segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Das Dicotomias Maternas




Grosso modo, a dicotomia é divisão lógica de um conceito em outros dois, geralmente contrários. Se observarmos bem, e para não sairmos do nosso campo de atuação, veremos que a maternidade tem muitas subdivisões. Sempre em polos distintos. Difícil é dar primazia a cada uma delas.







  • Parto - normal x cesárea

  • Aleitamento - exclusivo x fórmulas infantis

  • Alimentação - natureba x industrializada

  • Roupas - marcas caras x produtos licenciados de lojas de departamento

  • Brinquedos - madeira de reflorestamento x eletrônicos fisher pricianos

  • Música - Palavra Cantada x Xuxa SPB infinitos

  • Figura da mãe - tempo integral x trabalha fora

  • Babá - desnecessário x necessário

  • Escola - pedagogia "alternativa" x tradicionais

  • Festas - em casa e crafts x buffet e luxo

  • (...)






A lista das dicotomias seria enorme e para aumentá-la, nem precisaria abusar da minha capacidade de imaginação.





Para alguém de fora do nosso universo, essas subdivisões não mereceriam discussões prolongadas, pois tudo ali é uma questão de escolha. E julgá-las por uma delas é no mínimo uma generalização superficial.



As mães não deveriam ser vistas em partes separadas, abstraídas de sua totalidade. A meu ver, isso não está certo. As mães devem ser vistas na sua unidade - que é o resultado de todas as suas escolhas, aspirações e funções desempenhadas. A efeito de ilustração, é pleonasmo dizer "sou mãe e mulher". Dã. Uma não existe sem a outra. Uma não precisa anular a outra.




Essa semana li um texto da Roberta, no Piscar de Olhos, que entre uma gargalhada e outra me deixou uma reflexão. No texto, ela conta como o seu terapeuta acha a blogosfera opressiva, no modo de dizer totalmente particular que um terapeuta tem de dizer as coisas.





Sabe que eu não sei se concordo com ele?





Criei o blog sob o pretexto de escrever tudo o que se passa pela minha cabecinha pensante e constantemente alucinada para extravasar umas emoções e registrar outras tantas. Tá, mas isso me dá o direito de escrever o que eu quiser?









Bom, não posso e nem quero me abster de fazer meus registros, já que escrevo sobre o meu universo sobre o meu ponto de vista. Nada me impede de bradar para o mundo o orgulho por algumas escolhas que deram certo pra mim, dentro do meu universo; nem de chorar as pitangas pra esse mesmo mundo sobre aquilo em que falhei. O importante é ter em mente que nem sempre as coisas saem como planejamos, seja por força do acaso ou capricho do destino E que demos ter culhões pra assumi-las mesmo assim.





Importante é ter essas questões decididas dentro de si, para não culpar os outros por seu próprio ressentimento. Não se pode arranjar algozes pro que vc ainda não é capaz de aceitar.





Sim, mas tudo isso me dá o direito de escrever o que eu quiser? Sim, dá. Embora, tenhamos todos a obrigação moral de não julgar. Tendo em vista que nossas escolhas dependem de variáveis de ambiente - nível cultural e social.



Muita gente age na defensiva, o que reforça a guerra entre as tribos maternas. E isso se deve a quê? Ao fato de já estar cansada dos dedos em riste ou simplesmente por não terem digerido suas próprias frustrações?



Culpar a mãe cesarista é estar cego pra situação como um todo. Ela é só a ponta do iceberg (odeio quem diz isso). A questão é de saúde pública SIM. Os médicos merecem ser melhor remunerados SIM. Devemos discutir esse assunto exaustivamente SIM. Pelo acolhimento de mães e bebês e pelo respeito às suas escolhas.





Não culpo uma mãe que sai pra trabalhar e deixa seu filho numa creche ou com a babá ou com a avó. Já fui dessas e, no meu caso era por necessidade e acho perfeitamente normal quem o faz por prazer. Acho injusto ver alguém se justificando em casos como esse, como se estivesse fazendo alguma coisa errada.



Não culpo uma mãe que decide ficar em casa pra cuidar dos filhos, estou nessa. E dela, não precisamos exigir justificativas. Sou muito grata à vida por ter vivido os dois lados da moeda. E, uma coisa posso garantir, ninguém está satisfeito. Ouvi críticas nas duas situações, só que agora, para elas, ouvidos moucos. Sou feliz com minhas escolhas.





Não culpo ninguém por não comer orgânicos, enquanto uma bandejinha com quatro tomates custar incríveis 9 reais. Ser consciente, tem um custo. Às vezes, muitas vezes aliás, fazemos as escolhas por aquilo que podemos ter e dentro desse universo, tenho certeza de que ninguém faz o mal deliberadamente. É o que tem pra hoje e fim.





Leu coisas por aí que gostou muito? Beleza.


Leu coisas por aí que te fizeram se sentir ofendida? Releve, trabalhe e pense os seus próprios ressentimentos.





As ideias devem ser repensadas, ampliadas ou refutadas. Simples assim.





Atravessar essa barreira é entrar num campo de discussões inócuas, vazias.


E disso, estamos cansados.













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