
Chega um momento em nossa vida de mãe, que precisamos entregar nossos filhos aos cuidados de um outro alguém.
É como parir de novo. Revive-se toda a ansiedade, a busca pela melhor opção e aí vem a dor da separação e o sorriso que vem em seguida ao corte do cordão umbilical, que reconforta o coração.
Antes mesmo de o Otto completar um ano, eu já dava como certa a ida dele à escola. Como ele tinha refluxo e era um bebê high need (que até então, eu desconhecia o significado), me consumia muito. Fora que por morar longe da família, não existia um só momento para chamar de meu! Eu era mãe full time,
Bom, do que eu reclamava mesmo? Voltando um pouco a fita, me vejo tendo que abandonar meu projeto amamentação exclusiva da Bia, quando ela tinha apenas quatro meses para voltar ao trabalho. E sonhava e desejava com todas as minhas forças não ter que trabalhar, pra curtir o desenvolvimento dela. E mais, quando ela tinha 1 ano e 3 meses, optamos por creche em período integral em detrimento a deixá-la com as babás que sempre, sempre me deixavam na mão.
Sofri muito e com um adicional: ela ia de transporte escolar. Tão bebê!!! E eis que a vida me acena com a possibilidade de me dedicar à maternidade do jeito que sempre sonhei. Fácil não é, mas quem disse que seria?
Pensamos e repensamos a situação e decidimos que o Otto só entraria na escola quando completasse dois anos. Sorte a minha! Sim, sorte. De poder acompanhar o seu crescimento dia a dia, de passar as tardes cheirando a respiração dele enquanto ele dormia; de poder pegar o solzinho no fim do dia, de poder assistir aos filminhos preferidos junto com ele; de abraçar, cheirar e beijar desmedidamente. Sem horários a cumprir. Não são todas que tem esse privilégio. O tempo é impiedoso. E o que passou, jamais voltará.
O primeiro dia dele na escola foi tranqüilo, afinal, estávamos preparados. E ele chegou como um veterano, tão seguro, puxando sua mochila de rodinha! Entrou na salinha e ainda cumprimentou: “Oi amigos!”
Logo foi sentando numa rodinha e ali ficou.....sem chorar, sem berrar e, de tão tranqüilo e tão feliz, não olhou para trás.
Eu ali num canto, orgulhosa, observando o vôo do passarinho.
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