segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Da saudade e do acaso oportunista




Sinto saudade.


Da infância, da família, dos amigos, da época de escola, do começo do namoro, de ser recém-casada, dos projetos que crio sem comprometimento algum e da maternidade que ainda não terminei de vivenciar.





Sinto saudade da expectativa da gravidez, da neura por saber o sexo, da guerra familiar com a escolha do nome, com a cantoria de mão-na-barriga-debaixo-do-chuveiro, de cheiro de bebê novinho, do medo que eu sentia por eles...seres tão pequenos, tão frágeis! 





Sinto falta daquela correria louca da maternidade no nível 1, acordando o tempo inteiro, loucamente desesperada por um sossego. Também sinto falta do nível 2, experimentando e aguçando minhas habilidades culinárias, correndo atrás de bebê engatinhante que cai-se-esborracha-o-tempo-todo-no-chão, falta de ser indispensável para mínimas coisas como niná-los...esses seres tão pequenos, tão frágeis! Ainda estou no nível 3 para o filho mais novo, aquela fase de dizer não infinitas vezes, ensinando e reforçando posturas positivas all day long. Como a filha mais velha já ensinou, essa fase também passa rapidinho e dela, já sinto saudade.



Não importa o quanto tenha sido difícil, quando olho pra trás, só consigo enxergar o quanto fui feliz e do quanto a vida tem sido generosa comigo. Esse deve ser o segredo para perpetuação da espécie.





***





Dispensei o manual da maternidade mais uma vez e segui, não o instinto, mas o acaso. E, jurava que esse seria um capítulo longo, pesaroso e trabalhoso como os manuais querem que acreditemos.





Otto esqueceu a chupeta na escola, no dia da festa do pijama. Como já havia passado da hora de lhe retirar esse péssimo hábito, não procurei por ela, nem a substituí. Resolvi encarar mais esse desafio. Um dia inteiro se passou e na hora de dormir, ele chorou pedindo por ela. Fiquei ao lado, consolei, expliquei, deu certo.





Mais um dia se passou e na segunda noite, chorou pedindo por ela. Fiquei ao lado, consolei, expliquei, deu certo.



Acordei algumas vezes durante a noite, pois ele ainda sonhava e pedia por ela. Ficava ali, ao seu lado, constatando que não há crescer sem um pouco de sofrimento. (né, Pri Perlatti?)





Vencemos e agora ele sente orgulho por não ser mais "pequenininho", mas meu coração ficou apertado, pois sabia que havíamos pulado mais uma etapa.



Os tempos de bebê ficaram pra trás e dele, já sinto saudade.



















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