Para que vcs entendam onde quero chegar com esse post, é preciso que eu confesse uma coisa. Nem gosto muito de falar sobre isso, não em redes sociais, não com qualquer pessoa, embora não entenda porque algumas se ofendam tanto com uma condição tão, tão pessoal. Até porque, teoricamente, vivemos num país onde há a liberdade de crença.
Tenho minhas inquietações ateístas, sabe? Apesar de nunca ter tido culhão suficiente para me declarar assim. Em momentos de covardia e falando baixinho pra que Ele não me ouça, digo ser agnóstica, usando exatamente a mesma desculpa que o jornalista Bial fez em entrevista ao Jô Soares.
O meu problema nem é com Deus, mas com as religiões - as acho imperfeitas, justamente por serem fruto dos homens. E os dogmas? Aquilo que não se pode contestar de forma alguma? Isso vai de encontro a minha natureza questionadora. Incomoda a ponto de eu sentir coceiras.
Gostaria muito, muito mesmo de ser uma pessoa entregue, que aceita ou em outros termos, que tem fé. Pode ser impressão minha, mas essas pessoas me parecem mais livres, menos angustiadas e mais agradecidas ao que vida lhe oferta.
Ou não. Porque vejo as pessoas culpando Deus por tudo, sendo o algoz da felicidade/tristeza alheia.
Bom, de toda forma, questionando ou não, não abandono o barco, pois me foge a visão punitiva, vingativa. A visão que tenho Dele é a de puro amor, de perdão, de aceitação. Portanto estou tranquila em falar essas coisas, de alimentar minhas dúvidas, pois Ele certamente me perdoará. Ou me fará crer em Sua presença.
Começo do ano passado, pedi a Ele com toda a pouca fé que tenho, que afastasse de mim tudo o que me fazia mal, que afastasse de mim tudo o que me fazia perder o foco, que me guiasse no melhor caminho, já que em dúvidas estava sobre qual atalho escolher.
Pois bem.
Não é que Ele mostrou? Não da forma bonitinha que todo mundo espera, inclusive que eu esperava, diga-se. Comecei o ano levando duas rasteiras, de duas pessoas distintas, ou melhor, nem tão distintas assim. Isso doeu. Muito. Porque foi feito da forma mais tosca possível, sem o menor respeito, sem a menor consideração.
Vivi aqueles (poucos) dias em carne viva e superei. Passou.
Sozinha e distante do que me fazia mal, tive tempo pra pensar, pra me concentrar, pra redefinir, pra focar.
Segui com o projeto do blog, que sempre me fez bem e no meio do ano retomei a faculdade.
***
Apesar de estar focada em uma coisa, embaralhei tantas outras.
Passei o ano inteiro querendo ir embora de Floripa, acreditando que minha vida em Fortaleza seria beeemmm mais fácil, que ter a família perto seria um adianto sem tamanho na minha vida, que lá voltaria a trabalhar e meus filhos seriam mais felizes.
Tá.
O ano nem precisou virar, pra que eu fizesse meus pedidos. Subindo no avião, na ida mesmo, pedi "de cum força" com toda a pouca fé que tenho, que Ele me desse discernimento suficiente para separar ilusão da realidade.
E não é que desde o primeiro momento, percebo os sinais?
Um choque cultural, um abarroamento de valores.
A minha ficha caiu.
Pessoas do nada, como se antevissem o que se passa no meu íntimo, vieram conversar comigo, me mostrar a realidade separada da fantasia. Queriam me alertar! Juro que nem precisava, pois fui vendo ao longo dos dias, o quanto estava iludida.
O que me lembrou o que um dia já desejei tanto....
Um dia, há sete anos, desejei sair de lá pra ter uma vida melhor, para estar longe de tudo o que me fazia mal. E naquela época, fomos atendidos.
Se eu mantivesse a minha fé, não teria vacilado, não perderia um só momento de ser grata pelo bem que nos aconteceu.
***
Então.
O ano virou e aquela indecisão toda se esvaiu, amainou.
Estou onde mereço estar.
Não mais no passado ou fantasiando um futuro, mas aqui e agora.
E era essa sensação de pertencimento que estava me faltando.
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