O mundo não é mais o mesmo.
Não para o pequeno Otto, de pouco mais de três anos. Está maniqueisticamente dividido na eterna luta do bem contra o mal.
Seres fantásticos que cospem fogo, cavaleiros que exibem orgulhosos o seu escudo, castelos cheios de seres do mal com barreiras intransponíveis, super heróis incansáveis, tubarões famintos, abelhas descontroladas, cobras venenosas, dinossauros errantes passaram a lhe perturbar o sono, a permear os seus sonhos, ou melhor, os seus pesadelos.
Acredito que tudo isso tenha a ver com uma nova fase.
A sua curiosidade não é a mesma dos tempos de outrora, já que ele se interessa e muito por todos os personagens supracitados. Praticamente um paleontólogo, conhece não só uma, mas várias espécies de dinossauros. Consegue facilmente distinguir um tubarão branco de um tubarão tigre. Gênio.
Humilha qualquer nerd, enumerando os bilhares de super-heróis da Marvel Comics.
Muita informação assim, deve demorar pra ser digerida, imagino.
Há algumas noites, tenho acordado com gritos, frases desconexas sendo ditas numa espécie de frenesi, tudo emanando do caos que é a cabecinha do meu filho nesta fase de seu desenvolvimento. E é na madruga boladona, que preciso levantar com nobres propósitos quixotescos, ora pra combater dragões enfurecidos, ora pra derrotar os vilões mais resistentes. Fora dinossauros e tubarões recalcitrantes.
Noite após noite, ele precisa ser convencido a dormir, que tudo ficará bem, que ele não precisa ter medo, pois poderá contar comigo...pois ao menor sinal de ruído, captado por minha audição supersônica me revelo a maior heroína de todas, mesmo cambaleando ao me levantar. Sempre a postos.
(pena que ele não conheça o meu alterego. Cuidem para que meu segredo não seja revelado.)
imagem: daqui
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