![]() |
| Mãe e filha do artista plástico nipo-brasileiro Carlos Kubo |
Longe de ser preconceituosa ou de querer levantar questionamentos inócuos, gostaria de trazer um assunto comum com uma abordagem diferente. Fiquei completamente confusa ao ouvir de duas mulheres o comentário que entitula esse post.
Estavámos na clínica infantil, uma clínica frequentada por classes A e B ou por pessoas como vc e eu, pra uma consulta de rotina e, enquanto os meninos brincavam, eu folheava uma revista distraidamente. Até ouvir as mulheres ao lado tergiversando sobre amamentação. Continuei com a revista, mas a atenção estava voltada pra elas...
Eram duas mulheres maduras, bonitas e muito bem vestidas. Uma delas, que aparentava ser mais velha que a outra, pôs fim a conversa dizendo que "quem mais deveria amamentar (os pobres, de acordo com o contexto), não amamenta. Para eles sim, o leite materno é super importante." - era uma crítica desdenhosa.
Todo mundo sabe que os benefícios do leite materno não escolhem raça, credo ou classe social. É importante pro filhos deles, pro meu e pro seu...pra todos. Todo mundo sabe quão importante a amamentação é para o fortalecimento do vínculo. Todo mundo também sabe, que amamentação requer perseverança e tranquilidade, concorda?
E foi aí, nesse ponto que perdi horas pensando...se é difícil pra pessoas como vc e eu, imagina pra quem não tem condições financeiras.
Pessoas como vc e eu, nos preparamos não só pra chegada do bebê, mas pra amamentarmos. Possuímos cadeira apropriada, almofada apropriada, pomadas e conchas apropriadas e tudo isso ainda não garantem o sucesso da amamentação. Precisa mesmo dessa tralha toda? Fora que qualquer susto ou estresse que nos acometem já limita nossa produção de leite. Que dirá...
Estamos falando aqui das pessoas realmente carentes, que não possuem uma moradia digna, que escolhem se vão almoçar ou jantar e dormem sem saber se vão comer no dia seguinte, mal conseguindo nutrir o próprio corpo, que não possuem água encanada. Mulheres que saem da maternidade sozinhas, carregando um bebê no colo e dando a mão pro ônibus na parada mais próxima. Sem contar que em realidades assim, a licença maternidade não passa de um sonho dourado de uma realidade idealizada.
Tranquilidade? Apoio? - essas mulheres não sabem o que é isso.
Ou seja, tão logo se recuperem das dores do parto, qualquer que seja ele, voltam pra rotina massacrante de trabalho. Seja limpando casas ou lavando roupas. A regra é clara: só comem se trabalharem.
Não seria ótimo se a amamentação não fosse exclusividade de alguns? Já pensaram como seria bom se o Estado garantisse emprego e o mínimo de dignidade a todas as mulheres para que todos os bebês pudessem se beneficiar do aleitamento materno?
Pessoas assim merecem ser recriminadas por não conseguirem? Por não perseverarem em prol do bem estar do filho?
Será que tudo isso é uma questão financeira ou cultural?
{convém salientar que as hipóteses levantadas nesse texto foram pensadas de acordo com a realidade que vi e vivi. Não estou generalizando, até porque ao invés de dogmatizar estou apenas refletindo e convidando vc a fazer o mesmo}
E vcs, o que acham disso?

Amei o post.
ResponderExcluirEsses dias estava conversando com uma amiga justamente sobre isso e a hipocrisia do governo que faz campanha para a amamentação exclusiva até os 6 meses e dão de licença as funcionárias apenas 4 meses, algo está errado né?
Todas as mães deveriam ter todo o apoio necessário para isso, as carentes deveriam receber um auxílio amamentação, com cesta básica e tudo, porque se não nos alimentamos bem não produzimos leite certo? E aí acaba acontecendo tudo o que você falou.
É revoltante a falta de interesse dos governantes em relação a isso tudo, fazem vista grossa aos problemas da população.
E mais revoltantes são as mães que podem e tem todo suporte necessário e simplesmente se recusam a amamentar...vai entender a cabeça desse povo.
beijinhos e um lindo fim de semana
Posso te falar com toda certeza que é CULTURAL não têm haver tnt com a renda financeira familiar.
