sábado, 10 de novembro de 2012

A festa do pijama, a mãe estressada e as não-fantasias

















Estudei em escola Marista por quase toda a minha vida escolar. Tenho excelentes lembranças das vivências de grupo acontecidas fora desse ambiente. Porque existem coisas que não se aprendem em cartilhas.



Todo ano o nível de estresse nessa casa bate a estratosfera e a culpa é da festa do pijama - um evento escolar anual.





Segundo a escola, é um momento especial, que vai além de brincar e se divertir. É também um momento pedagógico que valoriza a autonomia, a coragem e a organização das crianças, bem como o prazer de estarem perto dos amigos.



Ano passado foi a primeira vez que dormiram longe de mim e acabei não fazendo o registro no blog, nem sei bem por que.  Funcionou. Voltaram maravilhados com a rica experiência. Isso explica toda a ansiedade que sentem nos dias que antecedem essa festa.



Professores e alunos se mobilizam nos projetos de decoração da sala, eles participam de tudo, o envolvimento é total. Cada série escolhe um tema de decoração. Esse ano teve até castelo medieval, com ponte levadiça! e uma sala oriental, com muitos dragões chineses e tendas em voil.



Há teatro, há baile à fantasia, jantar, fogueira, caça ao tesouro e por fim, a preparação para dormir.



Esse ano, meus queridos filhinhos quase me enlouqueceram no quesito fantasia. Mudavam de ideia quase que diariamente. Ficava ali, refém da indecisão deles. Até que na antevéspera, não tínhamos nada decidido. Bia queria ir de mexicana, com uma pintura no estilo dia de los muertos, mas Otto quis ir de gambá a falcão pelegrino. Difícil essa vida de mãe.



Até que me emputeci.



Disse que EU escolheria a fantasia dele. Saí, inclusive para comprar uma, mas desanimei ao ver o preço das bichinhas à venda. Oitenta contos num pedaço de tecido feio e ruim? No, thanks. Nem é esse o propósito da escola, muito menos dessa festa.



Então, arregacei as mangas e pedi que confiassem na mamain. Fiz todo o trabalho de pesquisa e planejamento e coloquei o marido pra executar. Sou esperta, bate!



Olha o resultado:










Oi, sou uma muminha feliz, filho de uma mulher pão-dura, que encarna e se diverte com o

personagem. Foi a não-fantasia mais comentada da escola. Todos comemora.





E minha guapíssima catrina ficou assim:






Marido prendado + vestido bordado + tiara florida essa coisa que parece

um xale = uma mexicana bem linda!










Ainda dei um jeito de borrar a maquiagem. Fuen.






Foram alegres e muito felizes para a grande noite do ano.





Paulinho e eu aproveitamos para assistir ao filme Gonzaga de Pai para Filho no cinema com um casal de amigos e depois aproveitamos a folga inédita para tomar uns tragos noite afora. Sensação estranha de que estava sempre esquecendo algo ou alguém.





O momento de buscar as crianças se transforma numa grande confraternização. Famílias reunidas em torno de mesas fartas de café da manhã. Um grande coletivo comemorando as conquistas dos seus pequenos. Nenhuma criança pede pra voltar pra casa. Sinal de segurança e acolhimento.



Soube de fonte segura que ano passado o propósito da fogueira era fazer com que cada criança ali presente, escrevesse tudo de ruim que havia lhes acontecido para que jogassem na fogueira. Era uma espécie de purificação.





Esse ano, eles alimentaram a fogueira com tudo de bom que havia acontecido e que eles queriam que acontecesse. Alimentaram o fogo com desejos. Foi mágico.





Soube ainda que ao ouvir um amiguinho comemorando algo que foi encontrado na caça ao tesouros, Otto diz em tom profético: não, não...o tesouro mesmo é a nossa amizade!!!





Aprendizado em grupo. Histórias pra contar. Brilho nos olhos. Reforço da autonomia e da segurança deles, enquanto indivíduos.



Fico feliz de que eles possam construir esse aprendizado que nasce do coletivo na infância - aquele momento único, que merece ser muito bem vivido. <3




Filhos felizes.

Pais idem.








Nenhum comentário:

Postar um comentário