quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Do luto, da Faxina, da Esperança









Esse ano finalmente está chegando ao fim.


Não que eu goste de apressar a ordem natural das coisas...mas particularmente, esse ano foi muito difícil.





No começo do ano, em viagem de férias a Fortaleza, descobri uma gravidez. Apesar de estar tomando corretamente os anticoncepcionais, apesar de estar sangrando....não uma menstruação normal, mas espaçada, irregular, por duas vezes seguidas!





Deduzi estar grávida, quando comecei a apresentar os clássicos sintomas. A ansiedade era tanta, que me rendi aos exames de farmácia. Não podia esperar nem um minuto pra entender o que estava se passando comigo. Saí do banheiro com aquela coisa mijada na mão, chorando copiosamente. Minha mãe até tentou me tranquilizar, mas não deu.





Sangramento. Medo. Pavor. Pânico. Médico. Descolamento de placenta. Pânico. Exames. Medo. Choro. Perda do bebê. Choro. Culpa. Medo. Tristeza...........muita tristeza.





Resolvi não contar pra ninguém, pois não sabia exatamente o que estava acontecendo e o que era pior, não sabia o que estava por vir. Nem mesmo a Bia ficou sabendo...passei nove meses gestando um bebê no imaginário. Até que em outubro, mês previsto para o nascimento daquele pequeno ser, houve a redenção e pude entender, que aquela experiência foi um vento passageiro.





Com tudo isso acontecendo dentro de mim, o que acontecia fora não me acalentava. Passei uma crise muito forte e muito séria no casamento, que durou o tempo suficiente para nos amadurecer e tornar a relação ainda mais forte. Tudo dura o tempo suficiente que tem que durar.





Hoje, ao ler o post da Daya, falando sobre o valor do tempo, das prioridades que devemos eleger na vida, percebi que era chegada a hora de iniciar minha faxina.





Com o fim de um ciclo se aproximando, é inevitável as reflexões acerca da vida e por que não dizer, de nós mesmos. Hora de esvaziar as gavetas dos armários, preparar roupas para doação, se desfazer de papéis que só servem para acumular pó e esvaziar também o coração - de rancores, de mágoas, de culpas, de inveja, de medos.





Nos desfazer de coisas antigas para que novas possam chegar. E é essa energia que move a roda da vida! É isso que nos engrandece, nos faz crescer. É rever, assimilar e mudar. É o preparo pra subir mais um degrau na escada evolutiva. Lembrando que, tudo sempre nos acontece por alguma razão.





Tem um poema do Carlos Drummond de Andrade, que traduz com perfeição essa renovação da esperança:




"Cortar o tempo



Quem teve a idéia de cortar o tempo em fatias,

a que se deu o nome de ano,

foi um indivíduo genial.



Industrializou a esperança, fazendo-a funcionar no limite da exaustão.



Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos.

Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez, com outro número e outra vontade de acreditar que daqui pra diante vai ser diferente."





E assim, devemos seguir: coração aberto e fé na vida!

Que venha 2011!!!



4 comentários:

  1. nossa, amei esse post.
    Nao por saber que vc teve uma experiencia tao ruim qto a que eu tive, do aborto. Mas por ver que vc tá muito disposta a comecar bem o ano, a virar a página e encarar tao bem uma folha de papel branquinha e pronta pra novas histórias!

    Eu tb tive um ano mto intenso e, embora o termine com a melhor notícia do mundo morando na barriga, já me sinto prontíssima pro próximo tb!

    beijos!!

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  2. lindo Dani! Que bom que essa página de tua história está sendo virada e que um mundo de esperança bateu a sua porta, isso é ótimo!
    Amo Drummond de paixão, lindo o poema tb!
    bjks

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  3. Ual! quem vê seu sorriso não imagina q vc passou por essa angústia toda este ano. Solidária com vc nessa situação. Já aconteceu isso comigo tb. E quanto a faxina, não há nada melhor do que mexer na velharia para percebermos como é importante nos renovar com mais frequencia.
    Apoio a faxina anual. Devera existir lei para que um dia dos nossos anos fosse dedicado a isso.
    (pra mim tinha que ser uma semana, ô vidinha... kkkkk)
    Beijos!

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  4. Que coincidência Dani, passei pela experiência de um aborto no ano passado também, uma gravidez ectópica me forçou uma retirada da trompa e junto com ela um feto maior que uam moeda de um real. Na verdade como tudo foi muito inesperado acho que não senti tanto. Mas que bom que vc superou e atravessou essa fase com muita sabedoria e dela tirou o maior proveito: a experiência vivida. Beijos e estarei sempre me deliciando com seus texto.

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