ResponderExcluirHá alguns anos atrás fiz um trabalho voluntário em uma comunidade carente, em abaixo da linha da pobreza, onde a média de $$ era R$350,00 para uma família com 7 à 10 pessoas, e o trabalho na época era exatamente incentivar o aleitamento materno, o resultado apareceu logo depois, todas as casa visitas, e informadas, as mulheres que tiveram filhos, passaram a amamentar, e sabe todas essas nossas "frescuras" de almofada, lugar quieto e etc... pra essas mulheres isso ñ existe, elas estão lá o curumim pendurado no peito, como índias amamentando suas crias.
O projeto foi feito pra 3 comunidades, e a melhora é vista até hoje com os índices de mortalidade infantil bem menores do que há 4 anos atrás, nessas comunidades!
Bjs
*da próxima vez diga pra esse tipo de mulher um dia passar fome, e trabalhar carregando banana e pegando ônibus lotado, e msm assim continuarem a lutar! é isso que os pobres fazem continuam lutando todos os dias na esperança de um dia melhor.
Uma pena elas pensarem assim, eu quís muito amamentar meus meninos, mas com todos os problemas de uti e depois de alguns dias o Henry se afogou e broncoaspirou um pouco de leite, não tive leite para quase nada!!!
ResponderExcluirBusquei criar os laços afetivos que são automaticamente criados na amamentação, acho que deu certo pois eles são muito queridos e amorosos.
Bjos
Ana
Dani,
ResponderExcluirComentário de alguém que vive numa bolha e não conhece a realidade! Ow que raiva que me dá!
Eu estava grávida do Lorenzo, fazendo um curso quando a professora soltou a pérola "Passei lá na rua tal, às 8 da manhã e os caras dormindo na rua! É a vida que eu pedi a Deus, mas não, eu levanto cedo pra trabalhar!".
Isso me atinge forte, é uma paulada no peito, disse pra ela cuidar o que fala, "pedindo a Deus" porque Ele pode atendê-la e complementei, pro Lorenzo, dizendo que eu já o havia avisado que ele estava vindo pra um mundo de pessoas egoístas, mas que nós tínhamos de fazer a diferença.
É brabo Dani!
Tenho uma amiga, GO humanizada, que me disse uma vez: "Lia, amamentar igual você, só vi as mulheres da periferia". Apesar das dificuldades, parece que o índice de aleitamentos bem sucedidos ainda é maior nas classes mais baixas. Um palpite? Essas mães levam os filhos ao pediatra com menos frequência, que não são pesados a cada semana e não recebem tantas receitinhas de NAN, que patrocina tantos pediatrões caros e bem conceituados.
ResponderExcluirConcordo com a Lia! Já vi mais gente na periferia amamentando do que mulheres mais bem sucedidas! Eu tô ficando cada vez mais contra idas mensais ao pediatra. Mesmo humanizados eles demonstram artimanhas para engordar os pequenos.
ResponderExcluirAchei mesquinho esse comentário feito pela mulher na clínica. Acho que todo mundo deve amamentar, independente da classe social.
Parabéns pelo post.
beijo
Olá, querida
ResponderExcluirJusto hoje em que soube que o meu novo netinho será menino... sai esse post e graças a Deus que minha filha amamentou o outro irmãozinho dele até 2 anos... e tomara que nesse seja igual...
Bjs de paz e ótimo fim de semana.
Dani, acho que vc tem toda a razão. Concordo que amamentar é importante em todas as classes sociais, mas olhando pelo ponto de vista financeiro, para a classe C é ainda mais importante devido à falta de condições em oferecer alimentos saudáveis e balanceados, ou no caso as fórmulas (caríssimas por sinal), aos bebês. Também acho que há uma certa hipocrisia por parte do governo em relação às campanhas de amamentação, pois além da campanha também deveriam ser criadas estratégias para ajudar estas mães a tornar a amamentação realidade, como: oferecer uma alimentação digna para a mãe desde a gestação e aumentar o período da licença maternidade de 4 para 6 meses, como já acontece em alguns órgãos públicos, como a prefeitura em que trabalho.
