou fazer trilhas; gastava meus tempos de ócio lendo, ele cultivando orquídeas; eu era noite, ele era dia.
Quando começamos a namorar, eu já estava bem cansada desses namoros conturbados, sabe? Ciúme, possessividade, controle. Isso tudo só demonstrava insegurança e imaturidade. Então só ficaríamos juntos se ele passasse nuns testes, que foram aplicados de forma aleatória.
Na primeira semana, saí a noite, sozinha com a turma de filosofia da faculdade da minha mãe. Fomos a um bar com música ao vivo. Contei com quem e onde iria. Cética, coloquei o celular bem visível em cima da mesa, pra que eu atendesse tão logo tocasse. A noite foi ótima e não recebi nenhuma ligação. Ok.
Dia seguinte, fiquei esperando reprimendas, comentários maldosos, piadas agressivas. NA-DA. Daí, me roendo de curiosidade, fui lá perguntar o porquê daquele comportamento "estranho", no que fui prontamente informada de que não havia motivos pra haver controle. Ele sabia onde e com quem estava, confiava em mim e ponto.
O tempo passou e fui me desapegando dos vícios de relacionamento. Nos demos bem, nos damos bem.
Nunca incomodou a ele o fato de eu gostar de bebidas alcoólicas, nunca reclamou por causa do meu cigarro, nunca em nenhum momento, ousou sugerir como eu deveria me portar. Daí, não aguentei e pedi esse homem em casamento. Por que, né.....queria um marido/companheiro e não um censor.
Pois bem.
Dia desses passei por ele e pedi que ele depilasse as costas. Pelo menos as costas. "Ora que coisa mais feia!".
Dia desses,lhe comprei uma blusa gola V de presente. Sem levar em conta o seu gosto pessoal. Estava dizendo indiretamente que ele precisava ousar mais na hora de se vestir.
Dia desses, pedi que cortasse o cabelo, pois preferia ele baixinho como o de um samango e não como usa atualmente.
Pedi também que usasse sandálias de couro, que ele acha coisa de vovô, só porque acho charmoso e que me acompanhasse numa cerveja, "só uns golinhos" - insistia.
Ou seja, depois que pentelhei bastante, ele me interrompe num desses momentos em que sugiro coisas/comportamentos e fala segurando a minha mão:
"Nunca pedi pra você fazer nada que sei que não gosta (roupas, comportamento). Respeito o seu estilo de vida e o modo como vê as coisas e gosto de vc assim, e-xa-ta-men-te como vc é. Não mudaria nada, por isso não te peço nada. Será que não está na hora de parar com suas sugestões? Agradeço, mas...."
(fosse eu no lugar dele, fina que só, teria dito algo do tipo: "ahpapoha! me deixa em paz")
GENTE!
que vergonha....
só consegui sentir vergonha.
Se um avestruz fosse, enterraria minha cara num buraco por um boooom tempo.
Até porque, estou com a depilação por fazer. BEYJO.
*imagem: daqui
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