ResponderExcluirAcho o mesmo que as gurias acima...complicado dizer o que é mais fácil pra quem...acho amamentação uma questão super individual...e como vc disse, as parafernálias das quais temos acesso não garantem sucesso na amamentação...E sinceramente, não concordo que o governo deva dar mais bolsas ou auxílios do que já dá.
ResponderExcluirAté que me convençam do contrário.
Beijos
Dani, é lamentável o pensamento de destas mulheres das classea A e B, assim como eu e vc!!!
ResponderExcluirAmamentar é difícil sim e requer preparação. Concordo! Requer vontade também! Muitas mulheres simplesmente não querem amamentar porque o peito cai, porque dói ou porque "não" mesmo. E ponto. É mais cômodo fazer uma mamadeira. Amamentar, no meu ponto de vista, requer antes de tudo, vontade e determinação. Que insiste sabe que é para o bem do filho. Quem não pode, mas quer, se entristece. Mas quem não quer, simplesmente arruma desculpas. eu já acho que é tão mais fácil amamentar, pois mais dificuldades que se passe, é prático, saudável e um ato de amor imenso!
Beijos!
Algumas pessoas vivem realmente num mundo à parte, não? E acham que tudo bem...
ResponderExcluirDani, uma vez li algo muito bacana: dom é um presente que você recebe de Deus, o que você faz com ele é o SEU presente para Deus. Acreditando nisso ou não, amiga, você tem que pensar seriamente no seu papel na sociedade, pois escreve muito bem e encontra maneiras muito interessantes de fazer todo mundo refletir junto com você. É o seu dom!!! Continue usando assim, para disseminar boas ideias por aí!
Bjos e bençãos.
Mirys
www.diariodos3mosqueteiros.blogspot.com
PS: não vou escrever aqui a minha feliz e SORTUDA história de amamentação porque, ainda nesta semana, postei duas vezes no Diário sobre isso (a amamentação do 1o filho e da 2a filha). Mas, tenho que dizer: que sorte que é ter uma pediatra confiável por perto!!!! Nan, chazinhos e afins para os meus pequenos, no 1o dia???? Só "sobre o cadável dela"!... E deu tudo certo, no final!
Dani,
ResponderExcluirConcordo com você: quanto mais pobre mais difícil a amamentação EXCLUSIVA. Principalmente se considerarmos que apenas o número residual de mulheres pobres com carteira assinada.
E coloco uma pimentinha nisso: quanto mais rica --> menos tempo --> mais difícil? é claro que se é rica por causa do trabalho, e não porque casou ou nasceu rica.
não estou falando de trabalho-classe-média-assalariado como o seu ou o meu, mas de ser dono de empresa, ou um super profissional liberal que só ganha se trabalha.
aí a pressão de voltar e de não "perder" tempo amamentando é maior!
vejo por uma amiga minha, que não é rica, mas que só ganha se trabalha, pois é psicóloga --> precisa de uma puta logística e uma grande vontade para passar seis meses amamentando exclusivo. se ela ganhasse MUITO, duvido que ela ficasse um mês em casa.
acho que é isso...
Eu também já ouvi esse tipo de comentário, pobres dessas mães que pensam assim, e mais pobres ainda os seus filhos, que perderam a maravilhosa oportunidade de serem amamentados!
ResponderExcluirEu amamento exclusivamente meu Frederico que está com 4 meses. Volto ao trabalho no fim de agosto, quando ele estará com 5 meses, e já estou me preparando para que ele continue no aleitamento materno exclusivo até os 6 meses, para isso terei que extrair meu leite e deixar para ele. Sei que não será nem um pouco fácil, pois o único tempo que terei será a noite, quando "deveria" estar dormindo para descansar da dupla, tripla jornada. Não faço isso porque sou rica ou pobre, mas por amor ao meu filho!!!
Beijos!!!
Oi, Dani,
ResponderExcluirEngraçado como só temos mesmo a visão de um corte da realidade. A família da minha mãe tem grande tradição em amamentação. Minha tia amamentou a filha mais nova até mais de dois anos, minha mãe amamentou minha irmã até 16 meses (uma proeza nos anos 80!), minhas primas amamentaram os filhos por pelo menos um ano... Minha mãe chegou a colocar na minha sala uma foto de Emília mamando nos primeiros dias, e tenho uma tia que me disse, quando eu estava com minha filha aos 9 meses no seio: "coisa linda é uma criança mamando..." Pode ser uma coisa da minha família, que não reflete a realidade do Ceará. Mas não tenho informações pra dizer... sei que lá tem gente que acha amamentar "nojento".
Aqui em Brasília eu percebo que as mães da minha classe social querem amamentar unanimamente. Muitas sucumbem a orientações erradas dos profissionais de saúde e desistem por falta de apoio. Mas uma coisa é certa: todo mundo quer amamentar, até um certo ponto. Passou de um ano, estranhamento geral!
A amamentação passou por uma grande crise nos anos 70-80, a geração do leite artificial, e só agora está-se resgatando a importância do aleitamento. Espero que as coisas melhorem, de Norte a Sul!
Bjos!
Lia
Dani, o que eu vejo é que as classes menos favorecidas amamentam mais e melhor. A minha filha agora estuda em escola pública e lá, todas as mães de bebês e crianças amamentam ou amamentaram por períodos muito mais longos do que os das minhas amigas da classe A.
ResponderExcluirEu acho que as menos favorecidas amamentam mais não porque tenham menos dificuldade, mas porque frequentam a rede pública, onde os profissionais não só incentivam mais a amamentação como orientam melhor. Ou vc já viu um pediatra que cobra mais de R$ 300 a consulta (e não aceita plano) pegar no peito da mulher e ensinar a melhor pega, a ordenha e coisas básicas, mas das quais ninguém fala? Isso quem fez por mim/ para mim foi uma enfermeira de um banco de leite público. Na maternidade onde Clarice nasceu, as enfermeiras ajudavam, mas, no primeiro choro (meu ou dela), sugeriam o Nan, já pré-receitado pelo pediatra do berçário.
Classes A e B além de não parirem mais, não amamentam a contento, esta é a realidade.
Beijos
Leite em pó é super caro!!! Acho que se existem dificuldades para amamentar, existem mais ainda para comprar leite é pó.
ResponderExcluirA amamentação deveria ser para TODAS e não para classe x ou y, né?
Acho que é falta de informação... a ignorãncia leva à essas lendas de leite fraco e muitas mães que amamentariam sem problemas (não são todas que sofrem, eu pelo menos não tive dificuldades) acabam se esforçando para dar o que acham "melhor" aos filhos, no caso o leite em pó.
Por mais preconceituoso o comentário que você ouviu, é uma verdade parcial: em questões financeiras, são os que mais precisam amamentar, pois o substituto, além de não ser tão eficiente, custa caro!!!
Quanto à saúde, não são os pobres que mais precisam e sim todos.
Aqui falo de pobres de informação, pois muita gente sem dinheiro é bem informada e muita gente com dinheiro é mal informada. O que falta é incentivo e orientação!
Quanto aos anéis, de quais tipos você gosta? Tem alguns na Tanlup.
O meu marido tá melhor, fomos ao médico hoje e as taxas já estão mais baixas. Uns dois meses para ficar zerado...
beijocas!
Bom FDS!!!
É cada merda que a gente ouve, eu finjo que nem escuto pq nao jogo pérolas aos porcos. Bjs
ResponderExcluirEu trabalho com uma comunidade extremamente carente e verifico que o principal empecilho à amamentação não é a luta pela sobrevivência, mas a força da herança cultural (que advem da falta de informação e se perpetua)... As mulheres carentes ainda têm como principal fonte de informações, na falta de um sistema de saúde eficiente e de acesso às mídias, as suas mães e avós.
ResponderExcluirPessoas estas que acreditam piamente em "leite fraco", chazinhos, necessidade de água, etc.
É difícil convencer do contrário, se a informação parte de um sistema de saúde que muitas vezes lhes nega o atendimento a uqe tem direito.
Felizmente vejo algumas mulheres se conscientizando e buscando mais informações em nome do amor pelos filhos...Embora saiba que é um processo lento de desconstrução de conceitos.
Oi Dani,
ResponderExcluirvim te conhecer, conhecer o teu blog e agradecer o carinho pelo Uri!
Adorei o post. Amamentar deveria ser visto como uma coisa tão natural q seria obrigatória, rsrsrs. Eu sofro por não ter amamentado o Uri 100%, e olha q tentei e me esforcei muito, mas nao foi bem como eu sonhei, e sofro mais ainda vendo amigas q podem e não amamentam pq "não dá certo. O bebê não tem paciência, é dificil...". Desgosto!
Beijos e prazer em te conhecer!!
Dani, nunca comentei mas faz um tempo que visito seu blog e A-D-O-R-O. Desde o layout, a maneira de escrever, as idéias... enfim. Você me pescou naquele post sobre o prazer de cozinhar - e como ele vai se dissolvendo com a chegada de mais um filho. É bem o que vem acontecendo por aqui apesar de eu só ter a Isabel.
ResponderExcluirResolvi comentar desta vez. Realmente, deve ter sido uma conversa difícil de ouvir calada. De gente que não conhece a vida real e julga tudo do alto do seu pedestal - que eles não percebem mas está prestes a cair!
Li uma vez, não me lembro onde, um comentário de que o preconceito em relação à amamentação vem dos tempos da escravidão, em que quem amamentava eram as amas-de-leite. Pensando assim, se as 'senhoras' de engenho tinham tempo e recursos, se alimentavam bem, descansavam e todas essas coisas que deveriam contribuir para o sucesso da amamentação, por quê é que eram as escravas que tinham que amamentar seus filhos!?
A Maria Mariana (do confissões de adolescentes) escreveu essa frase no livro dela.
ResponderExcluirMas o contexto era diferente. Ela dizia que só quem realmente merece e se esforça consegue tanto o parto normal quanto o aleitamento.
Contraditorio, não?
Vou comentar algo gigante.
ResponderExcluirEu não me preparei para amamentar, era muito nova, não procurei informação na internet, todo o enxoval da minha filha ganhamos, o berço era usado, a cômoda era minha, e eu não tive cadeira de amamentação, não montei um quartinho decorado por falta de condições financeiras mesmo.
Tranquilidade?Eu com pontos da cesariana ainda, com o bebê no peito, tinha de ir levantar meu pai da cama que não conseguia se levantar sozinho para ir ao banheiro.
Se foi difícil?Não. Para mim aquilo era normal, eu não conheci a realidade de acordar no meio da noite bem humorada, sentar em uma poltrona confortável e ter aquela troca de olhares. Geralmente eu acordava de madrugada e queria chorar de tanto cansaço, sentava na cama para amamentar, e só pensava que isso deveria acabar logo para eu dormir novamente.
Passou.
Agora, lá vai minha análise chucra. Eu sempre soube das minhas condições e não abracei o mundo com as pernas. Infelizmente tem muita gente de condições financeiras melhores que eu, porém deixou o filho em creche - e logo sem ser amamentado - com 3 meses de vida para voltar a trabalhar por "necessidade". E dai eu penso, é necessidade, ou comodismo?Medo de abrir mão daquele conforto, daquele padrão de vida, nem que seja por alguns meses.
Vejo pessoas que até hoje estão pagando o quartinho do bebê, que gastaram 2/3/4 mil para mobiliar um quartinho, e isso acrescenta algo na vida da criança?Sei la, a criança será melhor amamentada na poltrona de amamentação? Fará efetivamente diferença?
Eu tive de escolher, ter um quarto de bebê lindo e satisfazer um desejo MEU, ou ter o que comer, ter energia elétrica em casa. E não, não me sinto coitadinha por isso, me sinto privilegiada porque vi o que realmente importa e vale a pena.
Já recebi doação de cesta básica, e agradeci por ter leite para amamentar a minha pequena porque se fosse para comprar NAN eu não teria condições.
A situação melhorou?Sim. E aprendi a viver com o necessário para justamente não ter de voltar a trabalhar.
Fico triste com mães que mesmo não querendo tem de voltar a trabalhar e abandonar seus filhos em creche, porque não tem o que comer, porque tem outros filhos. Mas fico mais triste, com quem tem condições, pode deixar de trabalhar nem que seja por 1 ano, que não passará fome e não faz, para não abrir mão de confortos como tv a cabo, jantares fora, diarista.
Desculpa esse comentário GIGANTE.
Beijos
http://parabeatriz.blogspot.com